Autor: Redacção PÁGINA UM

  • Biblioteca do PÁGINA UM:  Livros para lá das aparências

    Biblioteca do PÁGINA UM: Livros para lá das aparências

    A Biblioteca do PÁGINA UM recebeu, na última quinzena, seis novos livros que percorrem épocas, geografias e experiências muito distintas. Da França do século XVII à China dividida entre tradição e modernidade, das vivências juvenis trans e não binárias à violência que atravessa gerações, estas novas entradas passam ainda pelo testemunho autobiográfico e pela análise dos mecanismos da manipulação psicológica.

    Arturo Pérez-Reverte, Pearl S. Buck, João Teixeira Lopes, Susana Amaro Velho, Marisa Revez Mendes e Emma Kavanagh chegam às nossas estantes através da ficção histórica, do romance, da sociologia, do testemunho e da psicologia. Se os caminhos são diferentes, há entre estes livros uma pergunta que reaparece sob muitas formas: o que acontece quando aquilo que julgávamos seguro — uma época, uma tradição, uma família, uma relação ou até a percepção que temos de nós próprios — deixa de o ser?

    Missão em Paris

    Missão em Paris, de Arturo Pérez-Reverte, reencontra Íñigo Balboa e o capitão Alatriste quase um ano depois da missão que os levou a Veneza. Desta vez, o cenário é a França do século XVII, onde os huguenotes de La Rochelle, apoiados pelos Ingleses, resistem ao cerco das forças comandadas pelo cardeal Richelieu. Envolvidos numa missão secreta concebida pelo conde-duque de Olivares, Alatriste e os seus companheiros entram num jogo político e militar cujo desfecho poderá interferir no próprio curso da História.

    Arturo Pérez-Reverte nasceu em Cartagena, Espanha, em 1951, e trabalhou durante 21 anos como repórter, acompanhando numerosos conflitos armados. Autor de uma vasta obra traduzida internacionalmente, viu vários dos seus romances adaptados ao cinema e à televisão. Foi distinguido, em 2017, com o Prix Littéraire Jacques Audiberti e é membro da Real Academia Espanhola.

    Publicado pela ASA, Missão em Paris chega à biblioteca do PÁGINA UM como uma nova aventura do capitão Alatriste, onde personagens ficcionais e figuras históricas se cruzam num cenário de conspiração, guerra e disputa pelo poder na Europa do século XVII.

    Vento do Oriente, Vento do Ocidente

    Publicado originalmente em 1930, Vento do Oriente, Vento do Ocidente foi o romance de estreia de Pearl S. Buck. Kwei-lan, uma jovem chinesa educada segundo os valores tradicionais, prepara-se para um casamento combinado antes do seu nascimento, mas encontra no marido, formado no estrangeiro, ideias e comportamentos que desafiam tudo aquilo que aprendeu. O confronto entre os costumes do Oriente e as influências do Ocidente obriga-a a reconsiderar certezas sobre a família, o casamento, a identidade e o lugar da mulher num mundo em transformação.

    Pearl S. Buck nasceu em 1892, nos Estados Unidos, mas cresceu na China, filha de missionários presbiterianos, aprendendo desde a infância chinês e inglês. Mestre em Literatura pela Universidade de Cornell, ensinou Literatura Inglesa em universidades chinesas antes de se estabelecer definitivamente nos Estados Unidos. Autora de Terra Abençoada, distinguido com o Prémio Pulitzer em 1932, tornou-se, em 1938, a primeira mulher norte-americana a receber o Prémio Nobel da Literatura. Desenvolveu também uma extensa actividade ligada a causas humanitárias.

    Publicado pela Dom Quixote, Vento do Oriente, Vento do Ocidente chega à biblioteca do PÁGINA UM como o romance que inaugurou a obra de Pearl S. Buck e como um retrato do encontro, nem sempre pacífico, entre tradição e mudança na China do início do século XX.

    Elus – Percursos Juvenis Trans e Não Binários

    Em Elus — Percursos Juvenis Trans e Não Binários, João Teixeira Lopes analisa experiências de jovens trans e não binários a partir de uma perspectiva sociológica, relacionando os percursos de género com as condições materiais de vida, as desigualdades sociais e as relações de poder. Através de histórias de vida e de análise sociológica, o livro acompanha experiências que atravessam a infância, a socialização, a família, a escola, as amizades, os activismos e as instituições, recusando reduzir estes percursos exclusivamente ao momento da transição.

    João Teixeira Lopes é sociólogo e professor catedrático no Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde coordena o Instituto de Sociologia. Autor ou coautor de cerca de três dezenas de livros e de mais de uma centena de capítulos e artigos, tem desenvolvido investigação em áreas como a cultura, a educação, a emigração e as desigualdades sociais.

    Publicado pela Tinta-da-China, Elus — Percursos Juvenis Trans e Não Binários chega à biblioteca do PÁGINA UM como um estudo sobre a diversidade dos percursos juvenis de género, observado a partir das condições sociais, materiais e relacionais em que cada experiência se constrói.

    Sou uma Multidão Minúscula

    Sou uma Multidão Minúscula, de Susana Amaro Velho, cruza dois tempos da vida de Margarida. Em 1971, ainda criança, cresce num casarão onde a aparente harmonia familiar convive com uma violência que se repete e permanece silenciada. Décadas depois, já viúva e mãe de dois filhos, uma nova situação de violência obriga-a a regressar àquilo de que procurara afastar-se. Através da mesma protagonista, o romance acompanha o modo como o abuso, o silêncio e a memória podem atravessar diferentes gerações.

    Susana Amaro Velho nasceu em Mafra, em 1986. Estudou Jornalismo e Solicitadoria e trabalha na área da comunicação. Publicou o primeiro romance em 2017 e, em 2022, tornou-se a primeira autora portuguesa a integrar a chancela Aurora, onde publicou Inquieta e viria a reeditar Bairro das Cruzes. Participou no projecto colectivo O Sono Delas e publicou Descansos em 2024. As Últimas Linhas Destas Mãos, o seu romance de estreia, foi reeditado em 2025. Sou uma Multidão Minúscula é o seu quinto romance.

    Publicado pela Casa das Letras, Sou uma Multidão Minúscula chega à biblioteca do PÁGINA UM como um romance sobre violência, memória e herança familiar, acompanhando aquilo que pode permanecer de uma geração para outra mesmo quando se procura romper com o passado.

    A Grande Travessia

    Em A Grande Travessia, Marisa Revez Mendes relata a experiência de abuso sexual sofrido na infância por parte de um familiar e as consequências que esse trauma teve nas décadas seguintes da sua vida. O silêncio, a vulnerabilidade emocional, as relações abusivas e a violência doméstica integram um percurso que a autora revisita a partir da decisão de quebrar esse ciclo. O livro assume-se simultaneamente como testemunho pessoal e reflexão sobre os vínculos que podem levar alguém a permanecer em relações destrutivas.

    Marisa Revez Mendes nasceu em Lisboa e trabalha na área do desenvolvimento pessoal, acompanhando individualmente e em grupo questões relacionadas com padrões relacionais, dinâmicas abusivas e processos de reorganização pessoal. Fundou há mais de uma década o projecto Be Brave, no âmbito do qual tem trabalhado também com adultos que viveram situações de abuso e violência em contextos familiares, relacionais e profissionais. A Grande Travessia é o seu primeiro livro.

    Publicado pela Oficina do Livro, A Grande Travessia chega à biblioteca do PÁGINA UM como um testemunho autobiográfico sobre abuso, trauma e violência, mas também sobre a tentativa de compreender o passado e interromper os ciclos que dele nasceram.

    O Rasto do Psicopata

    Em O Rasto do Psicopata, Emma Kavanagh afasta-se da imagem do psicopata associada à ficção criminal para se concentrar na forma como determinados traços de personalidade se manifestam nas relações quotidianas. A partir da sua experiência na área da psicologia, aborda mecanismos de manipulação, os seus efeitos sobre a percepção e a autoconfiança e alguns dos sinais que podem permitir reconhecer relações potencialmente prejudiciais.

    Emma Kavanagh nasceu em 1978, no País de Gales, e é doutorada em Psicologia pela Universidade de Cardiff. Especializou-se no estudo do comportamento humano e do desempenho em situações de stress extremo e ameaça psicológica. Na não-ficção, publicou How to Be Broken, seguindo-se O Rasto do Psicopata. É também autora de vários thrillers psicológicos, entre os quais Falling, Hidden, The Missing Hours e To Catch a Killer.

    Publicado pela Casa das Letras, O Rasto do Psicopata chega à biblioteca do PÁGINA UM como uma obra de divulgação sobre manipulação psicológica e os efeitos que determinadas relações podem produzir na forma como pensamos, avaliamos a realidade e nos relacionamos connosco próprios.

  • Agenda cultural: 14 a 27 de Setembro

    Agenda cultural: 14 a 27 de Setembro

    De Norte a Sul e nas ilhas, a quinzena traz concertos, teatro, dança, cinema, exposições, festivais, livros e património. O PÁGINA UM selecciona algumas das propostas mais relevantes para ver, ouvir e descobrir entre 14 e 27 de Setembro.

    Na música, passam por Portugal nomes como Ronnie Wood, Billy Corgan, Sigur Rós e Marisa Monte, enquanto Pedro Burmester, Gisela João, Ricardo Ribeiro e várias orquestras ocupam salas em diferentes cidades. A programação cruza grandes concertos, recitais, fado, jazz, música sinfónica e projectos de câmara.

    Nos palcos, a quinzena distribui-se por teatro, dança e performance, com novas criações, estreias nacionais e propostas que vão de Strindberg a Tiago Rodrigues. Entre os destaques surge ainda a adaptação de Os Maias pela Companhia Nacional de Bailado, apresentada em Ponta Delgada.

    No cinema e nas artes visuais, há uma retrospectiva integral de Michael Haneke no Porto, o Queer Lisboa e a Contextile, em Guimarães, com Ai Weiwei entre os artistas convidados. Exposições, fotografia, apresentações de livros, encontros literários e programação em museus e bibliotecas alargam o roteiro cultural da quinzena.

    Festivais, feiras medievais, Jornadas Europeias do Património, festas tradicionais, visitas guiadas, ciência e propostas para crianças e famílias completam esta selecção do PÁGINA UM. Um guia para escolher, ao longo de duas semanas, o que ver, ouvir, visitar e descobrir pelo país.

    🎵 MÚSICA

    Ronnie Wood and His Band feat. Imelda May

    Lisboa
    14 de Setembro, 21h00 — Coliseu dos Recreios

    O guitarrista dos Rolling Stones apresenta-se com a sua banda num concerto que conta com Imelda May. Abertura de portas às 20h00.

    A Night of Mellon Collie and Infinite Sadness — Billy Corgan

    Lisboa
    15 de Setembro, 21h00 — Coliseu dos Recreios

    Billy Corgan revisita Mellon Collie and the Infinite Sadness numa versão orquestral, acompanhado pela Orquestra Sinfonietta de Lisboa. O espectáculo encontra-se anunciado como esgotado.

    Mais informações: Coliseu dos Recreios

    Metropolis — cine-concerto do Remix Ensemble

    Porto
    15 de Setembro, 19h30 — Casa da Música, Sala Suggia

    O clássico de Fritz Lang, realizado em 1926 e situado precisamente em 2026, é projectado com interpretação ao vivo do Remix Ensemble da partitura de Martin Matalon. Bilhetes entre 26 e 30 euros.

    Mais informações: Casa da Música

    Isa de Castro

    Porto
    15 de Setembro, 19h30 — Casa da Música, Sala 2

    Concerto integrado em “Geração Casa — Novos Valores do Fado”, com uma intérprete que cruza a matriz tradicional do fado com uma linguagem contemporânea. Bilhete: 12 euros.

    Quinteto de Sopros “Solistas” — Orquestra Clássica da Madeira

    Funchal
    16 de Setembro, 21h00 — Hotel Savoy Palace

    Concerto de música de câmara do quinteto de sopros da Orquestra Clássica da Madeira, integrado na temporada artística da formação madeirense.

    Sigur Rós — The Orchestral Tour

    Lisboa
    17 de Setembro, 21h00 — Sagres Campo Pequeno

    A banda islandesa apresenta-se com a Orquestra Sinfonietta de Lisboa e o Coro Ricercare. Abertura de portas às 20h00.

    Phonica — Marisa Monte & Orquestra ao vivo

    Lisboa
    18 de Setembro, 21h00 — MEO Arena

    Marisa Monte, a sua banda e uma orquestra sinfónica dirigida por André Bachur reinterpretam canções da carreira da artista e temas ligados aos Tribalistas em novos arranjos.

    Mais informações: Visit Portugal

    Viagem a Itália

    Porto
    18 de Setembro, 21h00 — Casa da Música, Sala Suggia

    A Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, dirigida por Stefan Blunier e com Mateusz Stasto na viola, interpreta Harold en Italie, de Berlioz, e a Sinfonia em Ré menor de César Franck. Bilhetes entre 26 e 30 euros.

    A Arte do Trio

    Lisboa
    18 e 19 de Setembro — São Luiz Teatro Municipal

    João Paulo Esteves da Silva junta-se a Thomas Morgan e Jorge Rossy num encontro entre composição, jazz e improvisação.

    Orquestra de Cordas Madeira Camerata | Ensemble XXI

    Funchal
    19 de Setembro, 18h30 — Capela da Fundação Princesa D. Maria Amélia

    Concerto da Orquestra Clássica da Madeira com a formação de cordas Madeira Camerata.

    Phonica — Marisa Monte & Orquestra ao vivo

    Porto
    20 de Setembro, 21h30 — Super Bock Arena

    Segunda passagem portuguesa do espectáculo sinfónico de Marisa Monte, acompanhada pela sua banda e por orquestra dirigida por André Bachur. Bilhetes entre 45 e 80 euros.

    Mais informações: Super Bock Arena

    Norberto Lobo

    Porto
    25 de Setembro, 22h30 — Rivoli, Subpalco

    Concerto a solo do guitarrista português, integrado no ciclo Understage do Teatro Municipal do Porto.

    Chopin & Janáček — Pedro Burmester

    Évora
    25 de Setembro, 21h30 — Teatro Garcia de Resende

    Recital de Pedro Burmester em torno de Chopin e do ciclo Nas Brumas, de Leoš Janáček. Bilhetes entre 4 e 8 euros.

    Mais informações: Câmara Municipal de Évora

    Gisela João — Inquieta

    Braga
    26 de Setembro, 21h30 — Theatro Circo

    Gisela João apresenta o álbum e espectáculo Inquieta, com interpretações de José Afonso, José Mário Branco, Fernando Lopes-Graça e outros autores. Bilhete: 25 euros.

    Ricardo Ribeiro — A Alma Só Está Bem Onde Não Cabe

    Olhão
    26 de Setembro, 21h30 — Auditório Municipal Maria Barroso

    O fadista apresenta o seu novo trabalho, procurando o encontro entre a tradição do fado e outras sonoridades.

    Mais informações: Município de Olhão

    Assim falou Zaratustra

    Porto
    26 de Setembro, 18h00 — Casa da Música, Sala Suggia

    Stefan Blunier dirige a Orquestra Sinfónica do Porto num programa com Brahms, Alban Berg e Also sprach Zarathustra, de Richard Strauss. Bilhetes entre 26 e 30 euros.

    Mais informações: Casa da Música

    Myles Sanko

    Porto
    26 de Setembro, 21h00 — Casa da Música, Sala 2

    O cantor e compositor britânico apresenta uma música assente na fusão de soul, jazz e hip-hop, com influências rítmicas da África Ocidental. Bilhete: 30 euros.

    Mais informações: Casa da Música

    Virtuosi del Teatro alla Scala de Milão

    Bragança
    26 de Setembro, 21h00, e 27 de Setembro, 17h00 — Teatro Municipal de Bragança

    Estreia em Portugal da formação constituída por músicos do Teatro alla Scala e da Filarmonica della Scala, com Mario Hossen. Os dois programas cruzam As Quatro Estações, de Vivaldi, com Paganini.

    Mais informações: Bragança ClassicFest

    Solistas do Remix Ensemble — Café com Nata

    Porto
    27 de Setembro, 11h00 — Casa da Música, Sala 2

    Encontro entre Fernando Lopes-Graça e Heitor Villa-Lobos, antecedido por café e pastel de nata. Bilhete: 14 euros.

    Mais informações: Casa da Música

    Coração Ferido — Orquestra Barroca Casa da Música

    Porto
    27 de Setembro, 18h00 — Casa da Música, Sala Suggia

    Laurence Cummings dirige um programa de Vivaldi e Händel, com a soprano Marie Lys. Bilhetes entre 22 e 26 euros.

    Mais informações: Casa da Música

    Polly Gibbons & Orquestra de Jazz do Algarve

    Loulé
    27 de Setembro, 17h00 — Cineteatro Louletano

    A cantora britânica junta-se à Orquestra de Jazz do Algarve na abertura da edição de 2026 do Algarve All Jazz. Bilhete: 12 euros.

    Mais informações: Cineteatro Louletano

    Azymuth

    Porto
    27 de Setembro, 21h00 — Casa da Música, Sala 2

    A formação brasileira leva ao Porto a sua fusão de samba, jazz-funk e música electrónica. DJ Farofa abre a noite às 20h30. Bilhetes entre 25 e 30 euros.

    Mais informações: Casa da Música

    🎭 TEATRO, DANÇA E ARTES CÉNICAS

    Lucia Joyce. Um pequeno drama em movimento

    Évora
    15 de Setembro — Teatro Garcia de Resende

    Criação de Itziar Pascual apresentada pela Karlik Danza-Teatro, integrada na programação de Setembro do Teatro Garcia de Resende.

    Mais informações: CENDREV

    O Pai

    Lisboa
    16 a 27 de Setembro — São Luiz Teatro Municipal; quarta-feira a sábado às 20h00 e domingo às 17h30

    Gonçalo Waddington encena a peça de August Strindberg sobre o conflito entre um casal em torno da educação e da paternidade da filha. Sessões com audiodescrição nos dias 25 e 27.

    Efectos Especiales

    Porto
    18 e 19 de Setembro, 19h30 — Rivoli / percurso entre a Rua de Passos Manuel e a Praça D. João I

    Criação de Luciana Acuña e Alejo Moguillansky apresentada em estreia nacional na abertura da temporada 2026/2027 do Teatro Municipal do Porto.

    A Sexual History of the Internet

    Porto
    18 de Setembro, 21h30 — Rivoli, palco do Grande Auditório

    Projecto de Mindy Seu apresentado em estreia nacional na abertura da temporada do Teatro Municipal do Porto.

    Los Devoró la Selva

    Aveiro
    18 de Setembro, 19h00 e 21h30 — Teatro Aveirense, Sala Estúdio

    Inspirada em La Vorágine, de José Eustasio Rivera, a criação cruza corpo, território, memória e a fragilidade ambiental da Amazónia. Bilhete: 5 euros.

    Off, Off — Festival Dance Dance Dance ’26

    Faro
    19 de Setembro, 21h30 — Teatro das Figuras

    Peça de dança integrada no festival Dance Dance Dance, um programa que prossegue a 23 de Setembro com Baobás e a 26 com Æffective Choreography.

    Symbiosis — Slide Bones

    Porto
    19 de Setembro, 15h00, 17h00 e 19h00 — Praça D. João I

    Três apresentações ao ar livre no programa de abertura da temporada do Teatro Municipal do Porto.

    Pouvoir — Une Tribu Collectif

    Évora
    23 e 24 de Setembro — Teatro Garcia de Resende

    Performance da companhia belga Une Tribu integrada na programação cultural de Évora.

    Mais informações: CENDREV

    Coro dos Amantes

    Loulé
    25 de Setembro, 21h00 — Cineteatro Louletano

    Peça de Tiago Rodrigues interpretada por Cláudia Gaiolas e Tónan Quito, na qual um casal relata a duas vozes uma situação de vida ou morte. Duração de 60 minutos.

    24 horas de Museu do Falso

    Viseu
    25 de Setembro, 10h30, a 26 de Setembro, 10h30 — Rua Direita

    Uma loja da Rua Direita transforma-se num museu visitável durante 24 horas sem interrupção. Entrada gratuita.

    Macacos — Clayton Nascimento

    Porto
    25 e 26 de Setembro, 19h30 — Rivoli, Pequeno Auditório

    Espectáculo de Clayton Nascimento integrado no QUILOMBO_TREMA!, centrado no racismo e no apagamento de memórias e ancestralidades negras na história brasileira.

    Rouxinol, um baile mandado para adiar o fim

    Lagos
    26 de Setembro, 21h30 — Centro Cultural de Lagos, Auditório Duval Pestana

    Criação da AL Juvenil — Companhia de Dança Contemporânea do Algarve, incluída na programação municipal de Setembro.

    Os Maias — Companhia Nacional de Bailado

    Ponta Delgada
    26 de Setembro, 21h30 — Teatro Micaelense

    Primeira adaptação coreográfica de Os Maias, de Eça de Queirós. Fernando Duarte assina coreografia e dramaturgia de um bailado em três actos.

    🎪 FESTIVAIS, FEIRAS E FESTAS

    Encontros Mágicos — 30.º Festival Internacional de Magia de Coimbra

    Coimbra
    15 a 20 de Setembro — vários locais; Galas Internacionais a 18 e 19, às 21h30, no Convento São Francisco

    A edição dos 30 anos leva magia às ruas, praças e freguesias, além das galas internacionais, aulas de magia e sessões especiais no Convento São Francisco.

    Festival Colombo

    Vila Baleira, Porto Santo
    17 a 20 de Setembro — vários espaços de Vila Baleira

    O Porto Santo recria o ambiente da época dos Descobrimentos e a passagem de Cristóvão Colombo pela ilha, com concertos, encenações e mercado de inspiração quinhentista.

    Muralhas com História

    Sortelha, Sabugal
    18 a 20 de Setembro — Aldeia Histórica de Sortelha

    A edição de 2026 recria o reinado de D. Fernando I com mercado medieval, acampamento militar, ofícios, cetraria, música, artes circenses, jogos e torneios.

    I Feira Medieval da Silveira

    Alfaiata, Torres Vedras
    18 a 20 de Setembro — Pinhal dos Casalinhos de Alfaiata

    Três dias de recriação histórica, música, espectáculos de fogo, animação de rua e actividades para famílias, no centenário da freguesia da Silveira. Entrada livre.

    Expo São Mateus e Festas do Senhor Jesus da Piedade

    Elvas
    18 a 27 de Setembro — Praça da Feira e zona da Piedade

    A romaria de São Mateus cruza celebração religiosa, exposição, gastronomia, espectáculos e espaços de lazer ao longo de dez dias.

    Circular — Festival de Artes Performativas

    Vila do Conde
    19 a 26 de Setembro — vários espaços

    A 22.ª edição cruza dança, teatro, performance, música e artes visuais, com trabalhos de Cecilia Bengolea, Tânia Carvalho, Volmir Cordeiro e outros criadores.

    11.º Contanário — Festival Internacional de Contos e Formas de Contar

    Évora
    23 a 27 de Setembro — vários locais da cidade

    Marionetas, teatro, narração oral, música, apresentações de livros e encontros com contadores, escritores e ilustradores compõem a edição de 2026.

    Mais informações: Câmara Municipal de Évora

    Bienal Artes & Ofícios | Novo Design

    Oeiras
    24 a 27 de Setembro — Mercado Municipal e Centro Histórico

    Cerca de 50 expositores de cerâmica, vidro, metal, joalharia, madeira, cestaria, fibras naturais, têxteis e couro juntam-se a oficinas, conversas e visitas. A mostra expositiva tem entrada gratuita.

    Feira Medieval de Palmela

    Palmela
    25 a 27 de Setembro — Castelo e Centro Histórico

    A edição de 2026 decorre em torno de “Palmela, D. Afonso IV e a Ordem de Santiago (1340-1348)”, com ambiente de feira, música, jogos e recriação histórica. Sexta-feira das 17h00 às 00h00, sábado das 14h00 às 00h00 e domingo das 14h00 às 23h00.

    📚 LITERATURA

    Festa do Livro em Belém

    Lisboa
    17 a 20 de Setembro — Palácio Nacional de Belém

    Quatro dias de livros, debates, apresentações, sessões de autógrafos, jogos e concertos. Abre no dia 17 das 16h00 às 21h30 e, nos restantes dias, das 11h00 às 21h30. Entrada livre.

    A Livraria — Festa do Livro de Oeiras

    Oeiras
    18 a 27 de Setembro — Templo da Poesia, Parque dos Poetas

    Mais de duas dezenas de livrarias independentes participam numa edição dedicada aos anos 90, com conversas, música e poesia. Entre os convidados anunciados encontram-se Miguel Esteves Cardoso, Mia Couto, Zélia Duncan, Pedro Paixão e Carla Madeira. Entrada livre.

    Clube de Leitura Sénior de Leiria

    Leiria
    17 de Setembro, 14h00 — Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira

    Sessão do clube de leitura sénior da Biblioteca Municipal, integrada na programação regular dedicada à leitura e ao encontro entre leitores.

    Academia Prometeu — Comunidade de Leitores

    Leiria
    18 de Setembro, 17h30 — Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira

    Encontro da comunidade de leitores promovida pela Biblioteca Municipal de Leiria.

    Leiria Convida — Carla Pais

    Leiria
    19 de Setembro, 17h00 — Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira

    Nova sessão do ciclo “Leiria Convida”, desta vez com Carla Pais.

    Sociedade das Raposas — Clube de Leitura para Jovens

    Leiria
    23 e 25 de Setembro, 17h30 — Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira

    Duas sessões do clube de leitura dirigido aos leitores mais jovens.

    📖 LANÇAMENTOS E APRESENTAÇÕES DE LIVROS

    A música como modo de ser no mundo — homenagem a Maria Teresa de Macedo

    Porto
    14 de Setembro, 18h30 — Casa da Música, Cibermúsica

    O livro é lançado no dia em que Maria Teresa de Macedo completa 100 anos e reúne memórias, reflexões, fotografias, testemunhos, cartas e excertos de partituras. Entrada livre.

    Mais informações: Casa da Música

    4+1: os Beatles e George Martin

    Arouca
    19 de Setembro, 17h00 — Biblioteca Municipal de Arouca

    Apresentação do livro de Paulo César Gonçalves, com ilustrações de Luísa Portugal, sobre a relação criativa entre os Beatles e George Martin. Entrada livre.

    O Futuro do Algarve — Jack Soifer

    Lagos
    25 de Setembro, 18h30 — Auditório dos Paços do Concelho Séc. XXI

    Sessão de apresentação de livros de Jack Soifer, incluindo O Futuro do Algarve, integrada na programação municipal.

    O Livro que se deixou ler — Helena Vieira

    Lagos
    26 de Setembro, 10h30 — Biblioteca Municipal de Lagos

    Apresentação do livro de Helena Vieira na Biblioteca Municipal.

    🎨 ARTES PLÁSTICAS, FOTOGRAFIA E EXPOSIÇÕES

    Contextile 2026 — “Por um Fio”

    Guimarães
    Patente de 5 de Setembro a 29 de Novembro — vários espaços da cidade

    A Bienal de Arte Têxtil Contemporânea reúne exposições, intervenções, performances e residências. A exposição internacional apresenta trabalhos de 50 artistas e Ai Weiwei participa como artista convidado com obras inéditas.

    Mais informações: Agenda Cultural de Guimarães

    O muro, o espaço e nós — Barbara Eitel

    Coimbra
    Patente até 6 de Dezembro — Galeria Almedina, Museu Municipal

    Selecção de trabalhos que explora a relação entre desenho, espaço e arquitectura. Entrada livre.

    Open Ateliers Olhão

    Olhão
    18 a 20 de Setembro — ateliers e espaços no centro da cidade

    Sessenta e oito artistas residentes e 21 estudantes participam na edição de 2026, que abrange pintura, instalação, fotografia, escultura, desenho, cerâmica, ilustração, arte urbana e arquitectura.

    Cidade Memória — Lorena M. Costa

    Lagos
    18 de Setembro a 31 de Outubro — Biblioteca Municipal

    Exposição de Lorena M. Costa integrada na programação cultural municipal de Lagos.

    Ao encontro do olhar | Hélène de Beauvoir

    Lisboa
    21 de Setembro a 31 de Outubro, 9h00–20h00 — Colégio Almada Negreiros; inauguração dia 21 às 18h00

    Cerca de 30 reproduções de pinturas e aguarelas mostram a obra realizada pela artista francesa durante o período em que viveu em Portugal, entre 1941 e 1945.

    O Silêncio de Hefesto

    Ribeira Grande, São Miguel
    Patente até 1 de Novembro — Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas

    Obras da Colecção de Arte Contemporânea do Estado tomam a erupção dos Capelinhos como ponto de partida para pensar o território açoriano, a catástrofe, a memória e o silêncio.

    Sete Retratos e Outras Obras em Forma de Enlace — Vieira da Silva e Arpad Szenes

    Ribeira Grande, São Miguel
    Patente até 8 de Novembro — Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas

    A exposição reúne trabalhos de Vieira da Silva e Arpad Szenes e integra a programação expositiva do centro açoriano.

    Olhos Múltiplos

    Lisboa
    Patente até 25 de Outubro — MAC/CCB

    Exposição de Patricia Domínguez, Ines Doujak e Lubaina Himid. No dia 20 de Setembro, às 11h00, realiza-se uma visita guiada.

    Frida Orupabo — Cloud of Confusion

    Lisboa
    Patente até 1 de Novembro — MAC/CCB

    Exposição individual de Frida Orupabo. Está marcada uma visita guiada para 27 de Setembro, às 11h00, mediante inscrição e aquisição do bilhete de entrada no museu.

    O ciclo do Centeio em Regoufe

    Arouca
    A partir de 24 de Setembro, 15h30 — Museu Municipal de Arouca

    Exposição participativa realizada com a comunidade local em torno do ciclo tradicional do centeio em Regoufe.

    🎬 CINEMA

    24.º Arouca Film Festival

    Arouca
    Até 19 de Setembro — Auditório da Loja Interactiva de Turismo, Rua Abel Botelho

    A edição de 2026 do festival organizado pelo Cine Clube de Arouca decorre desde 9 de Setembro e permanece em programação durante os primeiros seis dias cobertos por esta agenda.

    Michael Haneke — Retrospectiva integral

    Porto
    17 a 30 de Setembro — Campo Alegre Cine-Estúdio

    Todas as longas-metragens e alguns telefilmes do realizador austríaco integram uma retrospectiva que inclui obras nunca antes estreadas comercialmente em Portugal.

    Queer Lisboa 30

    Lisboa
    18 a 26 de Setembro — Cinema São Jorge e Cinemateca Portuguesa

    A edição dos 30 anos reúne competições, documentários, sessões especiais, a secção Queer Family e uma retrospectiva com obras de Kenneth Anger, Sally Potter, Kim Longinotto, Lana e Lilly Wachowski e Marlon T. Riggs.

    Manuel Dias — Variações em redor dos meus Eus

    Évora
    22 de Setembro — Teatro Garcia de Resende

    Filme de José Coimbra e Tiago Guimarães, apresentado na programação de Setembro do Teatro Garcia de Resende.

    Mais informações: CENDREV

    BANG Awards — Festival Internacional de Cinema de Animação

    Torres Vedras
    25 a 27 de Setembro — Parque do Choupal

    A oitava edição apresenta cinema de animação, masterclasses, workshops, conversas e video mapping. O tema de 2026 é “Youmanization”. Entrada gratuita.

    Mais informações: Câmara Municipal de Torres Vedras

    🏛️ PATRIMÓNIO E HISTÓRIA

    As Jornadas Europeias do Património decorrem entre 18 e 27 de Setembro e multiplicam por todo o país visitas, percursos, oficinas e aberturas especiais. O portal nacional continua a receber e actualizar iniciativas, pelo que esta secção selecciona actividades já confirmadas.

    Visita guiada ao Teatro Nacional São João

    Porto
    18 de Setembro, 12h30–13h30 — Teatro Nacional São João

    Visita ao edifício centenário projectado por Marques da Silva e posteriormente reabilitado.

    Visita guiada ao Palácio da Independência

    Lisboa
    18 de Setembro, 15h00–16h00 — Palácio da Independência

    A visita inclui o Pavilhão dos Conjurados, no jardim, e a subida à antiga muralha.

    Segredos do Palácio Fronteira

    Lisboa
    19 de Setembro — Palácio Fronteira; visitas às 10h00, 12h00, 14h30 e 16h00

    Programa especial de visitas guiadas ao palácio e ao seu património.

    Passeios na História de Tavira — Arraial Ferreira Neto

    Tavira
    19 de Setembro, 10h30–13h00 — antigo Arraial Ferreira Neto / actual Vila Galé Albacora

    Percurso dedicado à história do antigo arraial ligado à actividade conserveira e marítima.

    As Pedras do Convento de Santo Agostinho

    Leiria
    19 de Setembro, 15h00 — Museu de Leiria

    Sessão dedicada aos materiais geológicos empregados na construção do antigo convento e à leitura do edifício através da sua matéria.

    As fotografias são todas iguais? Viagem pelos 200 anos de processos fotográficos

    Leiria
    23 de Setembro, 15h00–17h00 — m|i|mo — Museu da Imagem em Movimento

    Percurso pela história técnica e material da fotografia, integrado nas Jornadas Europeias do Património.

    Pela ribeira da Goldra até ao Pisão Novo

    Covilhã
    24 de Setembro, a partir das 10h00 — partida da Real Fábrica de Panos

    Percurso pela Covilhã cidade-fábrica, integrado na Rota da Lã TRANSLANA, seguido de visita à fábrica A Transformadora — Pisão Novo. Participação gratuita mediante inscrição.

    Visita às Reservas de História da Ciência do MUHNAC

    Lisboa
    26 de Setembro, 15h00–16h30 — Museu Nacional de História Natural e da Ciência

    Abertura orientada das colecções de História da Ciência preservadas pelo museu.

    As Carmelitas na História da Cidade de Aveiro

    Aveiro
    26 de Setembro, 16h00–16h45 — Igreja das Carmelitas

    Visita dedicada ao edifício e ao papel das Carmelitas na história da cidade.

    Pisoar a Lã

    Covilhã
    26 de Setembro, 15h00 e 16h30 — Museu de Lanifícios da UBI

    Visita ao museu seguida de oficina dedicada ao antigo processo de pisoar a lã, com animação musical. Participação gratuita mediante inscrição.

    Castelo e Paço dos Condes — entrada gratuita

    Ourém
    26 de Setembro, 10h00–13h00 e 14h00–18h00 — Castelo e Paço dos Condes

    Acesso gratuito ao conjunto patrimonial no âmbito das Jornadas Europeias do Património.

    Roteiro pelas Fontes Históricas do Porto

    Porto
    27 de Setembro, 15h00–16h30 — partida da Praça de Gomes Teixeira

    Percurso pela relação histórica da cidade com a água e pelas suas fontes.

    Palácio da Brejoeira — Jornadas Europeias do Património

    Pinheiros, Monção
    27 de Setembro — visitas das 9h00 às 11h30 e das 14h00 às 17h30

    O Palácio da Brejoeira abre com visitas guiadas a partir de meia em meia hora.

    🪗 CULTURA POPULAR E TRADIÇÕES

    Feiras Novas — encerramento do bicentenário

    Ponte de Lima
    14 de Setembro — Centro Histórico

    Último dia das Feiras Novas de 2026, edição que assinala os 200 anos da romaria. A segunda-feira fica centrada nas solenidades de Nossa Senhora das Dores, depois de vários dias de cortejos, concertinas, folclore e feira franca.

    Mais informações: Programa das Feiras Novas 2026

    Festa do Pêro

    Ponta do Pargo, Calheta
    19 e 20 de Setembro — Ponta do Pargo

    Festa rural organizada pela Casa do Povo da Ponta do Pargo que reúne agricultores da localidade e de zonas vizinhas em torno da produção local.

    Lúmen — Marionetas Gigantes

    Funchal
    19 de Setembro — centro do Funchal

    Marionetas com cerca de cinco metros de altura, música, luz e movimento compõem um espectáculo que envolve cerca de 50 participantes da comunidade local.

    Feira das Colheitas

    Arouca
    24 a 27 de Setembro — Centro Histórico

    Feiras, exposições, folclore, etnografia, concursos agrícolas, gastronomia, desfile de gado e desfile etnográfico ocupam quatro dias da principal festa tradicional do concelho.

    Descasca do Milho

    Odiáxere, Lagos
    26 de Setembro, 19h00 — Largo da Igreja

    A tradicional Descasca do Milho integra a programação cultural municipal de Setembro em Odiáxere.

    Workshop de empreita de palma — A tradição que ganha forma

    Lagos
    27 de Setembro, 15h00 — Edifício Casa da Paragem

    Judite Baião conduz uma actividade dedicada à empreita de palma, técnica artesanal tradicional algarvia.

    Banda Filarmónica da Ribaldeira e Rancho Folclórico da Silveira

    Silveira, Torres Vedras
    27 de Setembro — Silveira

    A programação do centenário da freguesia inclui actuação da banda filarmónica e do rancho folclórico, preservando duas expressões centrais da cultura associativa local.

    Mais informações: Câmara Municipal de Torres Vedras

    💡 IDEIAS, CIÊNCIA E CONHECIMENTO

    GIMM Festival 2026 — Microrganismos

    Lisboa
    17 a 19 de Setembro — Pavilhão de Portugal

    Festival do Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular dedicado aos microrganismos. Os dois primeiros dias dirigem-se à comunidade científica e o último abre ao público geral, com experiências e debates.

    Dia da Investigação e Inovação — Imaginar futuros partilhados

    Lisboa
    23 de Setembro, 9h15–19h00 — Colégio Almada Negreiros

    Encontro aberto sobre o impacto social e cultural da investigação, aproximando universidade, autarquias, instituições culturais, decisores e sociedade.

    Noite Europeia dos Investigadores — A Ciência encontra a cidade

    Évora
    25 de Setembro, 17h00–22h00 — Praça 1.º de Maio

    Experiências, demonstrações, conversas, oficinas, espectáculos, visitas e jogos científicos aproximam investigadores e público. Entrada gratuita e programação para todas as idades.

    Noite Europeia dos Investigadores

    Lagos
    25 de Setembro, 17h00 — Centro Ciência Viva de Lagos

    Iniciativa gratuita destinada a aproximar a investigação científica da sociedade, integrada na Noite Europeia dos Investigadores.

    👨‍👩‍👧 CRIANÇAS E FAMÍLIAS

    Bebeteca Extra — O sol foi de férias

    Leiria
    25 de Setembro, 18h30 — Ludoteca Municipal

    Sessão da Bebeteca destinada aos leitores e famílias mais novos, a partir da história “O sol foi de férias”.

    Hora do Conto — Onde está o sol

    Leiria
    26 de Setembro, 15h00 — Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira

    Sessão de leitura e descoberta de histórias para crianças.

    Bebeteca — O sol foi de férias

    Leiria
    26 de Setembro, 16h30 — Biblioteca/Ludoteca Municipal

    Actividade de leitura para bebés e famílias integrada na programação das bibliotecas municipais.

    Arqueólogo por um Dia

    Vila Franca de Xira
    26 de Setembro, 15h00–16h30 — Celeiro da Patriarcal

    Atelier de arqueologia experimental para crianças, integrado nas Jornadas Europeias do Património e na exposição “Proteger a Memória”.

    Os Três Porquinhos

    Arouca
    27 de Setembro, 16h00 — Espaço Criança, Parque Milénio

    Teatro infantil incluído no último dia da Feira das Colheitas.

    Som de Cá e de Lá

    Porto
    27 de Setembro, 10h00 e 11h30 — Casa da Música, Sala Ensaio 2

    Oficina musical para famílias dedicada à diversidade, à escuta e à criação colectiva. Bilhete: 12,50 euros.

    Mais informações: Casa da Música

    Quero um Piano

    Évora
    27 de Setembro — Teatro Garcia de Resende

    Espectáculo de Ana Madureira e Vahan Kerovpyan integrado no programa VER&APRENDER e dirigido ao público familiar.

    Mais informações: Teatro Garcia de Resende

    Ciência em Família — Bolachas ao Sol

    Lagos
    27 de Setembro, 10h30 — Centro Ciência Viva de Lagos

    Actividade de ciência para crianças e famílias incluída na programação municipal do último domingo do mês.

    Nota: Caso queira garantir que um evento seja incluído na próxima Agenda Cultural do PÁGINA UM, envie informações detalhadas, incluindo ligação de site, para cultura@paginaum.pt.

  • Poupanças em risco?

    Poupanças em risco?


    Dedo na ferida é o podcast do PÁGINA UM, apresentado pela jornalista Elisabete Tavares, com as análises do advogado Miguel dos Santos Pereira sobre temas da Justiça e Transparência.

    No oitavo episódio, o tema em análise é a intenção da Comissão Europeia de canalizar uma parte das poupanças dos cidadãos para os mercados de capitais. Em debate estão os riscos desta estratégia, a protecção dos pequenos aforradores e as lições de investimentos públicos que, no passado, provocaram perdas avultadas.

    Acesso: LIVRE, mas subscreva o P1 PODCAST com um donativo mensal de 2,99 euros. Ajude o PÁGINA UM a amplificar o seu trabalho.

    Subscreva gratuitamente o canal do YouTube do PÁGINA UM AQUI.

  • Biblioteca do PÁGINA UM: novos livros, novos caminhos

    Biblioteca do PÁGINA UM: novos livros, novos caminhos

    A Biblioteca do PÁGINA UM recebeu cinco novas obras que atravessam territórios muito diferentes: da sátira literária à alimentação de base vegetal, de uma caminhada melancólica por Berlim ao pensamento de uma das figuras maiores da cultura portuguesa do século XIX. Paulo Moreiras, Nuno Alvim, Mathias Énard e Antero de Quental são os autores das mais recentes entradas no nosso acervo.

    Entre ficção, ensaio, viagem, história e reflexão política e social, os livros agora recebidos mostram também diferentes maneiras de interrogar o mundo: através do humor e da imaginação, da ciência e dos hábitos quotidianos, da literatura e da memória ou da recuperação de textos fundamentais da nossa história intelectual.

    Fortunas e Adversidades de Luciano de Megera, Burro de Muitos Amos, de Paulo Moreiras, apresenta-se como uma novela nascida da descoberta de um manuscrito e da sua apropriação criativa pelo autor. Entre o picaresco, a sátira e a crítica de costumes, a obra joga deliberadamente com a autoria e com a própria natureza do texto, conduzindo o leitor por uma narrativa onde realidade, artifício literário, fantasia e humor se confundem.

    Paulo Moreiras nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, em 1969, e chegou a Portugal em 1974. Iniciou o seu percurso na banda desenhada, passou pela poesia e estreou-se no romance com A Demanda de D. Fuas Bragatela, em 2002, a que se seguiram Os Dias de Saturno e O Ouro dos Corcundas. Em 2021, reuniu alguns dos seus contos em O Caminho do Burro. É também autor de obras dedicadas à gastronomia, entre as quais Elogio da Ginja e Pão & Vinho – mil e uma histórias de comer e beber.

    Publicado pela Dom Quixote, Fortunas e Adversidades de Luciano de Megera, Burro de Muitos Amos chega à biblioteca do PÁGINA UM como uma incursão pela tradição picaresca e satírica, onde o jogo literário, a imaginação e o humor se tornam também formas de olhar para os costumes e para a própria literatura.

    Como Sobreviver sem Carne e Outros Milagres Inexplicáveis, de Nuno Alvim, aborda alguns dos mitos e preconceitos associados à alimentação de base vegetal. Partindo de questões sobre proteína, anemia, dietas equilibradas ou impacto ambiental, o autor cruza ciência, história e episódios pouco conhecidos para discutir hábitos alimentares e argumentos que se foram instalando no discurso comum, recorrendo ao humor para tornar acessíveis temas frequentemente envolvidos em polémica.

    Nuno Alvim tem desenvolvido grande parte do seu percurso na promoção da alimentação de base vegetal em Portugal. Foi director da ProVeg Portugal, anteriormente Associação Vegetariana Portuguesa, entre 2015 e 2024, e é cofundador da Frente Animal, organização dedicada à defesa dos direitos dos animais. Tem também colaborado com entidades governamentais e da área da saúde na discussão e revisão de políticas relacionadas com a alimentação.

    Publicado pela Oficina do Livro, Como Sobreviver sem Carne e Outros Milagres Inexplicáveis chega à biblioteca do PÁGINA UM como uma abordagem à alimentação de base vegetal que procura confrontar ideias feitas e preconceitos através da ciência, da história e do humor.

    Melancolia dos Confins. Norte, de Mathias Énard, nasce de um passeio por Berlim depois de uma visita a uma amiga hospitalizada. Enquanto atravessa a cidade numa noite chuvosa de outono, o autor percorre também a história, a geografia, as suas leituras e memórias, interrogando as fronteiras e os limites, mas também aquilo que permite atravessá-los. Entre a reflexão, a evocação e a literatura, constrói uma cartografia pessoal marcada pela melancolia, pela amizade e pelos encontros. Norte é o primeiro de quatro volumes de Melancolia dos Confins, concebidos em torno das quatro estações.

    Mathias Énard nasceu em 1972, estudou persa e árabe e viveu durante largos períodos no Médio Oriente. Professor de árabe na Universidade de Barcelona, é autor de uma vasta obra distinguida com vários prémios literários. Entre os seus romances encontram-se Zona, Fala-lhes de Batalhas, de Reis e de Elefantes, Rue des Voleurs, Bússola — vencedor do Prémio Goncourt em 2015 — e Desertar. Publicou também ensaios, entre os quais Bréviaire des artificiers e L’alcool et la nostalgie.

    Publicado pela Dom Quixote, Melancolia dos Confins. Norte chega à biblioteca do PÁGINA UM como o primeiro movimento de uma cartografia literária e pessoal onde viagem, memória, amizade e literatura se encontram na reflexão sobre as fronteiras que atravessam lugares, tempos e vidas.

    Prosas I, de Antero de Quental, inaugura um projecto de publicação da prosa completa do autor, com edição de Ana Maria Almeida Martins, previsto em três volumes. Este primeiro reúne textos escritos entre 1857 e 1866, correspondentes aos anos de Coimbra, acompanhando o percurso intelectual de Antero desde os primeiros escritos da juventude até às Odes Modernas e à célebre carta Bom Senso e Bom Gosto, que esteve na origem da Questão Coimbrã. A edição inclui ainda textos inéditos e outros ausentes de antologias anteriores.

    Prosas II dá continuidade ao projecto, deslocando o seu centro para Lisboa e para um período marcado pela intervenção política e pelo pensamento socialista de Antero. Com edição, prefácio e notas de Ana Maria Almeida Martins, o segundo volume inclui alguns dos seus textos fundamentais, entre os quais Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos.

    Antero de Quental nasceu em Ponta Delgada, nos Açores, em 1842. Estudou Direito na Universidade de Coimbra e foi uma das figuras centrais da geração intelectual que marcou a cultura portuguesa da segunda metade do século XIX. Poeta, ensaísta e pensador, participou activamente na Questão Coimbrã e nas Conferências do Casino, deixando uma obra em que literatura, filosofia, política e intervenção social se encontram estreitamente ligadas.

    Publicados pela Tinta-da-China, Prosas I e Prosas II chegam à biblioteca do PÁGINA UM como os dois primeiros volumes de um projecto editorial que recupera e organiza a produção em prosa de uma das figuras fundamentais do pensamento e da literatura portuguesa do século XIX.

  • Biblioteca do PÁGINA UM: mar, sol e livros

    Biblioteca do PÁGINA UM: mar, sol e livros

    Durante o último mês, a Biblioteca do PÁGINA UM recebeu um novo conjunto de obras que atravessa o jornalismo, a ficção policial, o teatro, a memória histórica e a literatura. Entre as novas entradas encontram-se títulos de Jaime Lourenço, Fernando Pessoa, Manuel Geraldo, Orlando da Costa, Richard Demarcy, Teresa Mota, Somerset Maugham, Claire Lynch, E. M. Forster e Claire Messud.

    As obras agora incorporadas levam-nos do Parlamento português à Nova Iorque do início do século XXI, passando pela Guerra Colonial e pela Revolução de Abril, pela relação de Fernando Pessoa com a ficção policial e por histórias onde se cruzam amor, família, amizade, desejo, identidade e ambição. Entre ensaio, dramaturgia e romance, são oito livros que percorrem a memória colectiva e a experiência individual, interrogando aquilo que fomos, aquilo que desejamos ser e as escolhas que fazemos pelo caminho.

    Sobre a Ficção Policial, de Fernando Pessoa, reúne textos que revelam uma dimensão menos conhecida do escritor: o seu prolongado interesse pela literatura policial, não apenas enquanto autor de contos e novelas do género, mas também enquanto leitor e pensador das suas regras e possibilidades. O volume recupera, entre outros materiais, o projecto de um ambicioso ensaio sobre literatura policial que Pessoa começou a desenvolver ainda jovem e deixou inacabado.

    Os textos permitem acompanhar também o Pessoa leitor, sobretudo nos últimos anos de vida, quando os romances policiais se tornaram presença assídua nas suas leituras. Essa relação com o género ajuda ainda a iluminar episódios da sua biografia, entre os quais o primeiro e único encontro com José Régio, em Junho de 1930.

    Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, em 1888. Depois de passar parte da infância e juventude na África do Sul, regressou definitivamente a Portugal em 1905. Poeta, ensaísta e crítico, foi uma das figuras centrais do Modernismo português, participou na criação da revista Orpheu e deu existência literária, entre outros, aos heterónimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis e ao semi-heterónimo Bernardo Soares. Morreu em Lisboa, em 1935, deixando milhares de textos inéditos.

    Com edição e tradução de Gianluca Miraglia, prefácio de Alberto Manguel e publicado pela Tinta da China, Sobre a Ficção Policial chega à biblioteca do PÁGINA UM como uma oportunidade para descobrir Fernando Pessoa num território menos conhecido da sua obra e acompanhar a persistente relação do escritor com o mistério, a investigação e a literatura policial.

    Jornalismo Parlamentar — 50 anos de uma especialidade jornalística, com coordenação de Jaime Lourenço, percorre cinco décadas da relação entre o jornalismo e o Parlamento português, articulando a história desta especialidade com uma reflexão sobre os desafios presentes e futuros da imprensa. Ao longo de diferentes contributos, o livro revisita o trabalho dos jornalistas que acompanharam a vida parlamentar e o papel desempenhado pela comunicação social na transparência da democracia portuguesa.

    A obra reúne textos de Jaime Lourenço, Álvaro Costa Matos, André Catita, Carla Martins, Filipe Resende, Gustavo Cardoso, Hélder Prior, Hugo Ferrinho Lopes, Joana Reis, João Ferreira Oliveira, João Morais do Carmo, José Santana Pereira, Leonor Pires, Paula Espírito Santo, Paula Lopes, Pedro Marques Gomes, Raquel Laurentino, Sandra Antunes, Sofia Ferro-Santos, Susana Rogeiro Nina, Susana Barros, Tiago Durães, Vasco Ribeiro e Vinicius Albernaz. O prefácio é de José Pedro Aguiar-Branco.

    Jaime Lourenço é doutorado em Ciências da Comunicação pelo Iscte — Instituto Universitário de Lisboa, mestre em Jornalismo e licenciado em Relações Públicas e Comunicação Empresarial pela Escola Superior de Comunicação Social. Professor auxiliar na Universidade Autónoma de Lisboa, onde coordena a Licenciatura em Ciências da Comunicação, desenvolve investigação centrada nas especialidades e práticas jornalísticas. É também director da revista Autónoma e colaborador do jornal Reconquista, tendo passado profissionalmente pela RTP, TVI e Warner Bros. Television Production, entre outros meios.

    Publicado pela Tinta da China, Jornalismo Parlamentar — 50 anos de uma especialidade jornalística chega à biblioteca do PÁGINA UM como uma obra dedicada à história de quem acompanha, observa e relata a actividade parlamentar, recuperando cinco décadas de jornalismo estreitamente ligadas aos cinquenta anos da democracia portuguesa.

    Em Bizango de Bizangongo | A Como Estão os Cravos Hoje?, de Manuel Geraldo e Orlando da Costa, reúne duas peças marcadas pela Guerra Colonial e pelas transformações políticas e sociais desencadeadas pela Revolução de Abril.

    Em Bizango de Bizangongo, o descontentamento das tropas deslocadas para os conflitos do Ultramar, o cansaço da guerra e o desejo de regressar a casa surgem através de diálogos construídos como um grande coro. A peça interroga também as mudanças promovidas pela Revolução, a demora em fazê-las chegar à população e as condições que haviam levado tantos jovens à guerra. A Como Estão os Cravos Hoje?, construída a partir da experiência do autor e de relatos de soldados, assume-se como peça e manifesto antibelicista, questionando as condições vividas no campo de combate e a erosão dos valores conquistados com a Revolução.

    Manuel Geraldo (1943-2006) iniciou o seu percurso como jornalista no Diário de Lisboa, onde trabalhou durante 17 anos. Depois de ter cumprido o serviço militar em Angola, desenvolveu uma obra em que a Guerra Colonial e o universo jurídico-policial constituem linhas recorrentes, distribuídas pela ficção, pelo relato e pelo teatro.

    Orlando da Costa (1929-2006), escritor de origem goesa, desenvolveu uma obra entre a poesia, a ficção e o teatro. Opositor ao Estado Novo, foi detido por três vezes e algumas das suas peças foram atingidas pela censura. Autor de O Signo da Ira e Podem Chamar-me Eurídice, foi distinguido, em 2005, como Comendador da Ordem da Liberdade.

    Publicado pela Tinta da China, na colecção Liberdade! Liberdade!, coordenada por Tiago Bartolomeu Costa, Em Bizango de Bizangongo | A Como Estão os Cravos Hoje? chega à biblioteca do PÁGINA UM recuperando duas obras dramatúrgicas sobre a guerra, o fim da ditadura e as expectativas e interrogações abertas pelo 25 de Abril.

    Fábulas Teatrais sobre a Revolução Portuguesa, de Richard Demarcy e Teresa Mota, reúne quatro textos — A Noite do 28 de Setembro, A História de Quatro Soldados, As Vacas de Cujancas e Barracas, Ocupação — que transformam acontecimentos da história portuguesa em matéria de teatro de intervenção social e política.

    Construídas como peças corais, as obras colocam em cena figuras representativas de diferentes grupos e forças sociais — o camponês, o burguês, o poder ou o clero — e fazem da dramaturgia um espaço de preservação da memória das lutas e das formas de resistência. Pensadas para lugares de grande reunião, aproximam o teatro da intervenção popular e da reflexão colectiva sobre o Portugal revolucionário.

    Richard Demarcy (1942-2018) foi dramaturgo, encenador e sociólogo francês. Fundou com Teresa Mota o Naïf Théâtre, em 1972, e manteve uma estreita ligação ao Portugal revolucionário, nomeadamente através da proximidade aos colectivos A Comuna e CENDREV. A dimensão política e narrativa marcou igualmente o seu trabalho como autor e encenador.

    Teresa Mota (1940-2022) foi actriz, encenadora, directora de companhia e professora. Integrou a Companhia Rey Colaço–Robles Monteiro e tornou-se um rosto reconhecido do teatro, da televisão e do cinema portugueses. Depois do encontro com Richard Demarcy, mudou-se para Paris, onde prosseguiu a actividade teatral e se tornou professora de Língua e Teatro na Sorbonne.

    Publicado pela Tinta da China, na colecção Liberdade! Liberdade!, coordenada por Tiago Bartolomeu Costa, Fábulas Teatrais sobre a Revolução Portuguesa chega à biblioteca do PÁGINA UM recuperando um teatro que fez dos acontecimentos revolucionários matéria de criação artística, intervenção política e memória colectiva.

    Servidão Humana, de William Somerset Maugham, acompanha Philip Carey desde uma infância marcada pela orfandade e por uma limitação física até à procura de um lugar no mundo. Criado pelos tios na rigidez de uma casa paroquial inglesa, Philip atravessa o colégio interno, as academias de arte de Paris e os hospitais de Londres enquanto procura romper o isolamento que o acompanha desde criança.

    No centro desse percurso encontra-se Mildred, uma mulher que Philip não consegue deixar de amar apesar de reconhecer que essa relação o destrói. Através desta ligação e das sucessivas tentativas da personagem para definir a própria existência, o romance explora a distância entre aquilo que desejamos ser e aquilo que somos, entre aquilo que sabemos e as escolhas que, ainda assim, fazemos.

    William Somerset Maugham nasceu em Paris, em 1874, filho de pais ingleses, e tornou-se um dos mais célebres dramaturgos e romancistas do seu tempo. Órfão antes dos dez anos, foi enviado para Inglaterra e mais tarde estudou na Alemanha. Escritor prolífico, publicou romances, contos e peças de teatro e viajou pela Índia e pelo Sudeste Asiático. Entre as suas obras mais conhecidas encontram-se Servidão Humana, O Fio da Navalha e A Carta. Morreu no Sul de França, em 1965.

    Publicado pela Escolha Editora, Servidão Humana chega à biblioteca do PÁGINA UM como um dos romances mais emblemáticos de Somerset Maugham, uma obra sobre as formas nem sempre visíveis de dependência e sobre a difícil conquista da liberdade individual.

    Assunto de Família, de Claire Lynch, desenvolve-se entre dois tempos separados por quarenta anos. Em 2022, Heron recebe um diagnóstico médico que o obriga a confrontar-se com a necessidade de contar à filha, Maggie, não apenas aquilo que acaba de saber, mas também segredos que guardou durante décadas.

    Em 1982, Dawn é uma jovem mãe ainda a adaptar-se ao casamento e à maternidade quando Hazel entra na sua vida. A ligação entre as duas é imediata e transforma uma existência até então delimitada pelas responsabilidades e convenções. Mas Dawn tem uma filha, Maggie, e escolhas cujas consequências atravessarão os anos. Ao aproximar as duas linhas temporais, o romance constrói uma história em torno do amor, da família, dos segredos e das marcas deixadas pelas decisões do passado.

    Claire Lynch é doutorada pela Universidade de Oxford e professora de Inglês e Escrita Criativa. Autora de vários livros académicos e artigos científicos, publicou também textos de não-ficção em meios como LitHub e The Washington Post e na BBC Radio. Assunto de Família é o seu primeiro romance. Vive em Windsor com a mulher e as três filhas.

    Publicado pela Escolha Editora, Assunto de Família chega à biblioteca do PÁGINA UM como um romance sobre aquilo que uma família guarda, aquilo que escolhe revelar e a forma como os segredos e as decisões de uma geração se prolongam na vida das seguintes.

    Maurice, de E. M. Forster, acompanha Maurice Hall desde a adolescência e os anos de universidade, em Cambridge, até à vida profissional, num percurso exteriormente conforme ao que se espera de um homem inglês da sua condição social. Por baixo dessa aparência de normalidade, porém, Maurice procura uma forma de viver de acordo com a sua identidade e de se libertar das regras impostas pela sociedade.

    Em Cambridge, conhece Clive Durham, que o aproxima dos autores gregos e da possibilidade de pensar o amor entre homens. Para Clive, a relação entre ambos deve permanecer idealizada e platónica. Quando este casa com uma mulher, Maurice confronta-se com a impossibilidade de seguir o mesmo caminho e chega a procurar um hipnotista que o possa «curar» da homossexualidade. O romance acompanha esse confronto entre convenção, vergonha, solidão e procura da felicidade.

    E. M. Forster (1879-1970) é sobretudo reconhecido por obras como Um Quarto com Vista, Howards End e Passagem para a Índia. Estudou no King’s College e esteve ligado ao Grupo de Bloomsbury. Pacifista e objector de consciência durante a Primeira Guerra Mundial, fez serviço cívico na Cruz Vermelha e destacou-se também pelas suas intervenções públicas em defesa das reformas sociais e da liberdade de expressão. Maurice, romance centrado no amor entre homens, seria publicado apenas postumamente, em 1971.

    Publicado pela Escolha Editora, Maurice chega à biblioteca do PÁGINA UM recuperando um romance escrito contra as convenções do seu tempo, no qual a procura da identidade, do amor e da liberdade individual confronta directamente as regras da sociedade britânica do início do século XX.

    Os Filhos do Imperador, de Claire Messud, acompanha Marina, Danielle e Julius, três amigos unidos desde os tempos da universidade que, no início de 2001, vivem em Nova Iorque e se aproximam dos trinta anos. Tinham acreditado que deixariam a sua marca no mundo, mas a entrada definitiva na idade adulta confronta-os com a distância entre as ambições da juventude e as vidas que efectivamente construíram.

    Danielle trabalha como produtora de televisão e sente o talento desperdiçado em reportagens banais; Julius, crítico freelance, sobrevive graças ao charme, à inteligência e a sucessivos expedientes; e Marina, filha do conhecido jornalista e ensaísta Murray Thwaite, continua a viver em casa dos pais enquanto tenta terminar o livro que deveria afirmar o seu talento. A chegada do editor australiano Ludovic Seeley e do jovem autodidacta Bootie vem perturbar o equilíbrio entre as personagens e alterar o rumo das suas vidas.

    Com Nova Iorque como cenário e os acontecimentos de 2001 a aproximarem-se, o romance observa uma geração obrigada a confrontar as suas expectativas com a realidade, cruzando amizade, ambição, privilégio, desilusão e as concessões que acompanham a passagem para a idade adulta.

    Claire Messud é autora de ficção e não-ficção e membro da Academia Americana de Artes e Letras e da Academia Americana de Artes e Ciências. Foi distinguida com bolsas Guggenheim e Radcliffe e com o Strauss Living Award. O seu romance mais recente, Esta Estranha e Acidentada História, foi nomeado para o Giller Prize e para o Booker Prize. Vive em Cambridge, Massachusetts, com a família.

    Publicado pela Escolha Editora, Os Filhos do Imperador chega à biblioteca do PÁGINA UM como um romance sobre uma geração que acreditou ter o futuro diante de si e começa a descobrir a distância que pode existir entre aquilo que imaginamos para a nossa vida e aquilo em que ela acaba por se transformar.

  • Quando governantes e entidades públicas escondem informação

    Quando governantes e entidades públicas escondem informação


    Dedo na ferida é o novo podcast do PÁGINA UM, apresentado pela jornalista Elisabete Tavares, com as análises do advogado Miguel dos Santos Pereira sobre temas da Justiça e Transparência.

    No terceiro episódio, o tema em análise é o acesso a documentos administrativos, tanto por cidadãos como por jornalistas, e a opacidade que ainda hoje existe em organismos do Estado, que chegam a desobedecer a ordens de tribunais.

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  • Inteligência artificial nos tribunais: vantagens e riscos

    Inteligência artificial nos tribunais: vantagens e riscos


    Dedo na ferida é o novo podcast do PÁGINA UM, apresentado pela jornalista Elisabete Tavares, com as análises do advogado Miguel dos Santos Pereira sobre temas da Justiça e Transparência.

    No segundo episódio, o tema em análise é a utilização actual de ferramentas de inteligência artificial por advogados e nos tribunais, as suas vantagens e os seus riscos.

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  • Porque tarda Portugal a transpor a directiva anti-SLAPP?

    Porque tarda Portugal a transpor a directiva anti-SLAPP?


    Dedo na ferida é o novo podcast do PÁGINA UM, apresentado pela jornalista Elisabete Tavares, com as análises do advogado Miguel dos Santos Pereira sobre temas da Justiça e Transparência.

    No episódio de estreia, o tema em análise é o atraso da transposição da directiva anti-SLAPP que valeu a Portugal um processo da Comissão Europeia.

    Acesso: LIVRE, mas subscreva o P1 PODCAST com um donativo mensal de 2,99 euros. Ajude o PÁGINA UM a amplificar o seu trabalho.

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  • Biblioteca do PÁGINA UM: as histórias que acabam de chegar

    Biblioteca do PÁGINA UM: as histórias que acabam de chegar

    Durante os últimos quinze dias, a Biblioteca do PÁGINA UM recebeu um novo conjunto de obras que reúne literatura infantojuvenil, romance policial, literatura de viagens, ficção brasileira contemporânea e um clássico da literatura canadiana. Entre os títulos agora incorporados encontram-se livros de Tiago Salazar, Ana Saragoça, Jørn Lier Horst, Silvana Tavano e Elizabeth Smart.

    As novas entradas percorrem universos tão distintos como a multiculturalidade de uma rua lisboeta, uma viagem solitária pela Europa, investigações criminais desenvolvidas através da Internet, as relações familiares atravessadas pela memória e uma paixão transformada em prosa poética. Esta secção regista a chegada destas obras ao acervo do PÁGINA UM, apresentando os respectivos autores, temas, ilustradores e editoras.

    A Barata Gigi na Rua do Benformoso, de Tiago Salazar, acompanha Gigi, uma fala-barata que acaba de se mudar para a Rua do Benformoso, em Lisboa. Habitada por pessoas de diferentes nacionalidades, a rua torna-se um lugar de descoberta, onde a personagem aprende sobre culturas, hábitos e formas distintas de compreender o mundo. Dirigido aos leitores mais jovens, o livro aborda a diversidade, a convivência e o respeito pela diferença.

    Tiago Salazar nasceu em Lisboa, em 1972, e é jornalista, escritor e formador de Escrita e Literatura de Viagens. Formado em Relações Internacionais, estudou também Guionismo e Dramaturgia em Londres e desenvolve trabalho nas áreas da literatura, do jornalismo, das viagens e do turismo cultural. É autor de livros de ficção, crónica, literatura de viagens e literatura para a infância, tendo recebido, entre outras distinções, o Prémio Jovem Repórter do Centro Nacional de Cultura e, em duas edições consecutivas, o Prémio Manuel António Pina.

    As ilustrações que acompanham a obra são de Fátima Mateus, artista plástica e pintora portuguesa com obra representada em coleções públicas e privadas e um percurso que se estende também à ilustração literária. O seu trabalho visual participa na construção da narrativa e reforça a dimensão expressiva e estética do livro.

    Publicado pela Oficina do Livro, A Barata Gigi na Rua do Benformoso chega à biblioteca do PÁGINA UM como uma obra infantojuvenil que celebra o encontro entre culturas e apresenta a diferença como uma oportunidade de descoberta e aprendizagem.

    A Turista Invisível, de Ana Saragoça, acompanha uma mulher que, depois dos cinquenta anos, decide concretizar o sonho de viajar sozinha pela Europa. Num percurso de Interrail por Itália, a autora cruza paisagens, encontros e pequenos imprevistos com uma reflexão sobre o envelhecimento, a liberdade, a ansiedade e a descoberta de si própria. Mais do que um relato de viagem, o livro constitui um testemunho sobre a coragem de partir quando parece já não ser tempo de recomeçar.

    Ana Saragoça nasceu em Évora, em 1966. Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e formou-se como atriz na Escola Superior de Teatro e Cinema. Paralelamente ao trabalho como atriz, tradutora e autora, publicou os livros Todos os Dias São Meus, Quando Fores Mãe Vais Ver e Ilhas de Paixão — este último sob o pseudónimo Miriam Hotchkiss —, tendo também escrito várias peças de teatro.

    Publicado pela Casa das Letras, A Turista Invisível chega à biblioteca do PÁGINA UM como um relato de viagem que ultrapassa o registo autobiográfico para refletir sobre a autonomia, o envelhecimento e a possibilidade de continuar a descobrir o mundo — e a si própria — em qualquer fase da vida.

    Sem Fronteiras, de Jørn Lier Horst, conduz o inspector William Wisting a uma investigação que atravessa vários países e se desenvolve também no espaço virtual. Depois de uma turista australiana ser encontrada morta em Espanha, um grupo internacional de detectives amadores reúne-se numa plataforma digital para tentar resolver o crime. Quando Astri, uma jovem norueguesa particularmente activa na investigação, desaparece da Internet, o mistério adquire novos contornos.

    Entretanto, uma carrinha espanhola abandonada perto de Manvik, na Noruega, permanece quase soterrada pela neve. O veículo poderá conter a resposta para um caso que obriga Wisting a colaborar com as autoridades espanholas e a entrar no universo do crowdsolving, onde investigadores sem formação policial partilham pistas, teorias e informações através da Internet.

    Jørn Lier Horst nasceu em Bamble, na Noruega, em 1970, e é um dos autores de literatura policial mais reconhecidos da actualidade. Antes de se dedicar à escrita, trabalhou como investigador da polícia norueguesa, experiência que transporta para os seus romances através do conhecimento dos métodos e procedimentos policiais. Estreou-se em 2004 e tornou-se internacionalmente conhecido com a série protagonizada por William Wisting, posteriormente adaptada para televisão.

    Publicado pela Dom Quixote, Sem Fronteiras chega à biblioteca do PÁGINA UM como um novo romance da série William Wisting, cruzando investigação criminal, cooperação internacional e o papel crescente das comunidades digitais na resolução de crimes.

    Ressuscitar Mamutes, de Silvana Tavano, constrói-se a partir do diálogo entre o tempo, a memória e a ciência. Enquanto acompanha acontecimentos científicos do presente e possibilidades projectadas para o futuro, a narradora revisita a história da própria família e os vínculos estabelecidos entre várias gerações de mulheres.

    A morte da mãe conduz a personagem por recordações marcadas pela saudade, pelo arrependimento e por uma compreensão tardia dos afectos familiares. Ao longo do romance, a memória pessoal aproxima-se da investigação científica e da imaginação, fazendo conviver o ficcional, o ensaístico e o fabuloso numa reflexão sobre aquilo que se perde, aquilo que permanece e aquilo que talvez ainda possa ser recuperado.

    Silvana Tavano nasceu em São Paulo, em 1957, e é escritora, jornalista e docente. Formada pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, trabalhou durante vários anos como jornalista e editora de revistas antes de se dedicar à literatura. É autora de cerca de três dezenas de livros para crianças e jovens, publicados em vários países, e recebeu, em 2022, o Prémio Jabuti de Livro Infantil por Sonhozzz, escrito em coautoria com Daniel Kondo.

    Vencedor do Prémio Oceanos 2025, Ressuscitar Mamutes foi também finalista do Prémio São Paulo de Literatura e semifinalista do Prémio Jabuti. Publicado pela Dom Quixote, chega à biblioteca do PÁGINA UM como um romance que aproxima ciência, memória e literatura para explorar os laços familiares e a possibilidade de reinventar o passado.

    Junto à Grand Central Station Sentei-Me e Chorei, de Elizabeth Smart, nasceu da intensa relação amorosa da autora com o poeta britânico George Barker. Depois de encontrar por acaso um livro de poemas de Barker numa livraria londrina, Smart apaixonou-se pelo escritor antes mesmo de o conhecer e passou vários anos à procura de uma forma de chegar até ele.

    A relação que se seguiu, da qual nasceram quatro filhos, forneceu a matéria autobiográfica para uma obra em que a experiência pessoal é transformada através de uma linguagem profundamente poética. Publicado originalmente em 1945, o livro funde romance, autobiografia e prosa lírica, convertendo uma história de amor marcada pelo desejo, pela ausência e pelo sofrimento numa construção literária de grande intensidade.

    Elizabeth Smart nasceu em Otava, no Canadá, em 1913. Estudou piano, teatro e pintura e viveu durante vários anos em Londres, onde trabalhou nas áreas do jornalismo, da publicidade e da edição. Depois de um longo afastamento da publicação literária, regressou aos livros na década de 1970, com um volume de poesia e um segundo romance. Parte significativa dos seus textos seria publicada apenas depois da sua morte, em 1986.

    Recuperado pela Dom Quixote, Junto à Grand Central Station Sentei-Me e Chorei chega à biblioteca do PÁGINA UM como uma nova edição de um clássico da literatura do século XX, no qual experiência autobiográfica, paixão amorosa e prosa poética se tornam indissociáveis.

  • ‘A nova plataforma CORPUS tem dados que o Estado não gosta de mostrar’

    ‘A nova plataforma CORPUS tem dados que o Estado não gosta de mostrar’


    O jornal PÁGINA UM deu um passo histórico esta semana, com o lançamento do Observatório de dados sobre Saúde, CORPUS. O projecto agora lançado disponibiliza uma Plataforma com uma base de dados composta por mais de 38 milhões de registos hospitalares anonimizados nunca tornados públicos até agora.

    Nesta conversa conduzida pela jornalista Elisabete Tavares, o director do PÁGINA UM , Pedro Almeida Vieira, apresenta o CORPUS e fornece os detalhes sobre o funcionamento da nova Plataforma que permite traçar o raio-X da saúde dos portugueses nos últimos 25 anos.

    O lançamento do CORPUS é um marco histórico para o PÁGINA UM, mas também marca um momento decisivo para a transparência pública em Portugal.

    Nesta conversa, Pedro Almeida Vieira explicou como surgiu o CORPUS, os seus objectivos e como os utilizadores podem usar a Plataforma inteligente e interactiva para obter o retrato da saúde dos portugueses nos últimos 25 anos.

    Pedro Almeida Vieira começou por explicar que o CORPUS é a materialização da missão fundamental do jornal já que “este projecto corporiza aquilo que é uma espécie de DNA do PÁGINA UM“, sendo o resultado de um longo percurso de “insistência e de luta para obter dados oficiais [de saúde] da administração pública”.

    Plataforma Corpus / Foto: PLÁGINA UM

    A génese do projecto remonta a 2022, quando o jornal detectou a retirada da Internet de bases de dados públicas que permitiam escrutinar a situação hospitalar.

    O que se seguiu foi uma batalha judicial de quatro anos contra a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS). Mesmo após três vitórias em tribunal — incluindo no Supremo Tribunal Administrativo —, a ACSS resistiu, enviando inicialmente dados “mutilados” e “gozando com o pagode”, numa tentativa de ocultar o desempenho de unidades de saúde específicas e a residência dos utentes. A entrega total dos dados só ocorreu após a ameaça de aplicação de multas diárias por incumprimento.

    Os dados agora disponíveis no CORPUS permitem também desafiar narrativas oficiais, e talvez por isso os dados estivessem a ser escondidos.

    Plataforma Corpus / Foto: PÁGINA UM

    Por exemplo, contrariando a percepção pública de um colapso generalizado dos hospitais na pandemia de covid-19, “os anos 2020 e em plena pandemia [os hospitais] tinham menos internamentos hospitalares na sua totalidade do que os anos anteriores”. Embora houvesse pressão extrema na pneumologia, o CORPUS revela que outros sectores tinham camas vazias, o que resultou numa menor actividade hospitalar em diagnósticos e tratamentos de outras doenças. “Aquele caos hospitalar que se referia era um caos inventado. Havia, de facto, uma pressão muito grande em determinados sectores… nos outros não”, sublinhou Pedro Almeida Vieira.

    O CORPUS permite também, por exemplo, comparar a eficácia dos hospitais. É possível analisar a probabilidade de sobrevivência a um enfarte em diferentes Unidades Locais de Saúde (ULS), revelando assimetrias que o Estado tende a ocultar: “esta base de dados permite dar essa informação. Por isso mesmo é que nós lutamos para ter uma base de dados que tivesse a identificação da ULS… o Estado não gosta de mostrar”.

    O CORPUS distingue-se, em termos técnicos, pela utilização de inteligência artificial para democratizar o acesso a dados complexos.

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    Foto: D.R.

    Através de um “chat”, os utilizadores podem fazer perguntas em linguagem natural, que o sistema converte automaticamente em código de programação (SQL ou Structured Query Language) para consultar a base de dados. Esta funcionalidade permite desde consultas simples sobre doenças comuns até à geração de relatórios detalhados sobre temas específicos, como a interrupção voluntária da gravidez ou taxas de letalidade por grupo etário.

    Um dos aspectos mais marcantes do projecto foi a sua concretização sem qualquer apoio financeiro público ou de comunitário. Após a rejeição opaca por parte da Universidade Nova de Lisboa de uma candidatura a uma linha de fundos europeus, o PÁGINA UM decidiu avançar sozinho.

    Esta experiência levou Pedro Almeida Vieira a reflectir, citando o economista Nuno Palma, sobre o “vício dos fundos europeus”, que muitas vezes obstaculiza a iniciativa em vez de a dinamizar. “A questão aqui é: será que tinham que vir fundos comunitários para avançar o projeto, mesmo que o projecto depois possa morrer?”, questionou. A conclusão é que não eram necessários fundos europeus.

    clear medical hose
    Foto: D.R.

    Sendo um projecto que acarreta custos elevados de processamento — cada pergunta feita à inteligência artificial tem um custo real para o jornal —, o CORPUS adopta um modelo híbrido de acesso. Existe uma versão de acesso livre para doenças comuns, mas o acesso total e a geração de relatórios detalhados requerem uma subscrição ou o uso de créditos.

    No entanto, Pedro Almeida Vieira assegurou que a lógica não é comercial no sentido tradicional: “o objectivo não é ganhar dinheiro com os dados públicos, é fazer crescer a plataforma para adicionar mais bases de dados ou mais informação… sempre em prol da transparência e conhecimento daquilo que é a realidade da Saúde” em Portugal. A subscrição para acesso total aos dados da Plataforma tem um valor mensal de 19 euros.

    O futuro do CORPUS depende agora da adesão dos cidadãos, médicos e investigadores, com o objectivo de se tornar uma ferramenta indispensável para o sector da saúde em Portugal.

    woman wears green face mask
    Foto: D.R.

    Para já, apesar do seu recente lançamento, o CORPUS conta com cerca de duas centenas de utilizadores e serviu já de base para a produção, pelo PÁGINA UM, de várias notícias sobre a saúde dos portugueses. Entre as notícias já publicadas, conta-se o dossier de três artigos da investigação do PÁGINA UM, baseada na análise do CORPUS, a quase 900 mil internamentos nos hospitais públicos em 2024. A notícia mais recente dá conta que, em Portugal, a interrupção voluntária da gravidez atingiu um máximo histórico em 2024, na sequência de um aumento de 30% registado desde o ano de 2021.

    Para os médicos, investigadores e demais interessados em elaborar pesquisas a partir da Plataforma CORPUS, muitos outros temas e dados poderão ser explorados e analisados, bastando para isso proceder apenas ao respectivo registo e subscrição, os quais são necessários para cobrir os custos tecnológicos envolvidos.