Etiqueta: Editorial

  • PÁGINA UM: 20 meses que são 20 vitórias

    PÁGINA UM: 20 meses que são 20 vitórias


    O PÁGINA UM faz hoje 20 meses. Eu conto os meses de existência. Não apenas por serem as primeiras fases da infância o período mais crítico de qualquer ser, mas sobretudo porque, neste modelo deste projecto jornalístico independente, se mostra obrigatório definir o futuro a curto prazo. O PÁGINA UM nasceu pelo apoio financeiro dos seus leitores, com donativos desde 1 euro até algumas centenas de euros, e 20 meses depois vivemos da mesma forma.

    Não quisemos publicidade nem parcerias comerciais: e sabemos que estamos no fio da navalha, mas com a possibilidade impagável de fazer jornalismo sem concessões nem constrangimentos nem medos. Essa liberdade é inexcedível, e não acreditem que seja coisa vista por aí na chamada imprensa mainstream. Aliás, por esse motivo, o PÁGINA UM é tão criticado.

    Mas sabemos que o nosso sucesso não depende apenas das notícias. Depende sobretudo dos nossos leitores e da suas capacidades para avaliarem dia a dia o nosso trabalho, e dar um apoio concreto que não seja só aplausos (lembram-se dos aplausos aos médicos?).

    Ao longo destes 20 meses, já ganhámos muitos apoiantes pontuais ou regulares; fomos perdendo muitos outros, alguns por dificuldades, outros por discordância, outros talvez porque, enfim, consideram que não conseguiremos fazer a diferença. Para estes últimos, e na verdade para todos, gostaríamos de os convencer que queremos fazer a diferença. Podemos mesmo ser a diferença, se meios houver.

    Cada novo apoio e cada saída de um antigo apoiante do PÁGINA UM não me é indiferente: o meu desejo é ver o PÁGINA UM com um maior desafogo financeiro para permitir uma maior aposta no jornalismo de investigação, de pressão, de denúncia. Por agora, temos conseguido muitas vitórias, mas queremos muitas mais.

    A principal vitória parece óbvia; aos fim de 20 meses somos a prova viva de que a qualidade do jornalismo independente é mesmo valorizada pelos leitores, mesmo quando o acesso é completamente livre, ou seja, acesso aberto. Isto vai até contra os modelos clássicos da Economia.

    blue bird on gray rock

    Manter por 20 meses (ou um pouco mais, porque houve dois meses de preparação) um jornal nestas condições é o mais nobre reconhecimento que os nossos apoiantes (financeiros) nos concedem: mesmo sabendo que poderiam ler o PÁGINA UM gratuitamente, assumem que o jornalismo independente necessita de recursos para fazer um bom trabalho. Contribuem também para que os leitores de menores posses possam aceder aos nossos artigos noticiosos e outros conteúdos.

    Em todo o caso, sabemos que este modelo – uma independência extrema e quase estóica – traz enormes limitações de crescimento, porque o orçamento do PÁGINA UM não tem chegado, nos últimos meses sequer aos 5.000 euros mensais, e a gestão do jornal tem uma regra: não há empréstimos bancários e não há dívidas ao Estado.

    Apesar da empresa gestora do PÁGINA UM ter o mesmo capital social da Trust in News, a dona da revista Visão e de outras publicações, não queremos (nem nos permitiriam) viver com um passivo de 11,4 milhões por via de calotes fiscais ou por empréstimos da banca. Ter empresas de media com endividamentos de milhões e dívidas ao Fisco pode ser fácil e cómodo, mas não se faz aí verdadeiro jornalismo. Pelo contrário, mata-se o jornalismo.

    Pedi ao Midjourney para imaginar uma reunião na sede do PÁGINA UM daqui a 20 meses… Na verdade, pode ser qualquer uma destas quatro alternativas… Excepto a gravata.

    Por esse motivo, sabemos o “custo da independência”. E não é apenas o de sofrer os ataques de alguns colegas de profissão – e sobretudo da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas (que mantém há um mês um vergonhoso frete sob a forma de falsa deliberação, votada fora das reuniões ordinárias, feita à margem de qualquer ética, na homepage do Sindicato dos Jornalistas).

    Esse “custo da independência” é o de mantermos uma dimensão pequena, com uma redacção minúscula e com um (extraordinário) punhado de colaboradores (quase todos pro bono) que oferece uma diversidade ao PÁGINA UM que muito me orgulha.

    Mas, na verdade, aquilo que me orgulha mais é o reconhecimento dos leitores. E mais não digo, que amanhã é um novo dia e há mais notícias para revelar. Sempre para os leitores. Sempre com os leitores. Obrigado por tudo. E continuem a ler e a apoiar o PÁGINA UM.

  • O PÁGINA UM: um ano e meio de vida em prol do verdadeiro jornalismo

    O PÁGINA UM: um ano e meio de vida em prol do verdadeiro jornalismo


    Nascemos há um ano e meio, era o dia 21 de Dezembro de 2021.

    Nascemos para mostrar que pode haver jornalismo independente, com princípios e incómodo, e por isso mesmo perseguido.

    Em 18 meses fizemos o que todos não fizeram em 18 anos: exigir em tribunais administrativos o acesso à informação.

    Denunciámos as promiscuidades da imprensa mainstream, que está a aniquilar os princípios do jornalismo, e por isso tenho à perna três “reguladores”; e pelo menos dois processos judiciais em que sou arguido (e ainda sem acusação).

    Com uma pequena redacção, publicámos já 1.444 textos, entre artigos de investigação jornalística, entrevistas, opinião e recensões.

    Somos o único jornal que tem como único activo a sua credibilidade, que a expõe apenas ao leitores, que são a nossa única fonte de financiamento. Não escrevemos para agradar aos nossos anunciantes, porque não os temos; nem para agradar aos nossos potenciais parceiros comerciais, porque não os queremos; nem para agradar ao poder, porque só os queremos sindicar.

    Em 18 meses, continuamos e continuaremos sem publicidade nem parcerias comerciais. Pelos nossos leitores. Para os nossos leitores. Obrigado pelo vosso apoio.

  • Não suportemos a normalização do pântano

    Não suportemos a normalização do pântano


    Temos mais um escândalo com Medina. Ou melhor dizendo, este também mete Duarte Cordeiro. E também o inefável Luís Filipe Vieira. E mais ainda umas cunhas para tachos.

    Coisas banais nos tempos que correm, num Governo que já não é Governo se não tiver um escândalo semanal. Cada novo escândalo dos membros do Governo Costa é mais um elefante a passar desapercebido no meio de uma cidade: esse novo escândalo consegue esse feito porque segue em manada, rodeado de outros elefantes, de outros escândalos.

    Começa a ser necessário fazer uma lista para não esquecer de se enumerar todos os escândalos dos últimos meses com membros do Governo, ou seus adjuntos.

    Quem se recorda ainda de Miguel Alves, secretário de Estado-adjunto do Primeiro Ministro, que se demitiu em Novembro do ano passado, acusado de crime de prevaricação?

    E do marido de Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, que, além de receber uns subsidiozitos que não eram para todos, se associou a um chinês acusado por corrupção activa?

    E já agora, de Tiago Cunha, o assessor de Mariana Vieira da Silva, 21 aninhos, saído da Universidade directamente para um gabinete ministerial a facturar 3.700 euros?

    De Alexandra Reis, demitida de secretária de Estado do Tesouro em Dezembro do ano passado, provavelmente todos se recordam. Bem como das consequências que a sua indemnização da TAP teve na demissão de Pedro Nuno Santos, de super-ministro das Infraestruturas e Habitação, bem como da saída do secretário de Estado Hugo Mendes.

    Aliás, ao pé do caso TAP – que teve “ondas” com a inenarrável cena do novo Ministério de Galamba & Companhia –, já nem sequer damos importância a todo um rol de pequenos e grandes escândalos.

    Como, por exemplo, a contratação (gorada) de Rita Marques, secretária de Estado do Turismo até Março do ano passado, por uma empresa que obtivera benefícios enquanto ela fora governante.

    Ou ainda o caso de Manuel Pizarro, que aceitou ser ministro da Saúde enquanto se mantinha como gerente de uma estranha empresa de consultadoria sobre a qual se ignora quem tenham sido os clientes.

    Também pouca repercussão já tiveram as habilidades de João Gomes Cravinho, ministro dos Negócios Estrangeiros, na renovação da sua carta de condução caducada, sem contar já com a empresa onde partilha sociedade com um sócio condenado por fraude fiscal.

    E já poucos se recordam da fugaz Carla Alves, secretária de Estado da Agricultura por 24 horas, por conta de contas arrestadas do seu marido, antigo autarca de Vinhais.

    Enfim, talvez esteja a escapar-me algum caso, mas todos estes são a ponta de um icebergue da cultura de corrupção moral – certamente não apenas moral, ainda mais sabendo-se que os três últimos anos os ajustes directos se tornaram uma prática banal na Administração da res publica – que tem sido alimentada e estimulada por António Costa.

    A operação Tutti Frutti, onde de novo surge o nome de Medina como peça principal, terá, do ponto de vista político, o mesmo tratamento por parte de António Costa que deu a todos os escândalos anteriores: deixa andar.

    O país transformou-se num couto de imoralidades, numa mina de saque, onde a indecência se banqueteia alarvemente. Em menos de um ano, Costa apenas saltita de escândalo em escândalo, como pedras, no meio de um pântano. Não governa; governa-se e os seus apaniguados assumem os escândalos com naturalidade. É só mais um antes do seguinte.

    Como se o seu objectivo deles fosse atapetar o pântano com tantas pedras como escândalos para não se afundarem. O problema é que podem eles não se afundarem, mas o ar fétido é insuportável.

    Não podemos admitir a normalização do pântano.

  • A morte do Jornalismo pela pena de dois carrascos

    A morte do Jornalismo pela pena de dois carrascos


    Este editorial estava simplesmente para se intitular Quo vadis, Jornalismo?, mas soou-me demasiado reflexivo. E não poderia ser. É mais um manifesto. Um manifesto a favor da sobrevivência da nobre profissão do Jornalismo e da função primordial da Comunicação Social, e contra aqueles que eliminam sorrateiramente, como lobos vestidos de pele de ovelha, a independência dos jornalistas, enquanto batem muito no peito com o cravo na lapela.

    Detesto hipócritas – e é sobre dois hipócritas que quero escrever. Como um é mulher e outro homem, está aqui consagrada a paridade, e confirmado que o deslustre não escolhe géneros.

    man sitting on chair holding newspaper on fire

    Pois bem, depois de um parecer da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA) sobre pedidos de documentos administrativos feitos pelo PÁGINA UM, e recusados pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), houve dois jornalistas que integram o Secretariado da dita entidade que ontem deram a sua decisão.

    Destaco uma frase – toda ela um tratado – como argumento para manter a recusa do acesso a actas – a simples actas, ó Céus! – das suas reuniões, assinadas pelos jornalistas Licínia Girão e Jacinto Godinho, que formam o Secretariado da CCPJ:

    Não existindo a concretização de uma finalidade específica para aceder às atas do Plenário (que, sobretudo, contém informação relativa a jornalistas, apreciações e ou juízos de valor sobre estes e, ainda outros dados suscetíveis de pôr em causa o seu bom nome) sendo, como se demonstrou, insuficiente evocar a qualidade de jornalista para aceder a documentos que pela natureza do seu conteúdo são nominativos, é legítima a avaliação da CCPJ no que respeita aos eventuais fins para que possam ser usados os documentos caso a eles o requerente tivesse acesso.

    Há momentos em que sinto vergonha alheia. E também incredulidade. E falta de empatia. Tenho dificuldades de me colocar na pele de Licínia Girão e de Jacinto Godinho – ainda mais neste, outrora reputado repórter de investigação premiado da RTP e professor de Comunicação Social numa universidade pública, que até aprecia contar histórias contra a PIDE – para compreender como o seu azedume ao PÁGINA UM, e a mim, os pode fazer escrever tamanha monstruosidade atentatória da Liberdade de Imprensa.

    Licínia Girão

    Agora um jornalista tem necessidade de concretizar a “finalidade específica” para aceder a documentos públicos, como simples actas?

    E sobretudo se esses documentos contêm “informação relativa a jornalistas”? São agora os jornalistas insindicáveis? Podem eles cometer as maiores barbaridades e corporativamente ser tudo escondido?

    Se assim é, porque não conceder similar benesse a políticos, magistrados, administradores públicos, funcionários públicos, enfim, a todos?

    Ademais, se a CCPJ assume ser legítimo a sua avaliação “no que respeita aos eventuais fins para que possam ser usados os documentos”, por que não considerar então legítimo que o Governo implemente um Serviço de Exame Prévio aos pedidos de jornalistas, recusando liminar e discricionariamente se estes não forem “simpáticos”?

    Só esta frase de Licínia Girão e Jacinto Godinho merecia que jornalistas com um pingo de decência nesta pobre democracia se insurgissem e os corressem a pontapé do Palácio Foz. Mais não seria necessário; mas também nunca menos. Merecem. São gente desta jaez que assassina, literalmente, o Jornalismo; que já perderam os escrúpulos e a vergonha por um par de vinténs, ou já perderam a noção do que escrevem, das posturas que tomam, das consequências dos seus actos e das suas mesquinhas raivas.

    Jacinto Godinho

    A frase acima exposta é o corolário daquilo que nenhum jornalista pode aceitar – porém, é uma frase escrita por jornalistas, defendida por jornalistas e aplicada por jornalistas. E apenas porque assumem eles que os ando a “perseguir” e a fazer pedidos “manifestamente abusivos”.

    E, no entanto, estou a fazer no PÁGINA UM a essência do Jornalismo: perguntar, sindicar, expor, denunciar, informar – usando todos os expedientes legais, incluindo judiciais. Livremente. Sem agendas. Sem interesses económicos, financeiros, partidários e ideológicos. A minha independência mete-lhes medo, porque imprevisível e incontrolável. Por isso, fazem-se de vítimas de perseguição se lhes faço quatro pedidos de documentos. A hipocrisia em seu esplendor.

    Que achará então o Governo e outras entidades quando o PÁGINA Um, perante recusas similares a pedidos de documentos, apresenta intimações no Tribunal Administrativo?

    Devem essas entidades – listemo-las: Conselho Superior da Magistratura, Infarmed, Ordem dos Médicos, Ordem dos Farmacêuticos, Ministério da Saúde, Inspecção-Geral das Actividades em Saúde, Administração Central dos Sistema de Saúde, Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Banco de Portugal, Instituto Superior Técnico, Presidência do Conselho de Ministros e Parque Escolar –, algumas já com mais do que um processo de intimação nos tribunais, juntarem-se, em coro aos jornalistas Licínia Girão e Jacinto Godinho, e promoverem um clube anti-PÁGINA UM para me meterem em ordem? Talvez pelourinho?

    Presumo que seria dia de festa numa Comissão que acredita os títulos (carteiras) de uma profissão cada vez mais desacreditada aos olhos dos cidadãos.

    Não foi para assistir a vergonhosas atitudes destes pequenos ditadores travestidos de jornalistas que se estabeleceu a democracia.

    Fico por aqui, poupando a análise do argumentário de 11 páginas – que pode ser lido aqui, na íntegra –, onde os ditos Licínia Girão e Jacinto Godinho expõem os seus motivos salazarentos para recusar, entre outros documentos, o acesso a processos concluídos a jornalistas em violações da ética profissional e aos ganhos em senhas de presença e outros rendimentos para gerirem um organismo público.

    O caso seguirá, obviamente, em breve, para as instâncias judiciais. Até lá, espero que os jornalistas decentes não se calem agora, pois se assim procederem, um dia, quando quiserem falar, talvez o “trabalhinho sujo” de tipos como Licínia Girão e Jacinto Godinho tenha já contribuído para lhes tirarem a língua. Ou as mãos. E até também as pernas. Ou mesmo a cabeça.

  • 60-0: a cabazada da aldrabice contra a decência num país pestilento

    60-0: a cabazada da aldrabice contra a decência num país pestilento


    Sente-se a podridão no ar, nojenta, exalando odores. A falta de ética transforma uma sociedade numa lixeira, num salve-se quem puder, em benefício de quem tiver artimanhas, e não arte. Vence o espertalhaço, não o inteligente. Vence o canastrão, não o artesão.

    E essa podridão, insidiosa e mesquinha, que forma e deforma uma sociedade, vê-se até ao jogo de berlindes, até num campeonato distrital de futsal, nome pomposo para o futebol de salão, onde este fim-de-semana a aldrabice espetou uma “cabazada” à decência.

    Foto: Luís Ribeiro / Médio Tejo

    A história conta-se em breves palavras. Em igualdade pontual com o Vitória de Santarém, a equipa do Mação Futebol Clube partia com uma desvantagem de 33 golos para a última jornada. E como esperado, ambas as equipas venceram os respectivos jogos, mas enquanto o Vitória de Santarém superou o seu adversário por uns escassos 7-5, o Mação massacrou o seu adversário, Benavente, por 60-sessenta-60 golos sem resposta, o que significa um golo em cada 90 segundos. Resultado: o Mação Futebol Clube foi campeão.

    Dois pormenores, relevantes. Primeiro, o Benavente jogou apenas com três jogadores – mínimo regulamentar – face aos cinco do Mação. Segundo, mesmo sabendo-se que o Mação não conseguira antes mais do que sete golos de vantagem numa partida, sendo assim mais do que remota a probabilidade de ultrapassar o Vitória de Santarém em caso de vitórias destas duas equipas –, houve quem se lembrou de estampar coloridas camisolas de campeão.

    O Mação Futebol Clube – e em paralelo a equipa de Benavente (que nos 19 jogos anteriores sofrera 68 golos) – é a imagem trágica de um país. A imagem de um país sem ética, consolidando os seus objectivos em trapaças, custe o que custar; em esquemas, aqueles que a imaginação aprouver mesmo se fraca; em compadrios, mais que muitos; em manipulações, as que forem necessárias; em corrupção, se não financeira, pelo menos moral, para quem assim se seduzir sem escrúpulo.

    selective focus photography of dried fruits on field

    Independentemente das provas, estamos perante uma pouca-vergonha, uma desavergonhice, que seria apenas risível se não fosse grave, por ser o espelho daquilo em que se transformou Portugal.

    Hoje, sentimos – todos sentem, e os “responsáveis” pelo Mação Futebol Clube sentiram – que, mesmo com trafulhice, mesmo com manipulação, mesmo com aldrabice e mesmo com esquemas ínvios, vale a pena tentar, é justificável tentar, porque basta congeminar ser possível iludir a verdade para que se tente que a mentira se transmute na realidade, proveitosa para o seu autor, mesmo que tal seja profundamente injusto e prejudique quem não deveria.

    Caricaturando a paráfrase de Fernando Pessoa, em Portugal, num país de aldrabões, a obra nasce, quando o homem sonha, mesmo se Deus não quer. E assim se ganha por 60 a 0, com a mesma decência da vitória do Mação Futebol Clube sobre o Benavente Futsal Clube.

    Foto: Luís Ribeiro / Médio Tejo

    E assim se sente a desonestidade na política, no Governo, na Administração Pública, nas escolas, nas forças armadas, nas forças de segurança, nas empresas públicas e nas empresas provadas, em muitas das nossas relações sociais. Em tudo, já.

    Portugal pode continuar a gabar-se de ganhar sempre na recta final por 60-0, sermos os melhores de tudo e da Cantareira; pode sempre erguer-se a taça, que de ouro seja. Mas no seu âmago está lá dentro uma pestilência que não se aguenta.

  • Boa noite, e até para a semana…

    Boa noite, e até para a semana…


    Olho para os títulos de três dos meus editoriais no PÁGINA UM em Abril:

    O pântano de uma república de mentiras: a pretexto de Manuel Pizarro e suas aldrabices

    Medina: o pináculo de um Governo de aldrabões

    Do pântano à cloaca”.

    Bem sei que tenho, por vezes, uma verve mais desbragada, mas não menos verdade o Governo fez, desde 28 de Abril – data do terceiro destes textos –, muito mais para justificar cada palavra acintosa que escrevi.

    Se há apenas uma semana, como escrevi, “É altura de puxar o autoclismo. Fim de ciclo”, mais motivos temos para encerrar este pesadelo, mesmo sabendo que pode vir pior. Pode sempre vir pior, mas no processo de mudança há sempre algo que vem: a esperança de melhor. Mesmo se ténue, mesmo se incerta, mesmo se pouco provável.

    Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou diversas vezes, no seu patético discurso desta noite – patético no sentido de pena, até pelo show off que foi criando nos últimos dias, incluindo o gelado do Santini –, quatro palavras: responsabilidade, credibilidade, confiabilidade e autoridade.

    Não há, neste Governo, qualquer pingo de responsabilidade. Em nada. Os últimos três anos só agudizaram a postura de um partido no Governo que, com o beneplácito de uma imprensa colaborativa e uma sociedade amedrontada pela pandemia, usou e abusou a seu bel-prazer dos direitos dos seus cidadãos e do seu dinheiro (não no sentido clássico dos impostos, mas através da “maquina de impressão” do Banco Central Europeu que fez disparar a inflação e agora compramos menos com o mesmo).

    O Governo e seus apaniguados estão viciados em tudo fazer sem responsabilidade. Confundem o Estado com os seus interesses, porque conseguem sempre, através da mentira, da ocultação e da manipulação, transmutar a realidade para jamais serem responsabilizados.

    Não assumindo nunca responsabilidades pelos actos, o Governo sabe que a sua credibilidade anda pelas ruas da amargura. Pouco importa a António Costa e, na Assembleia da República, a Augusto Santos Silva. Usam-se uns soundbites, diaboliza-se a extrema-direita, e mesmo que se ouçam uns impropérios aqui e ali, para eles basta fazer passar, através da imprensa, que os “outros” são piores. António Costa não quer manter-se como político credível; quer apenas mostrar que os “outros” são mais incredíveis.

    Sem sentido de responsabilidade e sem qualquer pingo de credibilidade, já ninguém confia neste Governo. A recusa de Marcelo Rebelo de Sousa em dissolver o Parlamento neste momento, em simultâneo à sua manifestação de descrença neste Governo, serve apenas para que cada vez menos pessoas (e as poucas são talvez somente aquelas que vivem na “esfera” económica e dos interesses do Estado) tenham confiança em António Costa e no seu séquito.

    Sem sentido de responsabilidade, sem qualquer pingo de credibilidade e sem dose alguma de confiabilidade, nos próximos tempos resta uma arma ao Governo para se manter no poder, custe o que custar: a autoridade.

    E aí, até pela amostra de um Serviço de Informações de Segurança a “resgatar” um portátil de um assessor escorraçado para salvar o coiro de um inclassificável ministro, eu temo que a autoridade se transforme em autoritarismo.

    E enquanto tudo isto sucede, perante os nossos atónitos olhos, Marcelo come gelados e convida-nos a ouvi-lo às 20 horas pelas televisões para nos dizer: “Boa noite, e até para a semana…”

  • Caramba, ó Galamba!

    Caramba, ó Galamba!


    Em hipótese, pode um licenciado em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e na Université Sorbonne Nouvelle Paris III cometer um crime que justifique a intervenção do SIS para resgatar um computador com suposta “informação classificada pelo Gabinete Nacional de Segurança”?

    Pode!

    Pode, em hipótese, um putativo criminoso ser um mestre em Economia e Políticas Públicas, no ISCTE, com dissertação intitulada “Compreender a realidade: os fatores explicativos das notícias”?

    Pode!

    João Galamba, o ainda ministro das Infraestrutras.

    Pode, também em hipótese, um alegado ladrão de informação confidencial ter uma pós-graduação em Direito Fiscal pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa?

    Pode!

    Pode ainda, por hipótese, um presumido agressor de mulheres ser doutorando em Economia Política num programa conjunto do ISCTE, ISEG e Universidade de Coimbra?

    Pode!

    Pode ainda, por hipótese, um suspeitoso arremessador de bicicletas contra portas de vidro ter sido jornalista no Record, na Agência Reuters, na Rádio Renascença, no Sol e na Antena Um, além de investigador da Fundação Rosa Luxemburgo e assessor do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda?

    Pode!

    girl covering her face with both hands

    Pode ainda, por hipótese, tudo isto se acumular na mesma pessoa, e ela ter sido um discreto técnico especialista no Gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares entre 2017 e 2019, e adjunto no Gabinete do Ministro das Infraestruturas desde 2019?

    Pode!

    E pode João Galamba continuar a ser ministro?

    Não! Não pode.

  • Medina, o pináculo de um governo de aldrabões

    Medina, o pináculo de um governo de aldrabões


    Hoje, o nosso colunista Tiago Franco escreveu, na sua coluna de opinião do PÁGINA UM, sobre os “engenheiros roubados a Portugal” que chegam à Suécia “sem nunca terem recebido um salário” no nosso país, “e que, em pouco tempo, se adaptam a tudo o que lhes aparece pela frente: ao clima que não ajuda ninguém, ao modo de vida, aos ritmos de trabalho, às tecnologias que nunca viram”, acrescentando que “destacam-se perante colegas muito mais velhos, com anos disto”.

    E pasmado – força de expressão –, o Tiago Franco diz que gostaria de saber “de onde virá tanta fome de aprender”, colocando três perguntas essenciais, quando se confronta aquilo que podemos ser como pessoas, de nacionalidade portuguesa, e aquilo que Portugal, lamentavelmente, é:

    “Onde é que errámos?”

    “Como é que ficámos tão pobres?”

    “De que forma é que fazemos este pessoal regressar e produzir em Portugal?”

    Fernando Medina, em foto hoje colocada no Twitter, “transportando” Mário Soares, entretanto falecido em 2017.

    E eu respondo-lhe.

    Errámos porque permitimos que um Governo desça tão baixo que até tem um ministro como Medina.

    Ficámos tão pobres porque permitimos que Governos tenham ministros como Medina.

    E, quanto à terceira questão: que esqueça ele regressos de emigrantes portugueses em massa enquanto tivermos políticos como Medina.

    Fernando Medina, o Medina, surge aqui como representante de um homem que sempre viveu debaixo de António Costa – não direi que é um capacho, mas andou sempre onde andaram os pés do actual primeiro-ministro –, mas também como metonímia de político medíocre, sem chama nem garra, sem uma ideia nem plano, que passeia a sua nulidade num país político sem glória nem honra.

    Os Medinas – que encontram, no actual Governo a sua máxima plenitude – vivem com e da manipulação, da mentira e da sem-vergonhice, mas confiantes da ilimitada capacidade dos portugueses – dos que aqui estão, não dos que partem – em suportar todas as suas diatribes.

    Os Medinas, e sobretudo o seu máximo representante, o Fernando, já esteve envolvido nas mais díspares polémicas, a começar com o caso das denúncias de activistas à embaixada russa, antes da Rússia ser um pária para o mundo lusitano, quando ele era o alcaide alfacinha. Este ano, já perdi a conta aos casos e aos casinhos deste Governo, quase sempre tendo o Fernando envolvido, mas sempre conseguindo ele, com o beneplácito de todos, incluindo do seu eterno chefe Costa, manter-se como um sempre-em-pé.

    Hoje, Medina, o Fernando, e todos os outros Medinas do Governo espetaram mais um prego no caixão da nossa já podre democracia.

    Dias sem fim, andou o Governo a garantir a existência de um parecer jurídico defendendo justa causa para o despedimento da ex-CEO da TAP, Christine Ourmières-Widener. Para salvar o coiro, o Governo não se importou de imolar uma estrangeira e uma mulher num circo mediático.

    A seguir, o Governo fez aquilo que melhor sabe fazer, e que durante a pandemia melhor desenvolveu: manipulou, mentiu e escondeu, não exactamente por esta ordem, até porque age de acordo com as circunstâncias. E confia numa comunicação social dócil.

    Ainda ontem, através de uma nota enviada à agência Lusa – que, nos últimos anos, parece funcionar como uma espécie de Pravda do Governo de Costa –, o gabinete da ministra-Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, sustentava que “o parecer em causa não cabe no âmbito da comissão parlamentar de inquérito” e que “a sua divulgação envolve[ria] riscos na defesa jurídica da posição do Estado”.

    E hoje, afinal, Medina, o Fernando, como ministro de um Governo podre, veio dizer que, afinal, o parecer nunca existiu. E mantém-se, consta, ele como ministro… e todos os outros.

    Enfim, temos um Governo de gente de má índole, que desonra as palavras, os actos, os portugueses. Um país onde o próprio Presidente da República permite que sejamos geridos por um Governo de aldrabões. Um Governo que nos envergonha. Um Governo que só nos ajuda a ser piores. Cá dentro.

    E queres tu, Tiago Franco, regressar da Suécia e veres regressar os nossos compatriotas? Para isto? Para esta “merdina”?

  • P1 PODCAST e a sustentabilidade financeira do Página Um

    P1 PODCAST e a sustentabilidade financeira do Página Um


    Nascido em Dezembro de 2021, o PÁGINA UM é manifestamente um jornal diferente. Assumidamente independente, sem publicidade e sem parcerias comerciais nem mecenas. Sem reverências. Sem concessões. Fazemos aquilo que os outros não fazem ou não querem fazer, mesmo com parcos meios humanos e financeiros – a independência absoluta tem essas desvantagens. Os processos de intimação que temos colocado nos tribunais, perante a cultura do obscurantismo que reina em Portugal, são disso exemplos paradigmáticos.

    Mas sabemos – e eu sei, pessoalmente, em particular – que este “modelo de negócios”, chamemos-lhe assim, implica limitações muito fortes, sobretudo se, como é o caso do PÁGINA UM, os donativos dos leitores são a única fonte de financiamento e, mesmo assim, o acesso às notícias é inteiramente livre. Ou seja, os leitores que nos apoiam, sustentam a produção das nossas notícias e permitem, em simultâneo, que leitores com menores posses tenham também acesso.

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    Para o PÁGINA UM conseguir fazer mais – e queremos fazer mais, de forma sustentável, sem endividamento (o nosso passivo é zero) –, temos também de diversificar as nossas plataformas ou a forma como chegamos aos nossos leitores. O design do novo site enquadra-se nessa estratégia de consolidação e contínua melhoria.

    Foi também com esta filosofia em mente que criámos no início do ano o P1 PODCAST, que, neste momento, é constituído sobretudo pelos podcasts diários da Elisabete Tavares (Caramba,ó Galamba) – que hoje chegou ao 100º episódio –, mas também pelos “debates” entre mim e o Luís Gomes (Os economistas do diabo), pela minha improvisada “crítica de imprensa” (Que nos salves, São Francisco de Sales) e pela crónica semanal do Frederico Duarte Carvalho (Histórias que eu sei).

    Produzir estes podcasts – e outros mais que temos em mente – não deve, contudo, afectar a necessária prossecução da actividade normal do PÁGINA UM, nem pode retirar, de forma contínua, financiamento à nossa actividade como jornal de investigação. Produzir tanta diversidade com tão poucos meios implicaria reduzir a qualidade.

    Por esse motivo – e embora tenha sido já anunciado previamente –, o P1 PODCAST somente tem condições para se manter se for sustentável de forma autónoma do ponto de vista financeiro. Ora, como os recursos financeiros do PÁGINA UM se têm mantido estáveis, não temos outra hipótese que não seja a aplicação de subscrições para a audição dos nossos podcasts por um período máximo de 10 dias.

    black and silver microphone with white background

    Ou seja, significa que, a partir de hoje, apenas os subscritores (através de um pagamento mensal de 5,99 euros) terão acesso, durante os primeiros 10 dias de cada emissão, aos podcasts que formos produzindo. Findos esses 10 dias, para cada emissão, o acesso passa a ser livre.

    Sabemos que para alguns dos nossos leitores – sobretudo os que nos apoiam com maior regularidade –, o pedido de apoio suplementar em troca de acesso aos conteúdos do P1 PODCAST no período inicial de 10 dias será profundamente injusta, até porque muitos deles apoiam com valores bem superiores. Contudo, por razões logísticas e operacionais, não se mostra possível fornecer senhas de acesso aos apoiantes regulares, uma vez que o sistema de subscrições é gerido por uma entidade externa ao PÁGINA UM (e.g., Spotify). Com outros meios, porventura teremos oportunidade de implementar um sistema de gestão que controlemos directamente.

    Temos consciência que esta é também uma experiência que fazemos, um teste à nossa credibilidade – mas também uma forma de mantermos o espírito e a filosofia do PÁGINA UM como jornal, que é o nosso core business: manter a linha editorial independente, sem publicidade e sem parcerias comerciais, e de acesso livre. Mas isso não significa que seja um jornal de custo zero; significa sim que o jornalismo independente depende mesmo dos leitores. E dos ouvintes para o P1 PODCAST.

    Por isso, se concluirmos, em breve, que o P1 PODCAST não é um projecto sustentável, e que “canibaliza” os recursos do PÁGINA UM, não hesitaremos em dar um passo atrás para nos dedicarmos em exlusivo apenas no jornal digital. É nele que apostamos as “nossas fichas”.


    Para aceder aos conteúdos do P1 PODCAST (apoio mensal de 5,99 euros) em exclusivo durante os primeiros 10 dias de cada emissão, clique AQUI.

  • O PÁGINA UM 2.0: novo design, uma renovada prova de sucesso dos nossos leitores

    O PÁGINA UM 2.0: novo design, uma renovada prova de sucesso dos nossos leitores


    O PÁGINA UM, sempre em continuidade desde Dezembro de 2021, renasce hoje com um novo design, mais moderno, num estilo mais próximo de um jornal digital.

    Este é um esforço que, em primeira linha, se deve à colaboração do José Maria Gonçalves Pereira e do António Almeida – que, no seu caso, nos tem acompanhado desde os primórdios.

    Com este modelo do site do PÁGINA UM confirma-se a magia do projecto, e também a nossa quimera, que afinal se tem alcançado no quotidiano, ao longo dos últimos 16 meses: é possível a criação de um projecto editorial de acesso livre, que se afirma pela acutilância e irreverência, sem quaisquer reverências, e que conjuga dois (bons) géneros de pessoas: o primeiro grupo, aquelas que vêem o PÁGINA UM como um modelo de jornal absolutamente independente – que deve ser acarinhado e apoiado financeiramente através de donativos, tanto mais que o modelo de negócio (em contraponto com a mercantilização do jornalismo na imprensa mainstream) não inclui anúncios nem parcerias comerciais; e o segundo grupo, aquelas pessoas que colaboram, pro bono ou a troco de pequenas compensações, em tarefas que colocam o jornal como uma referência na imprensa portuguesa.

    silhouette of person

    Não falo numa referência em termos de dimensão e de desafogo financeiro (mesmo se o desafogo financeiro na imprensa mainstream se faz, em muitos casos, à custa de passivos estratosféricos, que colocam sempre em causa a independência), mas de prática e de princípios deontológicos, mostrando aos leitores aquilo que deve ser o jornalismo.

    Sabemos que, perante uma redacção minúscula, dificilmente conseguiremos uma abordagem temática similar à da imprensa mainstream, mas temos dado cartas – e mais haverá – sobre como deve (e tem de) ser o comportamento do jornalismo perante os poderes económicos e políticos. Além das investigações que temos apresentado, os processos de intimação que temos colocado no Tribunal Administrativo de Lisboa para a obtenção de informação pública, com a extraordinária coragem do nosso advogado Rui Amores, são exemplos paradigmáticos. Não que estejamos a fazer muito; os outros é que, nesta matéria, nada fazem. E deviam fazer.

    Em todo o caso, o novo design do PÁGINA UM mostra sobretudo a nossa vitalidade, e é o corolário do sucesso que nos foi concedido e confiado pelos leitores que nos apoiam. É mais do que prova de sobrevivência; é uma prova de vitalidade: para fazermos esta aposta num novo design é porque estamos cientes e conscientes de que o projecto editorial, mesmo nos moldes actuais, apresenta potencial para crescer, para obter financiamentos para crescer mesmo se somente através dos donativos dos leitores. E isso consegue-se também se, em paralelo, mantivermos ou até crescermos em quantidade informativa com a qualidade de sempre.

    asphalt road between trees

    E este novo design mostra também a vitalidade e interesse dos nossos colunistas habituais, que já ocupam as nossas páginas diariamente. Assim, os artigos de opinião e as crónicas do Tiago Franco, Clara Pinto Correia, Frederico Duarte Carvalho, Mariana Santos Martins, Vítor Ilharco e Diogo Cabrita passam a ter uma maior visibilidade logo na página principal do site.

    Por outro lado, com este novo design fica mais clara a nossa aposta na Cultura, existindo a possibilidade de se produzir mais temáticas nesta secção – para além dos ensaios (que serão retomados em breve) de Carlos Jorge Figueiredo Jorge, ou da crítica de cinema e de séries televisivas do Bernardo Almeida –, para além das recensões habituais, sobretudo a cargo da Ana Luísa Pereira, Maria Carneiro e Paulo Moreiras (e também das minhas e dos outros colaboradores do PÁGINA UM).

    Esta segunda fase da vida do PÁGINA UM também contará com um pequeno reforço de meios humanos. A Maria Afonso Peixoto passará, nos próximos tempos, a ter uma presença mais assídua, bem como a Elisabete Tavares, que se tem vindo a destacar, neste momento, na criação de podcasts de análise ao quotidiano. Haverá, muito em breve, novidades sobre o P1 PODCAST, que constitui um projecto paralelo do PÁGINA UM, com recursos autónomos, mas também sem publicidade nem parcerias comerciais.

    aerial view of people walking on raod

    Já agora, por falar na Elisabete Tavares, é da sua safra a intimista entrevista que hoje publicamos, em manchete, com a psicóloga Laura Sanches, que merece ser lida (e reflectida) para compreendermos os perigos que ainda pairam sobre a nossa democracia e vida pós-pandemia. E sobre as novas gerações.

    Convém, aliás, referir que as entrevistas serão uma das nossas apostas nos próximos tempos, procurando ouvir sobretudo quem julgamos que deve ser ouvido. E que queira expor-nos os seus pontos de vista sem contemplações.

    Por fim, um agradecimento especial a todos aqueles que nos têm acompanhado e sobretudo apoiado desde os primórdios desta aventura do PÁGINA UM, em Outubro de 2021, quando a semente nasceu. Se hoje estamos aqui, a fazer um jornalismo incómodo – um pleonasmo que, por esquecido, convém aqui usar –, deve-se aos nossos leitores, aqueles que nos apoiam mesmo sabendo que não precisariam de apoiar para nos lerem – mas que sabem bem que a informação, mesmo gratuita, tem um valor. E nos tempos que correm parece tão rara que deve ser cuidada e mantida.