Propaganda, enxovalho e mentiras

Statue of Liberty in New York City under blue and white skies

Nas últimas décadas, temos sido alvo de propaganda, enxovalhos e mentiras sem fim. O Estado dita uma narrativa e, mais tarde, dá-se o milagre da iluminação: percebemos que tudo era uma mentira, uma ilusão bem montada. Mas, nessa altura, o mal já está feito e os criminosos que gerem o aparelho estatal lograram o seu objectivo: roubar-nos as liberdades; assaltar-nos sem complacência, seja por impostos, dívida pública ou inflação; e vigiar-nos em permanência. Cada passo, cada cêntimo, cada palavra.

George Orwell, quando publicou 1984 em 1949, não estava a escrever ficção; estava a antecipar o nosso futuro. Novilíngua, reescrita da história, verdade que se torna mentira e vice-versa, guerra que é paz e vice-versa…um esboço da actual realidade.

Como não podia deixar de ser, a nossa pequena república bananeira também não perdeu tempo em adoptar o manual do Grande Irmão. No final do século transacto, em todas as eleições, ouvíamos invariavelmente o refrão: “se todos pagarmos a nossa parte, todos iremos pagar menos”. Uma autêntica obra-prima da aldrabice. Os gatunos estatais tentavam convencer-nos de que era moral e correcto sermos assaltados sem resistência.

1984 Is Now Prolos bottle on brown surface
Foto: D.R.

O riso, porém, acabou depressa, pois assim que montaram a máquina afinada, conhecida por Autoridade Tributária, o assalto tornou-se total e sem falhas. Cada cêntimo monitorizado, cada rendilhado de evasão cortado. Hoje, já não há margem para escapatória, pois qualquer erro é punido sem complacência, qualquer tentativa de conservar o que é nosso é vista como um crime hediondo. No fim, o que sobra? A sensação de que vivemos num regime em que somos escravos que devem ser confiscados pelo privilégio de existirem.

A novilíngua continuou a refinar-se com expressões como “despesa fiscal” – ou seja, se o Estado nos rouba um pouco menos, considera isso uma perda para si, não um alívio para a vítima. Já não se trata de permitir que os cidadãos fiquem com o que é seu; trata-se de um conceito onde tudo pertence ao Estado por direito e o que nos deixam conservar é visto como uma concessão, uma dádiva!

O que dizer dos “meus descontos” para a Segurança Social? Como se houvesse algum porquinho a guardar o nosso dinheiro até à reforma. Nada disso: é apenas mais um imposto para alimentar vitórias eleitorais dos criminosos que dominam o Estado há mais de 50 anos, onde os votos dos reformados são comprados com o dinheiro extorquido aos activos. Se um trabalhador morre antes da reforma, os seus herdeiros podem ir buscar o dinheiro? A resposta é óbvia: um rotundo não. O sistema foi desenhado para que o assaltado nunca tenha qualquer retorno real. O roubo é organizado, planeado, metodológico. Nada é deixado ao acaso.

wooden mannequin, wooden, mannequin, puppet, handling, pressure, problems, marionette, toy, model, gray model, puppet, puppet, puppet, puppet, puppet, pressure, marionette, marionette, marionette
Foto: D.R.

No plano internacional, vivemos de farsa em farsa. Primeiro, foi a “guerra ao terror”, cujo verdadeiro objectivo foi colocar os bancos a vigiar-nos sob o pretexto da “prevenção do branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo”. Com esta desculpa, hoje, cada transacção, cada transferência, cada levantamento de numerário é um acto suspeito.

Os bancos, outrora instituições privadas que serviam os seus clientes, passaram a braço armado do Estado, denunciando e rastreando cada cêntimo. Reparem: qualquer país pode ser atirado para uma lista negra, ser declarado pária, ser bloqueado financeiramente porque não segue a cartilha ditada por um grupo de burocratas sem rosto.

Seguidamente, veio o vírus invisível, um verdadeiro teste de obediência em massa. Prisões domiciliárias mascaradas de “confinamentos salvíficos”, fraldas faciais transformadas em amuletos de submissão, substâncias experimentais perigosas injectadas sob coacção. A máquina propagandística funcionou na perfeição: o medo como ferramenta de dominação.

Imagem do filme ‘They Live‘, de John Carpenter.

Depois da gripe com outro nome, veio a narrativa da bandeirinha azul e amarela, que agora se desmorona diante dos nossos olhos. Disseram-nos que a Ucrânia era a vítima, mas esqueceram-se de mencionar vários factos: que os EUA prometeram não expandir a NATO para leste e que quebraram essa promessa. A expansão foi implacável, sempre empurrando as fronteiras da aliança militar para as portas da Rússia, como se fosse um jogo de provocação deliberado. Mas a propaganda ocidental finge que este contexto nunca existiu.

Nem nos explicaram que houve um golpe de Estado na Ucrânia em 2014, patrocinado pelos Estados Unidos, que derrubou um presidente democraticamente eleito. A substituição foi cirúrgica, colocando no poder elementos leais ao Ocidente, prontos para executar a agenda imposta.

O regime que saiu desse golpe praticou atrocidades, como o massacre de Odessa, onde dezenas de manifestantes russófonos foram queimados vivos num edifício; um crime horrendo que foi rapidamente varrido para debaixo do tapete mediático.

selective focus photography of Pinocchio puppet
Foto: D.R.

O que dizer dos acordos de Minsk I e II, que foram apresentados como tentativas de paz, mas serviram apenas para a Ucrânia armar-se até aos dentes, enganando a Rússia e preparando a Ucrânia para um conflito inevitável. Até ao início da guerra em 2022, o regime de Kiev bombardeou civis no Donbass, provocando um sofrimento incalculável, mas os olhos ocidentais estavam convenientemente fechados para esta realidade.

O cúmulo da hipocrisia chegou depois do início da guerra em Fevereiro de 2022, quando um acordo de paz foi alcançado no mês seguinte em Istambul, garantindo a neutralidade da Ucrânia e o reconhecimento do seu território. Foi imediatamente sabotado pelos parasitas do Ocidente.

Estamos agora a conhecer a realidade sobre o ex-comediante transformado em suposto Churchill do Ocidente. Zelensky ilegalizou partidos de oposição em Março de 2022, sob pretexto da lei marcial, eliminando qualquer resquício de democracia.

black barbwire in close up photography during daytime

Mandou encerrar três canais de televisão em 2021, acusando-os de serem apoiantes russos, silenciando qualquer voz dissidente. Recrutou à força jovens para a guerra, proibindo homens entre 18 e 60 anos de saírem do país, transformando-os em carne para canhão num conflito inútil.

Está ligado ao oligarca Kolomoisky, suspeito de transferir milhões para os seus bolsos, demonstrando que a corrupção continua a ser o verdadeiro pilar do regime ucraniano. Fechou a Igreja Ortodoxa Russa no país para cortar laços culturais com Moscovo, num acto de perseguição religiosa e política.

Gonzalo Lira, um escritor e cineasta norte-americano, que residia em Kharkiv, Ucrânia, durante a invasão russa de 2022, conhecido pelas suas críticas ao governo de Volodymyr Zelensky e por divulgar informações pró-Rússia, foi detido pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) em Abril de 2022, sendo posteriormente libertado.

money, cash, currency, dollar, bank note, money, money, dollar, dollar, dollar, dollar, dollar
Foto: D.R.

Em Maio de 2023, foi novamente preso sob acusações de justificar a invasão russa, permanecendo sob custódia até à sua morte em 12 de Janeiro de 2024, oficialmente atribuída a “pneumonia”. Contudo, relatos indicam que Lira terá sido vítima de tortura e negligência médica durante a sua detenção, levantando sérias questões sobre as práticas do SBU e o tratamento de detidos políticos do regime liderado por Zelensky. Mais uma morte incómoda que será convenientemente esquecida.

Mas espantam-se quando lhe chamam ditador! O homem recusa-se a realizar eleições, mas os nossos iluminados da União Europeia continuam a suspirar pela continuação da guerra, talvez porque os seus bolsos são recheados com o sangue que escorre nos campos de batalha da Ucrânia.

Porque há uma coisa que nunca falha: sempre que um grande esquema de propaganda cai por terra, já têm outro a ser cozinhado. A pergunta é: por que carga de água continuamos a cair neles? Será que a nossa capacidade de discernimento foi completamente obliterada pelo bombardeamento incessante da mentira? Ou será que, no fundo, muitos preferem a ilusão confortável à dura verdade?

Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário


N.D. Os textos de opinião expressam apenas as posições dos seus autores, e podem até estar, em alguns casos, nos antípodas das análises, pensamentos e avaliações do director do PÁGINA UM.