Nem dado. O programa de ofertas digitais de jornais para jovens entre os 15 e os 18 anos está a revelar-se um rotundo fracasso, de contornos pouco abonatórios tanto para o Governo, que o concebeu, como para as empresas de comunicação social, que se revelaram incapazes de despertar o interesse de uma geração inteira que já nasceu em plena era digital.
Prometido em Outubro do ano passado por Pedro Duarte, então ministro dos Assuntos Parlamentares e hoje candidato social-democrata à Câmara do Porto, o programa, gerido pela Estrutura de Missão para a Comunicação Social (#PortugalMediaLab), pretendia oferecer gratuitamente até 400 mil assinaturas digitais, por um prazo de dois anos, a jovens entre os 15 e os 18 anos, em jornais ou revistas digitais de informação geral ou económica. A ideia era ambiciosa: aproximar adolescentes do jornalismo profissional e fomentar hábitos de leitura informativa.
Contudo, a execução ficou muito aquém das intenções. Os jornais interessados tinham de ter periodicidade semanal ou inferior e subscrições pagas, o que automaticamente excluiu o PÁGINA UM, por ser um projecto de acesso livre, mas também outros órgãos que não trabalham com sistemas de paywall.
O programa arrancou em Maio deste ano, permitindo a cada jovem escolher apenas uma publicação, entre os títulos aderentes, através de inscrição online no portal gov.pt, presencialmente ou por via telefónica. Apesar da simplicidade prometida, o processo revelou-se burocrático, com validações sucessivas, códigos de activação e pouca divulgação fora dos canais institucionais.
Cinco meses depois, o resultado é desolador: apenas 4.442 jovens activaram assinaturas digitais, segundo dados oficiais. Tendo em conta que, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, existiam 418.682 adolescentes na faixa etária abrangida, significa que apenas 1,06% aderiu ao programa — ou seja, menos de 11 por cada mil potenciais beneficiários. A esmagadora maioria ignorou a oferta, mesmo sendo gratuita, o que levanta sérias dúvidas sobre a eficácia das políticas públicas de incentivo à leitura mediática.
Num cenário negro, o Expresso lidera procura jovem com 1.592 assinaturas digitais, mas não se sabe a percentagem destes acessos que acabam usados pelos pais.
Os dados por publicação são ainda mais reveladores do desinteresse. O Expresso ‘lidera’ com apenas 1.592 assinaturas, embora nada garanta que sejam efectivamente lidas por jovens e não pelos pais, que poderão ter aproveitado a oportunidade. Esse impacto, aliás, nunca foi avaliado pelo programa. O Observador surge em segundo lugar, com 1.066 assinaturas, seguido do Público com 911, número simbólico face aos custos do desenvolvimento da plataforma GenP, criada para atrair novos leitores.
Nas restantes publicações, o panorama é quase residual. A Visão regista 382 subscrições, a Sábado 132 e o Jornal de Notícias 121. Abaixo das 100 adesões estão o Correio da Manhã (94), o Diário de Notícias (50), o Jornal Económico (47), o Eco (35) e a Vida Económica (11). No conjunto, estas cifras representam receitas mensais inferiores a 500 euros por título, tornando a participação no programa marginalmente relevante do ponto de vista financeiro.
“Na fase actual considera-se uma adesão inferior à esperada”, admite uma fonte governamental ao PÁGINA UM, sublinhando que a avaliação ainda não permite identificar as causas concretas do insucesso. A dúvida divide-se entre a falta de interesse dos jovens em consumir informação jornalística e a ausência de uma estratégia de divulgação eficaz. Na prática, a maioria das publicações não investiu em promover a iniciativa, talvez antecipando o seu desfecho.
Segundo a mesma fonte, o Governo aguarda o fim do período eleitoral para “avaliar o impacto da medida e a sua divulgação”, lembrando que nos últimos meses estava legalmente impedido de lançar campanhas institucionais devido às restrições impostas pelas eleições legislativas e europeias. O programa prolonga-se até 31 de Dezembro.
Diário de Notícias, liderado por Filipe Alves, fechou o primeiro trimestre de 2025 com 723 assinaturas digitais. Com o programa de incentivo à literacia mediática para jovens conseguiu 50 assinaturas.
No entanto, essa justificação dificilmente explica um desastre desta dimensão, tanto mais que o público-alvo é altamente digitalizado e deveria ser fácil de alcançar através de redes sociais, escolas e parcerias educativas.
A ironia é evidente: um programa concebido para aproximar os jovens dos media acabou por expor o fosso geracional e a irrelevância crescente da imprensa tradicional junto das novas gerações. Se nem quando o jornal é oferecido de graça o público juvenil se mostra interessado, a crise estrutural do sector assume contornos ainda mais graves — não apenas financeiros, mas também culturais e democráticos.
A família Balsemão está a pressionar os accionistas minoritários da Impreger – a empresa que, detendo 50,31% das acções, controla a Impresa – a venderem-lhe as suas participações antes da entrada da MediaForEurope (MFE), o grupo italiano ligado à família Berlusconi que pretende dominar a SIC e o Expresso até ao final do ano.
Numa ‘ofensiva’ que envolve antigos aliados e amigos de Pinto Balsemão – entre os quais a famílias Boullosa (11,98% da Impreger) e quatro ramos da família Ruela Ramos (herdeiros do antigo director do Diário de Lisboa, que no conjunto detêm 14,98%) e até António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, que mantém uma pequena participação (0,07%) –, o argumento apresentado pelo actual CEO da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, é o da “salvação do grupo” e permitir algo retorno ao investimento numa altura aflitiva. A ideia transmitida é de que só uma posição accionista unificada da Impreger permitirá concluir com sucesso as negociações em curso com a MFE.
Contudo, apurou o PÁGINA UM, o verdadeiro objectivo poderá não ser apenas viabilizar a entrada da MFE, mas sim garantir que a família Balsemão ainda permaneça na estrutura accionista da Impresa – ainda que numa posição minoritária – mesmo depois da entrada do grupo italiano.
Na prática, a compra das participações dos minoritários serviria para a família Balsemão reconcentrar o capital da Impreger na esfera da Balseger – a holding familiar de Francisco Pinto Balsemão que controla, actualmente, 71,41% da Impreger e, por essa via, domina (ainda) a Impresa. Tal permitiria aos Balsemão negociar uma venda parcial à MFE, mas dando-lhe mais de dois terços do controlo da Impreger, para não só tomar o domínio da Impresa (e da SIC e Expresso) como também ter a capacidade de alterar o contrato social.
A confirmar-se, este movimento, a solução mostrar-se-ia uma saída ‘honrosa’ da família Balsemão do controlo da Impresa. Mas seria também mais uma ‘facada nas costas’ da segunda geração da família Balsemão aos accionistas minoritários da Impreger, que desde a entrada da Impresa em bolsa jamais obtiveram quaisquer dividendos, nem sequer a possibilidade de integrarem o Conselho de Administração da empresa.
Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa, tem os dias contados á frente do grupo de media.
Conforme o PÁGINA UM revelou há três semanas, só nos últimos 10 anos a família Balsemão arrecadou 6,6 milhões de euros em salários e pensões. Todos os outros accionistas da Impreger – que, em conjunto, detêm 28,59% do capital, equivalentes a 14,38% da Impresa – nunca receberam um tostão.
Os conflitos entre a família Balsemão e os sócios minoritários da Impresa nunca correram bem para os segundos. O caso mais conhecido opôs Nuno Vasconcellos, da Ongoing, a Francisco Pinto Balsemão, culminando com a saída do primeiro da Impresa, após vender em 2014 a sua participação de 23,13% por 51 milhões de euros. Nessa altura, a venda foi concretizada a 1,3 euros por acção; na passada sexta-feira, a cotação fechou em apenas 0,126 euros.
Há 11 anos, Pinto Balsemão afirmou que “esta saída [da Ongoing] coloca um ponto final numa estratégia hostil de tentativa de controlo de um grupo de comunicação livre e independente”. Na verdade, a família Balsemão nunca apreciou dividir a gestão com outros accionistas, conseguindo mandar no grupo de media como se tivesse 100%, apesar de deter 35,93% das acçoes da Impresa.
Mas, neste momento, no contexto do negócio com a MFE, as conversações entre a família Balsemão e os restantes accionistas minoritários da Impreger não estão a ser fáceis. Desde o afastamento do chairman Francisco Pinto Balsemão, por motivos de saúde, a gestão do grupo pelo seu filho, Francisco Pedro, tem sido duramente criticada – e mais ainda a sua postura. O PÁGINA UM soube que alguns accionistas da Impreger apenas tomaram conhecimento das conversações com a MFE através das notícias publicadas na imprensa.
A desconfiança é profunda – algo que já se revelara na Assembleia-Geral da Impreger realizada em Maio passado. De acordo com a acta a que o PÁGINA UM teve acesso, os accionistas minoritários abstiveram-se no voto de louvor à administração, algo inédito, confirmando o clima de tensão. O representante da família Boullosa lamentou mesmo que “a relação próxima de outrora entre os accionistas, quase como irmãos, tenha dado lugar a uma maior dispersão”. Apesar das manifestações de vontade em melhorar a comunicação, a família Balsemão boicotou nessa assembleia – bastante tensa – a inclusão de quaisquer representantes dos accionistas minoritários, tanto na Impreger como na Impresa.
Numa análise estratégica, esta tentativa da família Balsemão em afastar de imediato os seus parceiros minoritários na Impreger, denuncia, em certa medida, a intenção de manter um pé na Impresa. Com efeito, caso o propósito da família Balsemão fosse apenas ceder o controlo (e as dívidas) da Impresa à MFE, bastaria vender-lhes directamente a Balseger, que, com 71,4% da Impreger, já garantiria aos italianos a maioria efectiva da Impresa.
Extracto da acta da assembleia geral da Impreger de Maio passado. Accionistas minoritários já se queixavam da falta de informação veiculada pela família Balsemão.
E depois ficaria ao critério da MFE a aquisição das participações dos restantes 28,59% da Impreger dos accionistas maioritários. Mas existem vantagens da família Balsemão em ‘passar a perna’ aos antigos parceiros da Impreger, porque, mantendo ou não uma posição com a entrada do grupo italiano, sempre conseguirão, desse modo, melhores condições.
Uma outra hipótese que se coloca é a Balseger entregar a totalidade da Impreger à MFE mas com uma cláusula que, depois da OPA à Impresa, permitisse a separação da Impresa Publishing, a empresa que gere o Expresso e o Blitz, e a sua entrega em exclusivo à família Balsemão. Ao contrário da holding Impresa, que está em situação aflitiva, a subsidiária Impresa Publishing está de boa saúde: no ano passado registou 1,46 milhões de euros de lucro e contabiliza resultados positivos no mais recente quinquénio de cerca de 8,8 milhões de euros. Essa hipótese mostra-se mais plausível atendendo que o ‘core business’ da MFE não é a imprensa escrita.
Em todo o caso, conforme apurou o PÁGINA UM, a Balseger já terá proposto às famílias dos sócios minoritários da Impreger um preço próximo da actual cotação bolsista da Impresa, ou seja, apenas 0,126 euros por acção, o que avalia o conjunto das participações em cerca de três milhões de euros. O valor nominal de cada acção é, porém, de 0,50 euros, o que corresponderia a um valor teórico de 12 milhões. Embora o valor nominal seja apenas uma referência contabilística, sobretudo numa empresa fortemente endividada, a discrepância evidencia a baixa valorização atribuída às participações minoritárias – ainda mais tendo em conta o interesse manifestado pela MFE.
Francisco Pinto Balsemão: ‘espólio’ da família poderá reduzir-se, na melhor das hipóteses, ao jornal Expresso, fundado em 1972.
Embora não tenha sido possível conhecer a posição dos minoritários da Impreger, a opção poderá ser a de negociar directamente com o grupo italiano, que estará interessado num clean deal (ou seja, numa operação simplificada e sem conflitos societários), ou, no limite, manter a posição, embora isso implique abdicar de qualquer controlo e sujeitar-se a alterações nas políticas de dividendos, retenção de lucros ou fusões que diluam ainda mais a sua influência.
Certo é que, se os minoritários venderem directamente à MFE, receberão um preço justo, e eventualmente com um prémio; se venderem à Balseger, poderão estar apenas a financiar a permanência da família Balsemão na empresa ou conseguir que fique com o jornal Expresso, que é a ‘menina dos olhos’ de Pinto Balsemão.
Para entrar no mercado dos media em Portugal e ficar com os canais televisivos da SIC, integrados na empresa homónima, e o jornal Expresso e outros títulos menores, através da Impresa Publishing, a MediaForEurope deverá ter de desembolsar 31,75 milhões de euros no curto prazo, mas herdando uma dívida líquida superior a 130,9 milhões.
De acordo com uma análise financeira realizada pelo PÁGINA UM, considerando as contas da Impresa relativas a 2023, o valor justo de aquisição para uma operação de controlo da Impreger – que controla 50,31% do grupo de media fundado por Francisco Pinto Balsemão – situar-se-ia entre 0,18 e 0,19 euros por acção, o que corresponde a um prémio entre 40% e 50% face à cotação de sexta-feira.
Pier Silvio Berlusconi, CEO da MediaForEurope.
Esta avaliação baseia-se em resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) de 18,4 milhões de euros, numa dívida líquida de 130,9 milhões e num factor multiplicador de 8,8 vezes o rácio entre o valor da empresa e o EBITDA, considerado adequado ao perfil financeiro da Impresa.
A esse preço, as participações minoritárias da Impreger valeriam entre 4,57 e 4,95 milhões, enquanto a parte pertencente à família Balsemão, a partir da Balseger, deverá valor um pouco mais de 11 milhões. No entanto, a MFE herdará uma dívida líquida de 130,9 milhões, pelos valores do relatório e contas do ano passado, o grande pesadelo que assombra o grupo há anos.
Mas a MFE terá de abrir ainda mais os cordões à bolsa – e é aqui que a situação se complica se a CMVM e a Euronext não exigirem maiores esclarecimentos à família Balsemão.
Em Portugal, a lei impõe que qualquer investidor que passe a deter o controlo efectivo de uma empresa cotada seja obrigado a lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade das acções remanescentes, garantindo assim tratamento igual a todos os accionistas.
Fim de linha no controlo da Impresa pela família Balsemão. Captura a partir de vídeo da SIC
Essa obrigação decorre do artigo 187.º do Código dos Valores Mobiliários, que define como controlo a posse de mais de 50% dos direitos de voto ou a capacidade, directa ou indirecta, de designar a maioria dos administradores ou exercer influência dominante – algo que sucederá se a MFE ficar com uma posição maioritária na Impreger, que detém 50,31% da Impresa. O objectivo é impedir que um novo grupo de controlo se instale sem dar aos minoritários a possibilidade de alienar as suas participações em condições justas.
Ora, o preço dessa OPA obrigatória deve ser pelo menos igual ao mais elevado pago pelo novo controlador nos seis meses anteriores, estando sujeito à validação da CMVM, que assegura a observância das regras de transparência e equidade.
Assim, se a MFE pagar, por exemplo, 0,189 euros por acção à Balseger e aos minoritários da Impreger, que detêm 84,5 milhões de acções da Impresa, terá de oferecer pelo menos o mesmo valor aos investidores da bolsa. Isso representaria um prémio de cerca de 50% face à cotação de sexta-feira, devendo provocar uma reacção imediata nas acções da Impresa, caso não sejam suspensas.
Certo é que, considerando essa estimativa de 0,189 euros por acção, a MFE gastará mais 15,8 milhões na OPA, aos quais se somariam 16 milhões pela aquisição integral da Impreger, desembolsando assim cerca de 31,75 milhões de euros no curto prazo, mas herdando uma dívida líquida superior a 130,9 milhões.
Ainda assim, a MFE dispõe de margem negocial junto dos credores para uma reestruturação da dívida com haircut – isto é, um perdão parcial dos montantes em dívida. O argumento é simples e convincente: se a Impresa permanecer nas mãos da família Balsemão, o colapso é iminente e os credores arriscam perder tudo; com a entrada de um colosso europeu da comunicação social, o pagamento da dívida – mesmo com algum perdão – torna-se exequível e credível.
A holding fundada e presidida por Francisco Pinto Balsemão, e que tem o seu filho Francisco Pedro como CEO, arrisca, mesmo assim, uma coima até 5 milhões de euros e outras penalidades se a CMVM não fechar os olhos, uma vez que a falta de informação ou a revelação de informação incompleta para o “sistema de difusão “são consideradas contra-ordenações “muito graves”.
Francisco Pinto Balsemão em 2015. / Foto: Imagem de entrevista à PSD-TV
Ao final da tarde de ontem, a partir das 19h00, a imprensa económica portuguesa – como o Jornal de Negócios e o Eco – começaram a divulgar também essa notícia do jornal italiano, mas sem destacarem que a Impresa tinha obrigações legais de avisarem o regulador e o mercado sobre essas negociações, que tenham ou não sucesso acabam por possuírem uma potencial influência na cotação das acções em bolsa.
Somente depois de o PÁGINA UM ter revelado pelas 22h15 de ontem que estaria a ser violado o Regulamento Abuso de Mercado da União Europeia e as regras da CMVM – porque as empresas cotadas ou emitentes de dívida têm a obrigação de esclarecer o mercado sempre que circulem rumores ou notícias susceptíveis de influenciar a cotação dos seus títulos -, a Impresa fez um comunicado no site do regulador. O comunicado da Impresa na área da informação privilegiada foi feito numa hora inusitada: 00 horas, 59 minutos e 47 segundos. Ou seja, menos de três horas depois, num fim-de-semana. O mercado bolsista em Portugal só reabre na próxima segunda-feira. Impresa fechou ontem a 0,126 euros
Foto: D.R.
Nesse comunicado nocturno, a Impresa manifesta uma estranha esquizofrenia corporativa porque começa por dizer “que lhe foi comunicado pelo seu accionista maioritário que este se encontra a desenvolver contactos, em exclusividade, com o grupo MFE com vista à avaliação de potenciais operações societárias para a aquisição de uma participação relevante na Impresa, embora não exista, nesta data, qualquer acordo vinculativo entre o acionista e a MFE para o efeito”.
Ora, sucede que o tal accionista maioritário (com 50,1%) da Impresa é a Impreger, que por sua vez é controlada (cerca de 71,4%) pela Balseger. E em todas estas empresas, a família Balsemão é dona e senhora. Com efeito, a administração da Impresa é constituída pelo patriarca Francisco Pinto Balsemão (chairman) e por dois dois seus filhos: Francisco Maria (vice-presidente) e Francisco Pedro (vogal e CEO), sendo que todos os restantes quatros membros são indicados pela Impreger.
Por sua vez, a Impreger só tem Balsemão nos apelidos dos três administradores: Francisco Pinto Balsemão, Francisco Maria Balsemão e Mónica Balsemão, que é também quadro de topo da Impresa. Por fim, a Balseger, detida a 100% pela família Balsemão, é presidida pelo patriarca e tem como membros do conselho geral e de supervisão todos os seus cinco filhos: Francisco Pedro, Francisco José, Mónica, Henrique e Joana.
Pier Silvio Berlusconi, presidente-executivo do grupo MFE. / Foto: D.R.
Só os dois últimos não estão associados aos negócios familiares nos media, sendo que Joana Balsemão foi vereadora da autarquia de Cascais e actualmente é administradora não executiva da Brisa, ocupando ainda funções no Kaizen Institute.
Em suma, trocando por miúdos, o comunicado nocturno da Impresa pretende convencer o mercado de que só ontem à noite Francisco Pinto Balsemão, Francisco Maria Balsemão e Francisco Pedro Balsemão, administradores da dona da SIC e do Expresso, foram formalmente informados por Francisco Pinto Balsemão, Francisco Maria Balsemão e Mónica Balsemão de que a própria Impreger (sócia maioritária da Impresa) estava em negociações com a MFE, controlada pela família Berlusconi, “para avaliar potenciais operações societárias com vista à aquisição de uma participação relevante” no grupo.
Seria uma tese aceitável — se não fosse o pequeno detalhe da impossibilidade técnica de Francisco Pinto Balsemão e Francisco Maria Balsemão notificarem-se a si próprios, a menos que o conselho de administração tenha passado a reunir-se em frente a um espelho na Quinta da Marinha.
Impresa comunicou informação privilegiada às 00h59m47s de hoje sem querer assumir que a escondeu ao mercado durante bastante tempo.
Também curioso é observar o facto de o comunicado da Impresa no site da CMVM, que só por si constitui “informação privilegiada” (daí a publicação), terminar com a frase: “Caso venha a existir informação privilegiada, será feita comunicação ao mercado nos termos previstos no artigo 29.º-Q do Código dos Valores Mobiliários e do Regulamento (UE) n.º 596/2014, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de abril de 2014”.
Ou seja, a Impresa quer dar a entender que a informação privilegiada que escondeu ao mercado (negociações em curso que podem levar mesmo a uma OPA e à mudança de mãos de importantes órgãos de comunicação social) não é informação privilegiada, tanto assim que promete revelar informação privilegiada quando a houver. Uma curiosa subversão do conceito de transparência, porque se a informação privilegiada fosse um conceito definido pelo livre arbítrio das empresas cotadas corria-se o risco de nada ser relevante para ser considerada informação privilegiada.
Aliás, ainda ontem, fonte oficial da Impresa tinha dito que “não existe informação privilegiada” a reportar, mas ao fazer um comunicado poucas horas depois – e sem que fosse possível avançar com factos novos por se tratar de uma sexta-feira à noite – acabou por confessar implicitamente que existia informação privilegiada escondida.
Foto: Mediaset Itália
Na verdade, ontem, através da agência de comunicação JLMA, a Impresa não negava conversações, mas relativiza o ponto da situação das negociações, afirmando que, “como no passado, não deixará de analisar parcerias que contribuam para o crescimento e cumprimento dos [seus] objectivos estratégicos”, acrescentando ainda que “mantém, há alguns anos, uma relação de cooperação comercial com o grupo MFE”.
Recorde-se que o Il Messaggero salientava ontem que as negociações entre a MFE, sediada em Cologno Monzese, e a Impresa tiveram início no Verão de 2024, embora já tivessem existido contactos em 2019. A nova fase de negociações incide sobretudo sobre a SIC, subsidiária da Impresa que mantém resultados operacionais positivos, ainda que em queda devido ao peso da dívida acumulada pela casa-mãe nos últimos anos.
O jornal italiano referiu ainda que vários pontos permanecem em aberto, estando a MFE a avaliar se avança para a compra de todo o grupo Impresa ou apenas de activos específicos, como a SIC. O fecho das negociações é apontado para o final do ano, com a nota de que “o preço não será elevado, mas terá de contemplar uma eventual OPA”, uma vez que a dívida a ser assumida pela MFE será significativa.
A megaholding italiana de media, anteriormente denominada Mediaset Group, é controlada pelos herdeiros do antigo primeiro-ministro Sílvio Berlusconi através do Fininvest Group. O grupo detém operações de televisão privada, bem como cinemas, produtoras e editoras em Itália, Espanha e Alemanha, país onde passou este mês a controlar a ProSiebenSat.1.
A negociação das acções da Impresa esteve suspensa na abertura da Bolsa, esta segunda-feira de manhã. A informação constava do site do Euronext Lisbon.
As acções, entretanto, já retomaram a negociação. Às 10H54 seguiam a valorizar 43% para 18 cêntimos após a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ter determinado o levantamento da suspensão, “considerando que a suspensão cumpriu o seu propósito de absorção da informação pelo mercado”.
O PÁGINA UM já ontem tinha apontado a possibilidade de a negociação das acções da Impresa ficar suspensa esta manhã, na abertura da Bolsa. A suspensão do título surgiu perante a expectativa criada de que a empresa dona da SIC e do Expresso deverá vir a ser alvo de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) por parte da MediaforEurope, o maior grupo de TV aberta da Europa. Com operações de televisão aberta em Itália, Espanha, Alemanha, Áustria e Suíça, este grupo é controlado pela família Berlusconi, através do Fininvest Group.
Registo do Euronext obtidos às 8h45 referindo a suspensão da negociação em bolsa das acções da Impresa.
Na sexta-feira, a Impresa fechou em Bolsa a cotar nos 12,6 cêntimos por acção, valendo cerca de 21,2 milhões de euros, a preços de mercado. A Impresa tem como principal accionista a holding Impreger, controlada pela família Balsemão.
Dadas as expectativas de que venha a haver uma OPA, as acções da Impresa estão a atrair forte procura.
Segundo o jornal italiano Il Messaggero, no conselho de administração da MFE que aprovou as contas semestrais na passada quarta-feira, o CFO Marco Giordani informou sobre a retoma das negociações para uma entrada na Impresa, o grupo de media fundado por Francisco Pinto Balsemão e actualmente em situação financeira difícil. O jornal italiano menciona que “a conclusão [do negócio] está prevista para o final do ano” e que “o preço não será alto, mas terá que incluir uma Oferta Pública de Aquisição” sobre a Impresa.
Francisco Pedro Balsemão, presidente-executivo da Impresa. / Foto: D.R.
Perante a ausência de informação completa da Impresa, o PÁGINA UM colocou questões à CMVM e voltou hoje a questionar o regulador sobre a ausência de informação, designadamente sobre estar a ser negociada uma operação que envolverá o lançamento de uma OPA.
Ao final desta tarde, a Impresa, pressionado pela CMVM, fez novo comunicado ao mercado onde admite que “no âmbito das negociações tornadas públicas com o grupo MFE não se encontra afastada a possibilidade da aquisição por este de uma participação relevante (direta ou indireta) para efeitos de controlo na Impresa, reiterando que, nesta data, não existe qualquer acordo vinculativo para o efeito”.
Contudo, esta informação continua a ser insuficiente já que a notícia do jornal italiano menciona dados importantes, como a data prevista de conclusão do negócio, bem como o facto de que “o preço não será alto, mas terá que incluir uma Oferta Pública de Aquisição” sobre a Impresa.
Segundo comunicado divulgado pela Impresa sobre as negociações com o MFE.
Perante a expectativa de uma OPA, as acções da Impresa poderão registar uma elevada procura. O facto de a Impresa ter ontem, tardiamente, confirmado a existência de negociações para que o MFE passe a controlar o grupo coloca as acções no centro das atenções dos investidores.
Importa recordar que, de acordo com o Regulamento Abuso de Mercado da União Europeia, as empresas cotadas ou emitentes de dívida têm a obrigação de esclarecer o mercado sempre que circulem rumores ou notícias susceptíveis de influenciar a cotação dos seus títulos. Mas a Impresa só fez um primeiro comunicado, incompleto, ao mercado pelas 00H59 de Sábado. O segundo comunicado, ainda incompleto, foi divulgado ontem, pelas 17H16.
Nota: Notícia actualizada pelas 10H55 para acrescentar a indicação de retoma da negociação das acções da Impresa em Bolsa e respectiva cotação.
O regulador da Bolsa e a Euronext Lisbon avaliam a suspensão da negociação das acções da Impresa amanhã na abertura da sessão bolsista.
A deliberação da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e da gestora da Bolsa só deverá ser tomada esta segunda-feira de manhã e surge perante a expectativa criada de que a empresa dona da SIC e do Expresso deverá vir a ser alvo de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) por parte da MediaforEurope, o maior grupo de TV aberta da Europa. Com operações de televisão aberta em Itália, Espanha, Alemanha, Áustria e Suíça, este grupo é controlado pela família Berlusconi, através do Fininvest Group.
Pier Silvio Berlusconi, presidente-executivo da MFE, antiga Mediaset, o maior grupo de
Na sexta-feira, a Impresa fechou em Bolsa a cotar nos 12,6 cêntimos por acção, valendo cerca de 21,2 milhões de euros, a preços de mercado. A Impresa tem como principal accionista a holding Impreger, controlada pela família Balsemão.
Dadas as expectativas de que venha a haver uma OPA, as acções da Impresa deverão atrair forte procura, havendo necessidade de consolidação de ofertas, sobretudo na abertura do mercado bolsista, amanhã, para estabilização de preços.
Segundo o jornal italiano Il Messaggero, no conselho de administração da MFE que aprovou as contas semestrais na passada quarta-feira, o CFO Marco Giordani informou sobre a retoma das negociações para uma entrada na Impresa, o grupo de media fundado por Francisco Pinto Balsemão e actualmente em situação financeira difícil. O jornal italiano menciona que “a conclusão [do negócio] está prevista para o final do ano” e que “o preço não será alto, mas terá que incluir uma Oferta Pública de Aquisição” sobre a Impresa.
Francisco Pedro Balsemão, presidente-executivo da Impresa. / Foto: D.R.
Perante a ausência de informação completa da Impresa, o PÁGINA UM colocou questões à CMVM e voltou hoje a questionar o regulador sobre a ausência de informação, designadamente sobre estar a ser negociada uma operação que envolverá o lançamento de uma OPA.
Ao final desta tarde, a Impresa, pressionado pela CMVM, fez novo comunicado ao mercado onde admite que “no âmbito das negociações tornadas públicas com o grupo MFE não se encontra afastada a possibilidade da aquisição por este de uma participação relevante (direta ou indireta) para efeitos de controlo na Impresa, reiterando que, nesta data, não existe qualquer acordo vinculativo para o efeito”.
Contudo, esta informação continua a ser insuficiente já que a notícia do jornal italiano menciona dados importantes, como a data prevista de conclusão do negócio, bem como o facto de que “o preço não será alto, mas terá que incluir uma Oferta Pública de Aquisição” sobre a Impresa.
Segundo comunicado divulgado pela Impresa sobre as negociações com o MFE.
Perante a expectativa de uma OPA, as acções da Impresa poderão registar uma elevada procura. O facto de a Impresa ter hoje, tardiamente, confirmado a existência de negociações para que o MFE passe a controlar o grupo coloca as acções no centro das atenções dos investidores.
Importa recordar que, de acordo com o Regulamento Abuso de Mercado da União Europeia, as empresas cotadas ou emitentes de dívida têm a obrigação de esclarecer o mercado sempre que circulem rumores ou notícias susceptíveis de influenciar a cotação dos seus títulos. Mas a Impresa só fez um primeiro comunicado, incompleto, ao mercado pelas 00H59 de hoje. O segundo comunicado, ainda incompleto, foi divulgado hoje pelas 17H16 de hoje.
Nota: O PÁGINA UM colocou questões à CMVM no Sábado e no Domingo, designadamente sobre se iria haver suspensão da negociação das acções da Impresa na abertura da Bolsa na segunda-feira. Apesar do silêncio do regulador, o PÁGINA UM apurou oficialmente que a suspensão da negociação estava na mesa e foi-nos indicado que a decisão definitiva de suspensão seria tomada na manhã de segunda-feira, antes da abertura da Bolsa.
De facto, só depois da abertura da Bolsa é que a CMVM publicou no seu site, pelas 08H51, um comunicado indicando que o seu conselho de administração tinha decidido suspender a negociação da Impresa em Bolsa, “para permitir ao mercado absorver a informação entretanto divulgada”. Mas a CMVM apontou que a decisão foi tomada no dia 26 de Setembro pelas 19H40. Isto apesar de a Impresa só ter divulgado um comunicado com escassa informação no site da CMVM pelas 00H59 do dia 27 de Setembro. O grupo de media fez ainda um segundo comunicado no Domingo, pelas 17H16.
A Impresa ainda não comunicou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) estar em negociações com a MFE-MediaForEurope – a megaholding italiana de comunicação anteriormente denominada Mediaset Group, controlada pelos herdeiros do antigo primeiro-ministro Sílvio Berlusconi através do Fininvest Group.
O grupo detém operações de televisão privada, bem como cinemas, produtoras e editoras em Itália, Espanha e Alemanha, país onde passou este mês a controlar a ProSiebenSat.1.
A Impresa detém, entre outros activos, a SIC e o semanário Expresso (através da Impresa Publishing). A existência de negociações configura um facto relevante para os accionistas – ou, mais precisamente, “informação privilegiada” no quadro das regras aplicáveis às empresas cotadas.
Até ao momento, porém, a Impresa não comunicou ao mercado quaisquer negociações com a MFE, alegando que “não existe informação privilegiada” a reportar, segundo fonte oficial do grupo contactada pelo PÁGINA UM.
Foto: D.R.
De acordo com essa fonte – na verdade, a agência de comunicação JLMA, que representa a empresa – a Impresa não nega conversações, mas sublinha que, “como no passado, não deixará de analisar parcerias que contribuam para o crescimento e cumprimento dos [seus] objectivos estratégicos”, acrescentando ainda que “mantém, há alguns anos, uma relação de cooperação comercial com o grupo MFE”.
A mesma fonte garante que “não há, no entanto, qualquer acordo ou compromisso vinculativo entre a Impresa e a MFE”, afirmação contrariada pelas informações avançadas pelo jornal italiano.
Importa recordar que, de acordo com o Regulamento Abuso de Mercado da União Europeia, as empresas cotadas ou emitentes de dívida têm a obrigação de esclarecer o mercado sempre que circulem rumores ou notícias susceptíveis de influenciar a cotação dos seus títulos.
Foto: Mediaset Itália
Isto significa que, mesmo que não existam negociações em curso, a empresa deve confirmar ou desmentir publicamente tais informações, de modo a assegurar que os investidores não são induzidos em erro e a preservar a integridade e transparência do mercado.
O Il Messaggero acrescenta que as negociações entre a MFE, sediada em Cologno Monzese, e a Impresa tiveram início no Verão de 2024, embora já tivessem existido contactos em 2019. A nova fase de negociações incide sobretudo sobre a SIC, subsidiária da Impresa que mantém resultados operacionais positivos, ainda que em queda devido ao peso da dívida acumulada pela casa-mãe nos últimos anos.
O jornal italiano refere ainda que vários pontos permanecem em aberto, estando a MFE a avaliar se avança para a compra de todo o grupo Impresa ou apenas de activos específicos, como a SIC. O fecho das negociações é apontado para o final do ano, com a nota de que “o preço não será elevado, mas terá de contemplar a eventual OPA”, uma vez que a dívida a ser assumida pela MFE será significativa.
Pier Silvio Berlusconi, presidente-executivo do grupo MFE. / Foto: D.R.
N.D. O PÁGINA UM contactou, pelas 17h43 desta tarde, o consultor Daniel Vaz, da agência de comunicação JLMA, solicitando comentários sobre as negociações entre a MFE e o Grupo Impresa. Contudo, a JLMA apenas nos remeteu a resposta oficial da Impresa às 20h04, mais de uma hora depois de já a ter distribuído a vários outros órgãos de comunicação social — numa evidente tentativa de boicotar o trabalho do PÁGINA UM. Declara-se, por isso, que este jornal não voltará a contactar nem a aceitar comunicados da JLMA em qualquer representação empresarial. Naturalmente, se o assunto noticioso for a própria JLMA, o PÁGINA UM dirigirá os pedidos de informação directamente à gerência da empresa.
A Câmara Municipal das Caldas da Rainha decidiu transferir 145 mil euros a dois jornais “da terra” justificando-o como aquisição de “espólio documental”, mas não são revelados detalhes daquilo que efectivamente adquiriu.
Em causa estão duas despesas no espaço de um ano, e num período que antecede as eleições autárquicas, que beneficiam dois periódicos locais, a Gazeta das Caldas e o Jornal das Caldas. A autarquia é liderada desde finais de 2021 por Vítor Marques, antigo presidente social-democrata da União de Freguesias das Caldas da Rainha (Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório), mas eleito para a Câmara Municipal como independente. E recandidata-se para as eleições do próximo mês de Outubro, com o apoio do Partido Socialista.
Foto: D.R.
A primeira despesa do município caldense foi feita em 9 de Setembro do ano passado. A autarquia pagou à dona da Gazeta das Caldas, a Cooperativa Editorial Caldense, o montante de 100.280 euros, excluindo o IVA. Segundo os dados desta aquisição que constam a plataforma de registo de compras públicas, o Portal Base, o objecto do negócio foi a “aquisição de espólio documental – arquivo histórico Gazeta das Caldas”.
Mas o município não fez nenhum contrato escrito, invocando o artigo 95.º do Código dos Contratos Públicos relativo a “locação ou aquisição de bens móveis ou de serviços”. Assim, não existem detalhes sobre esta aquisição, designadamente que tipo de documentos foram comprados e como foram avaliados. Também se desconhece onde é que a autarquia está a armazenar o “arquivo” comprado à Gazeta das Caldas e o que pretende fazer com ele.
A segunda despesa foi efectuada no dia deste mês de Setembro e envolveu o pagamento de 44.490 euros à Medioeste com a justificação de se tratar da “aquisição de espólio documental do Jornal das Caldas”. Também neste caso não foi efectuado qualquer contrato escrito e também não existem dados sobre o tipo de documentos que foram adquiridos pela autarquia.
Foto: D.R. / Museu Bordalo Pinheiro
A Gazeta das Caldas completa no próximo dia 1 de Outubro o seu centenário. Foi fundado em 1925 e terá um arquivo vasto. Já o Jornal das Caldas foi fundado em 1992. Assim, pelo menos no caso da Gazeta das Caldas, a autarquia poderá ter desejado ficar com alguns documentos históricos em termos da imprensa da região. Mas o quê? Ninguém quer dizer.
O PÁGINA UM questionou o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha sobre o que foi adquirido a estes dois jornais. Também quisemos saber o que a autarquia pretende fazer com os “espólios” adquiridos e onde estão armazenados. Até à publicação desta notícia ainda não recebemos qualquer resposta. Saliente-se que toda a documentação associada a estas aquisições, incluindo lista de bens, sua avaliação monetária e destino, são documentos administrativos, susceptíveis de serem solicitados por qualquer cidadão.
Segundo António Salvador, proprietário da Medioeste – que, além da Jornal das Caldas, gere o Jornal Mais Oeste e Jornal Região da Nazaré -, a aquisição do espólio documental dos dois jornais do concelho “visam salvaguardar o acervo documental destes, antes que fechem, face à crise do sector, tendo sido iniciativa do outro jornal (Gazeta) junto do município”. Salientou ainda que as despesas foram aprovadas pelo “Executivo por unanimidade e deliberado pela Assembleia Municipal, com três forças políticas na Câmara e quatro na Assembleia Municipal”.
Foto: D.R.
Certo é que as verbas pagas pelo município das Caldas aos donos dos dois jornais “da terra” ocorreram no último ano, coincidindo com o período que antecede as próximas eleições autárquicas.
Para as empresas proprietárias dos dois jornais, o dinheiro veio mesmo a calhar. A Medioeste fechou o ano de 2024 com um prejuízo de 70.260 euros depois de obter receitas de 108 mil euros. Assim, a verba que recebeu este mês da autarquia das Caldas de Rainha corresponde a 41% das receitas totais obtidas no ano passado. A não ser que este ano a Medioeste tenha receitas muito superiores às do ano passado, a empresa terá de registar o município das Caldas da Rainha como “cliente relevante” no Portal da Transparência dos Media, gerido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
Acresce que a Medioeste recebeu, no passado dia 12 de Agosto, a verba de 13.940 euros da mesma autarquia a título de “aquisição de publicidade” no Jornal das Caldas, o que representa mais de 10% do total, devendo também ficar registado no Portal da Transparência dos Media.
Foto: D.R.
No caso da dona da Gazeta das Caldas, ainda não houve registo das contas de 2024 no Portal da Transparência. Porém, em 2023, teve um lucro de 42.831 euros e receitas de 393 mil euros. Se as receitas registadas em 2024 forem da mesma ordem, somando a verba recebida da autarquia das Caldas, significa que o montante do encaixe da venda do “arquivo” da Gazeta das Caldas terá superado os 20% das receitas, o que também obriga a registo na ERC da autarquia como “cliente relevante”.
Acresce que a autarquia pagou à dona deste jornal, no passado dia 12 de Agosto, o montante de 19.045 euros, para a compra de publicidade na Gazeta das Caldas.
Foto: D.R.
Se não restam dúvidas sobre a importância da preservação de arquivos e acervo documental com valor histórico, também se levantam questões sobre se ónus das facturas a pagar para tapar a crise na imprensa, seja ela regional ou nacional, deve sair do bolso do Zé Povinho, ou seja, dos contribuintes.
No caso destes dois jornais, a factura paga só no último ano pelos contribuintes para a compra de “espólios” e publicidade foi de 178 mil euros, excluindo o IVA. E se estas dependências do poder local nas contas da imprensa regional não são depois reflectidas num portal gerido pelo regulador sobre a transparência dos financiamentos, resta perguntar para que serve esse portal.
As contas de 2024 da Páginas Civilizadas, principal accionista da Global Notícias controlada pelo empresário Marco Galinha – dona do Diário de Notícias e com participação na sociedade que detém o Jornal de Notícias e a TSF –, apresentam gravíssimas irregularidades e artifícios contabilísticos, transformando uma evidente falência técnica numa aparente robustez financeira.
De acordo com a análise contabilística e financeira do PÁGINA UM à empresa liderada por Marco Galinha – que controla directa e indirectamente 45,87% da Global Notícias e detém ainda por via indirecta 13,8% da Notícias Ilimitadas (dona do JN e da TSF, entre outros títulos) –, a Páginas Civilizadas reportou lucros de cerca de 190 mil euros e capitais próprios superiores a 4,7 milhões de euros nas demonstrações financeiras do ano passado. Contudo, estes resultados só foram possíveis graças a expedientes contabilísticos dificilmente aceitáveis numa empresa com esta dimensão e relevância.
Marco Galinha (à direita), accionista de referência da Global Notícias e gerente da Páginas Civilizadas, com a direcção do Diário de Notícias – Filipe Alves, Valentina Marcelino e Nuno Vinha – numa fotografia publicada pelo próprio director no Facebook, a assinalar o primeiro ano da actual liderança do jornal. Foto: D. R.
Recorde-se que a Páginas Civilizadas foi o ‘veículo’ usado pelo enigmático fundo das Bahamas (World Opportunity Fund) para controlar, durante alguns meses de 2023 e 2024, a Global Notícias sob a égide de José Paulo Fafe, num episódio que gerou forte polémica e instabilidade e motivou mesmo a intervenção da ERC. No início de 2024, Marco Galinha retomou o controlo financeiro da Páginas Civilizadas – surgindo no registo de beneficiário efectivo com uma quota de 59,75% – antes de proceder à separação do Jornal de Notícias e da TSF (entre outros títulos) da Global Notícias, num negócio ainda envolto em falta de clareza.
Um dos pontos mais polémicos nas contas de 2024 da Páginas Civilizadas está na rubrica “Investimentos financeiros”, onde inscreveu mais de 2,8 milhões de euros, correspondentes à participação na Global Notícias, mas sem aplicar o método da equivalência patrimonial que seria exigido pela dimensão da posição e pela influência exercida na gestão do grupo de media cujo principal activo é ainda o Diário de Notícias.
Na própria Informação Empresarial Simplificada (IES), entregue na Base de Dados das Contas Anuais, a Páginas Civilizadas declara que os investimentos em subsidiárias, empresas conjuntamente controladas e associadas são registados pelo método da equivalência patrimonial.
Demonstração de resultados de 2024 da Páginas Civilizadas ignoram a participação relevante (45,87% por via directa e indirecta) na Global Notícias, escondendo assim um descalabro financeiro.
Ora, mas se tivesse aplicado essa regra, teria de reconhecer no seu balanço a parte proporcional dos resultados catastróficos da Global Notícias em 2024, divulgados no Portal da Transparência dos Media, mas ainda não enviados para a Base de Dados das Contas Anuais. O atraso atingirá amanhã os 55 dias.
Como detém directamente 41,5% do capital da Global Notícias, a Páginas Civilizadas teria de assumir nas suas contas pelo menos cerca de 11 milhões de euros de perdas, correspondentes a uma parcela dos capitais próprios negativos de 19,3 milhões e dos prejuízos líquidos de 26,4 milhões registados em 2024. Assim, em vez de um activo de 2,86 milhões contabilizado como se fosse sólido, a empresa liderada por Marco Galinha através de três empresas (Páginas de Prestígio, Norma Erudita e Grupo Bel) teria de registar um valor líquido nulo ou praticamente nulo, entrando assim em falência técnica.
O expediente da Páginas Civilizadas – que tem Marco Galinha como gerente – foi, pura e simplesmente, ignorar a participação relevante na Global Notícias. Esta opção não é um detalhe técnico nem é legalmente aceitável, porque não se trata de uma posição minoritária irrelevante. Aparentemente, a empresa ‘encosta-se’ ao regime das pequenas entidades (NCRF-PE), que permite o uso de rubricas simplificadas.
Extracto do anexo à Informação Empresarial Simplificada (IES) da Páginas Civilizadas relativa a 2024, onde a empresa declara aplicar o método da equivalência patrimonial às suas participações em subsidiárias e associadas. Contudo, no balanço, a participação de 41,5% na Global Notícias surge registada como “investimentos financeiros” ao custo, sem reconhecimento da quota-parte nos prejuízos e capitais próprios negativos da dona do Diário de Notícias.
Porém, mesmo neste regime, vigora o princípio fundamental do Código das Sociedades Comerciais: as contas devem dar uma imagem verdadeira e apropriada da realidade económica. Ao não reflectir os capitais próprios negativos e os prejuízos avultados da Global Notícias, a Páginas Civilizadas fabrica uma saúde financeira fictícia. Na verdade, em vez de lucros de 190 mil euros, deveria apresentar prejuízos de 10,8 milhões; e em vez de capitais próprios positivos de 4,7 milhões, deveria revelar capitais negativos de 6,3 milhões. Ou seja, falência técnica.
Nesta linha, o expediente da Páginas Civilizadas é materialmente irregular e contrário ao espírito da lei. Mais do que uma interpretação contabilística, trata-se de uma manipulação para contornar um maior controlo financeiro, pois a aplicação da equivalência patrimonial obrigaria à nomeação de um Revisor Oficial de Contas (ROC), que nunca aceitaria semelhante manobra.
Mas mesmo admitindo, por hipótese académica, que a Páginas Civilizadas pudesse registar a sua participação na Global Notícias ao custo, teria então de constituir em 2024 uma imparidade ou, pelo menos, uma provisão que reflectisse a perda quase total de valor económico desse investimento. Só assim o balanço daria uma imagem verdadeira, uma vez que a participação na Global Notícias (em falência técnica) já não representa um activo sólido, mas sim um encargo de elevado risco.
O Código das Sociedades Comerciais é igualmente claro ao exigir que sociedades com participações relevantes em empresas com capitais próprios negativos reflictam tais factos nos seus balanços. Ao subvalorizar os rendimentos e inflacionar o valor do investimento na Global Notícias, Marco Galinha garante que a Páginas Civilizadas se mantém, no papel, saudável e sem necessidade de auditor externo – quando, na realidade, está numa situação de extrema fragilidade, perante a indiferença da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
Há cerca de duas semanas, o PÁGINA UM colocou diversas questões a Marco Galinha sobre a situação da Global Notícias, mas o empresário escusou-se a fazer declarações em ‘on’. E o PÁGINA UM não aceitou declarações em ‘off’.
Charlie Kirk, o jovem conservador norte-americano de 31 anos que foi assassinado no passado dia 10 de Setembro, promovia debates com estudantes pelo menos desde 2012. Foi assassinado quando participava em mais um evento numa Universidade em que debatia com estudantes. Mas, mesmo depois da sua morte, o jovem continua a ser alvo de uma onda de desinformação em alguma imprensa e nas redes sociais, tanto sobre o seu trabalho como sobre as suas posições.
Para a generalidade da imprensa, Kirk é retratado como um “radical” de direita, ou mesmo da “extrema-direita”. Já o seu alegado assassino, que se encontra detido, está a ser quase glorificado por utilizadores de redes sociais e até alguns órgãos de comunicação social, incluindo em Portugal, que o descrevem como um “jovem anti-fascista”. Isto apesar de ter assassinado um outro jovem apenas por ter ideias diferentes das suas.
Charlie Kirk (à esquerda na foto), era um jovem conservador moderado e cristão devoto que promovia o debate de ideias. Casado e pai de dois filhos pequenos, fundou a organização Turning Point USA, que organizava eventos em que Kirk debatia com estudantes com diferentes pontos de vista. Nos debates, Kirk convidava alunos para a troca de ideias usando o ‘slogan‘ “prove me wrong” (prova que estou errado). / Foto: D.R.
Em Portugal, diversos meios de comunicação social têm mostrado falta de rigor na descrição de Kirk mas também do seu alegado assassino. Por exemplo, numa notícia publicada ontem no Jornal de Notícias, assinada pela jornalista Rita Salcedas (CP 7547) — que tem um número de carteira profissional recente —, o título escolhido foi “Tyler Robinson: o jovem anti-fascista que quis calar o conservador Charlie Kirk”.
Este título tem gerado polémica e nas redes sociais o jornal não tem sido poupado a críticas. Por exemplo, na rede X, a publicação que publicita a notícia tem apenas 55 ‘gostos’ mas recebeu já 154 comentários. “Este título é simplesmente deplorável”, refere um dos comentários. “Que nojo de artigo… Não é um anti-fascista, é um assassino”, lê-se num outro comentário que tem 133 ‘gostos’.
A notícia começa por fazer um branqueamento do perfil do suspeito, descrevendo-o como um bom aluno criado numa boa família, omitindo as evidências de que sofreu uma radicalização ideológica e política nos últimos anos, levando ao homicídio. A jornalista aproveita ainda para sublinhar que o alegado assassino é “branco, não é imigrante, não é transgénero”. Num dos subtítulos, descreve o alegado assassino como um “crítico do conservadorismo apregoado por Kirk”, apesar de assumir que o suspeito nem sequer terá votado nas duas últimas eleições no país.
Notícia do Jornal de Notícias publicada ontem que retrata o alegado assassino de Kirk como um “jovem anti-fascista”, apesar de ter morto um jovem conservador que promovia o debate de ideias. / Foto: Captura de ecrã da página do Jornal de Notícias na Internet.
Por outro lado, a notícia omite que Kirk era um cristão devoto e que os valores cristãos e a promoção da tolerância eram presença constante nos debates. Também omite que Kirk era casado e pai de dois filhos pequenos, retirando intencionalmente a possibilidade de o leitor sentir empatia com a vítima. Por outro lado, descreve Kirk como um “ultraliberal”, procurando “colar” o jovem conservador a uma direita fundamentalista.
Outros meios de comunicação optaram por destacar em título que as balas encontradas na arma usada no homicídio continham expressões “anti-fascistas”, passando a ideia aos leitores de que o suspeito pretendeu assassinar Kirk por este ser “fascista”, o que é falso.
Depois, alguns media chegaram mesmo a procurar atribuir culpas ao próprio Kirk pela sua morte, mencionando que era a favor da Constituição norte-americana que permite o porte de armas. Numa notícia publicada no dia 11 de Setembro, a BBC escreveu que Kirk disse “há alguns meses: vale a pena ter o custo de haver, infelizmente, algumas mortes por armas de fogo todos os anos para que possamos manter a Segunda Emenda”.
Nesta notícia não assinada por nenhum jornalista, publicada no dia do assassinato de Charlie Kirk, a TSF classificou o jovem cristão e conservador como sendo de “extrema-direita”, o que é falso. / Foto: D.R.
De resto, na cobertura deste atentado contra o conhecido jovem conservador norte-americano, vários meios de comunicação social têm erradamente classificado Kirk como sendo da “direita radical” e até da “extrema-direita. Por outro lado, alguma imprensa tem também optado por diminuir o trabalho que foi desenvolvido pelo jovem conservador, ao classificá-lo como se fosse um mero “apoiante de Trump” ou um “porta-voz da juventude que apoia Trump”.
Também comentadores, incluindo em Portugal, têm difamado Charlie Kirk atribuindo-lhe posições que não defendia — em temas como os direitos das mulheres e das pessoas LGBT ao tema do racismo — ou classificando-o como sendo extremista e radical, com alguns quase a querer transparecer a ideia de que o jovem conservador mereceu ter sido assassinado. Alguns comentadores, incluindo jornalistas, ao invés de criticarem claramente o homicídio, também têm aproveitado para lançar a ideia de que este homicídio hediondo vai servir para “alimentar Trump” e a “extrema-direita” — que para estes comentadores são todos os conservadores — nos Estados Unidos.
De resto, não é só nas notícias que tem havido desinformação sobre Kirk ou enviesamento no tratamento deste homicídio. É frequente encontrar publicações em que, por exemplo, frases de Kirk são usadas fora de contexto. E proliferam acusações difamatórias em relação a Kirk. Por exemplo, o famoso autor Stephen King, que na rede social X tem 6,8 milhões de seguidores, veio pedir desculpa por ter escrito numa publicação que Charlie Kirk “defendia o apedrejamento até à morte de pessoas gay”, o que é totalmente falso.
O autor Stephen King foi uma das personalidades que difundiu acusações difamatórias falsas sobre Charlie Kirk. Algumas têm-se propagado também na imprensa. / Foto: Foto: Captura de ecrã da publicação rede X
O autor apagou a publicação onde difundia a mentira e tem vindo a desdobrar-se em pedidos de desculpa sucessivos na rede X.
Já a popular escritora J.K. Rowling, autora de Harry Potter, que tem 14,4 milhões de seguidores na rede X, fez uma publicação no dia 11 de Setembro contra a violência e em defesa do debate, da democracia e da liberdade de expressão. “Se acredita que a liberdade de expressão é para si, mas não para os seus opositores políticos, você é anti-liberal. Se nenhuma evidência contrária puder mudar as suas crenças, você é um fundamentalista. Se acredita que o Estado deve punir aqueles com opiniões contrárias, você é um totalitário. Se acredita que opositores políticos devem ser punidos com violência ou morte, você é um terrorista.”
A popular autora de Harry Potter, que também é uma defensora dos direitos das mulheres, escreveu no X em defesa da tolerância, da democracia e da liberdade de expressão. / Foto: Captura de ecrã da publicação rede X
Além de desinformação, também tem havido quem celebre o homicídio do jovem conservador, com vídeos e publicações nas redes sociais. Em Portugal, um dos que festejou o homicídio foi o argumentista João Quadros que escreveu várias publicações na rede X, uma das quais teve cerca de 500 ‘gostos’.
Numa das publicações, João Quadros escreveu: “vou buscar uma almofada, preciso de espaço para dormir com este sorriso”.
Nos Estados Unidos, algumas das pessoas que celebraram a morte de Kirk nas redes sociais foram despedidas, depois de os seus empregadores terem tido conhecimento do que publicaram online. Vários vídeos e publicações com festejos têm vindo a ser apagados.
Também a empresa Office Depôt fez um comunicado onde anunciou despediu um dos seus funcionários que recusou imprimir um poster para anunciar uma vigília em nome de Kirk. Disse ainda que tinha contacto o cliente para resolver a situação, mas entretanto emergiram publicações na rede X indicando que um concorrente, a FedEx Office, tinha avançado com a impressão do poster gratuitamente.
Foto: Captura de ecrã de publicações na rede social X
Contudo, a onda de desinformação sobre Kirk deverá continuar nos media e também nas redes sociais. Para a imprensa, este caso de má conduta surge depois de uma outra polémica envolvendo a cobertura que os media fizeram do homicídio de uma jovem refugiada ucraniana, quando regressava a casa de metro vinda do seu emprego.
Apesar de ter sido divulgado o vídeo do homicídio, que foi cometido por um criminoso reincidente 14 vezes, os media em geral ignoraram o acontecimento e fizeram um ‘blackout‘, não noticiando o crime. Só quando o vídeo e as críticas aos media se tornaram virais na Internet é que a imprensa começou a noticiar o crime. Por detrás do ‘blackout‘ dos media ao caso terá estado o facto de a jovem assassinada ser branca e o criminoso não.
A forma como a imprensa em geral cobriu estes dois homicídios tem gerado uma onda de críticas e exposto um sector de media que faz as notícias com carga ideológica e que se afastou dos deveres éticos e de rigor e isenção, que são pilares do Jornalismo.
Foto: D.R.
Nesta altura, há quem questione mesmo como teria sido a cobertura mediática destes dois homicídios se o jovem conservador assassinado fosse antes um democrata ou um devoto muçulmano e se a jovem ucraniana tivesse outro tom de pele.
Em termos mediáticos, o que transparece destas duas polémicas é que, para alguma imprensa, o tratamento noticioso de acontecimentos tem dois pesos e duas medidas consoante a religião, a cor de pele e a preferência política dos envolvidos. Algo que contraria as boas práticas jornalísticas e, em Portugal, constitui uma violação do Estatuto do Jornalista e do Código Deontológico.
No caso de Charlie Kirk, a forma como alguma imprensa norte-americana diabolizou o jovem leva que críticos da sua cobertura de Kirk lhe estejam a atribuir uma parte da responsabilidade pelo ódio criado em torno do jovem conservador, que levou a que se tornasse num alvo de um extremista.