VOTO SEGURO I Como sabeis — se não sabeis, ficais a saber — faço parte da Comissão de Honra do candidato António José Seguro. Também suspeitais ser um comunista no sentido bíblico. Serei mais acrata, mas isso não vem agora ao caso. Então porquê não voto no candidato do partido?
O voto presidencial é um voto num dirigente. Num indivíduo. Num estilo de intervenção. Nada contra o camarada Filipe, e não é um voto útil, o meu. Fiz questão de privar com António José Seguro antes de tomar esta decisão. E estive diante de um homem resolvido, sereno, blindado à bojarda, que me inspira confiança.

Não seria de esperar outra coisa, num encontro de apoio, mas podia ter concluído estar ali um farsante, um socialista inquinado, um arrivista, um situacionista ou mesmo um pato-bravo disfarçado de ouvinte atento.
Além de ter consideração pela sua postura ao arrepio do próprio partido onde assenta a sua ideologia, o homem faz vinho. Quem mete as mãos à obra na terra é sempre de considerar. Depois, não diz que lê só para ficar bem na fotografia. Até a mim me leu, vejam lá. Ou que é melómano e troca Bach por Baco.
Por último, a amostra de quem pode ser eleito é de tal forma medonha que se não houvesse um Seguro antes preferia ir à cata de um putativo rei. Ganhe ou não ganhe, estou certo de que havemos de beber um copo ou dois e brindar à raça lusitana.
Tiago Salazar é escritor e jornalista
