Vivemos em tempos nada convencionais, onde o preto se torna branco, o certo se confunde com o errado e a moral se desvanece na imoralidade. Parece que a harmonia está em falta nos tempos actuais. Será este o capítulo contínuo da fórmula ancestral utilizada pelo escol para nos dominar: problema, reacção, solução? Vivemos propositadamente num incessante pavor, num turbilhão perpétuo de confusão.
No último fim-de-semana, tivemos um ataque do Irão a Israel, através do lançamento de uma chuva de mísseis e drones. Porém, para espanto – ou assim nos dizem os órgãos de propaganda -, a Cúpula de Ferro de Israel, essa “maravilha da tecnologia”, funcionou com uma precisão imaculada, anulando qualquer ameaça. É fascinante contemplar uma pequena nação, rodeada de inimigos, na vanguarda tecnológica, destemida, mesmo perante ataques com armas sofisticadas e letais.
Comparem com a tragédia do último 7 de Outubro. Os “corajosos” militantes do Hamas decidiram fazer uma visita a Israel, não apenas por terra ou mar, mas também pelo ar, sim, de parapente! O mais incrível é que isso aconteceu sem que os guardiões da fronteira mais vigiada do mundo, com todo o seu aparato tecnológico, se tivessem dado conta do que estava a acontecer. Durante horas a fio, os intrépidos membros do Hamas tiveram o luxo de assassinar, violar e fazer reféns à vontade, sem encontrar qualquer tipo de resistência ou alerta dos sistemas de vigilância. Passámos da idade da pedra à guerra das estrelas numa questão de meses.
Agora, a insanidade nacional, tão cativante na sua extravagância. Um dos nossos estimados órgãos de propaganda, sob a sábia direcção do seu ilustre director, decidiu brindar-nos com uma revelação de tirar o fôlego: o governo recém-empossado, num acto de “completa surpresa para todos”, teve a ousadia de nos mentir! Num tom pungente e indignado: “É mais que um embuste. É enganar os portugueses!”.
Realmente, é jocoso pensar que a nobre classe parasitária, que tão gentilmente nos assalta há meio século, poderia, por um segundo sequer, abster-se de nos privar de mais alguns tostões. Ainda mais hilário é quando nos asseguram que se tratava, afinal, de uma redução apenas ligeiramente menor, como se estivessem a tentar convencer-nos de que a mão do assaltante estava apenas um pouco menos profunda no nosso bolso. O que realmente me surpreende é que haja milhões de portugueses e, pelos vistos, alguns “jornalistas” que ainda engolem estas patranhas: de que nos vão “restituir” os “nossos” suados impostos!
Noutro órgão de propaganda, desta vez inteiramente pago pelos “nossos impostos” – se fossem nossos, não teríamos de os pagar! -, a comentadora de um programa semanal sobre política lançava-nos esta pérola: “…para haver mais democracia, as redes têm de facto mandar calar os seus utilizadores”, numa clara defesa da liberdade de expressão e de respeito por opiniões contrárias. Fica sempre a pergunta: alguém a pode mandar calar?
Os sábios comentadores deste país maravilhoso asseguram-nos que está tudo a correr pelo melhor com a imigração. Sentados confortavelmente nos seus SUVs, desfrutando das casas no centro de Lisboa, provavelmente no Príncipe Real, sentem-se invariavelmente muito satisfeitos com os imigrantes: servem-nos à mesa, entregam-lhes comida em casa, limpam-lhes a casa, um sem fim de glórias a preço de escravo. Enfim, os imigrantes adicionam sempre um toque “cosmopolita” à coisa e, claro, para eles, o fenómeno nunca representa qualquer ameaça à sua segurança e bem-estar.
Neste contexto, foi bem elucidativo o acontecimento pitoresco na praia do Tamariz, Estoril, no último fim-de-semana: um combate de boxe entre jovens em pleno areal, com uma turba em seu redor a fazer apostas. Ali, tivemos a confirmação de que esses jovens imigrantes não só não representam nenhum problema de segurança, como também serão os nossos salvadores financeiros, ajudando-nos generosamente a pagar as “nossas reformas”. Os tais comentadores ainda têm a coragem de ficar surpresos com o sucesso do “partido fascista”.
Na incansável batalha antifascista travada pelos nossos estimados órgãos de propaganda, fomos brindados também com uma entrevista imperdível. Um “escritor e ex-militar” decidiu partilhar a sua perspicaz visão sobre o “partido fascista”, declarando solenemente: “Os líderes da extrema-direita representam a escória da sociedade”. Reparem bem: aqui não se trata de discurso de ódio, não! Trata-se apenas de um facto incontestável, um veredicto irrevogável: são simplesmente a escória, e ponto final. A doçura da democracia em pleno vigor!
Por fim, deram-nos a conhecer cafés nos EUA que podem ajudar a “aliviar a ansiedade da crise climática” nos jovens norte-americanos. Em relação aos jovens da praia do Tamariz, estou seguro de que não necessitam de frequentar tais estabelecimentos. Aliás, seguramente que o boxe no areal resolve todos estes problemas de ansiedade com a máxima rapidez.
Neste sentido, recomendo ao Diário de Notícias que faça uma reportagem sobre estes jovens, pois estou certo que ansiedade climática é que coisa que não abunda por ali. Aliás, devia ser exportada para os Estados Unidos, como mais uma solução para a “ansiedade climática” que tanto afecta a juventude.
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
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No livro 1984 de George Orwell, as crises e as guerras são elementos cruciais para manter o regime totalitário no poder. O governo do Estado fictício da Oceânia é habilmente manipulador, controlando a população através do medo, da vigilância e da manipulação da informação.
O regime totalitário da Oceânia mantém o seu poder ao manter a população num estado de medo constante, criando inimigos externos imaginários. O país está constantemente em guerra com uma entidade indefinida, conhecida como “Eurásia” ou “Lestásia”, e os cidadãos são ensinados a temê-la e a odiá-la. Esse inimigo externo serve de bode expiatório conveniente para desviar a atenção das falhas internas do regime e justificar o controlo rígido do governo sobre a vida dos cidadãos.
O governo controla a narrativa histórica e manipula os factos de acordo com os seus próprios interesses. O Ministério da Verdade é responsável por reescrever a história para a alinhar com os objectivos do regime. Isso inclui apagar ou distorcer eventos passados para a manutenção do poder. Crises e guerras são retratadas de maneira distorcida para justificar as políticas do governo e garantir a lealdade dos cidadãos.
As crises e as guerras contínuas justificam um estado de vigilância constante sobre os cidadãos. Os métodos de vigilância permitem ao governo observar e ouvir as actividades dos cidadãos nas suas próprias casas. São apresentados como necessários para proteger o país da ameaça externa. O medo do inimigo externo é explorado para manter a conformidade, a obnóxia e a obediência da população.
Os conflitos bélicos não justificam unicamente a vigilância da população, também servem para desviar recursos e energia da população. Os cidadãos são mantidos ocupados com o esforço de guerra e são incentivados a sacrificar as suas próprias necessidades em nome do suposto bem comum, ajudando, desta forma, a manter o controlo da população, ao mesmo tempo que se desencoraja qualquer forma de descontentamento ou rebelião.
Há 38 anos, Portugal aderiu à Comunidade Económica Europeia (CEE), que posteriormente se tornou a União Europeia (UE), criada pelo Tratado de Maastricht, assinado a 7 de Fevereiro de 1992. De um simples mercado comum, hoje temos uma União Política, semelhante a um Estado Federal.
Taxa de crescimento real (%) anualizada da Economia portuguesa para diferentes períodos desde 1954. Fonte: Banco de Portugal. Análise do autor
O Tratado de Maastricht estabeleceu a União Europeia como uma nova entidade política e económica, introduzindo a noção de cidadania da União. O aspecto mais relevante foi a criação da união monetária, nomeadamente a moeda única, o Euro, e o respectivo emissor único: o Banco Central Europeu (BCE).
Na sua aprovação, foi utilizado um dos métodos favoritos dos burocratas de Bruxelas: “votam até votarem bem”. A Dinamarca rejeitou o tratado num referendo realizado em 1992. No entanto, após algumas negociações e concessões por parte da União Europeia, um segundo referendo foi realizado em 1993, aprovando obviamente o tratado. Este método foi repetido com a Irlanda na aprovação do Tratado de Nice: votaram duas vezes até dar a votação certa. Também tivemos os franceses e holandeses a votarem contra o Tratado de Nice e a Constituição Europeia, mas, como sempre, a “Europa” avançava de forma inexorável.
Tivemos assim a soberania monetária dos Estados-Nação transferida para um gigantesco monopólio. Na verdade, uma impressora de dinheiro que serve exclusivamente os interesses da “casta parasitária”. O “dinheiro grátis, através de taxas de juro muito abaixo das que seriam estabelecidas num livre mercado, gerou uma sensação de riqueza às populações. Estas desatavam a comprar casas, a desfrutar de férias exóticas, enfim, a consumir desenfreadamente. Foi a era do “financiamos a sua casa, os sofás e as suas férias de sonho”.
.Evolução da dívida pública portuguesa desde 1954 a 2023 (Unidades: milhões de €; em % do PIB). Fonte: Banco de Portugal. Análise do autor
Para além do endividamento sem paralelo das populações, em lugar da promoção do aforro, a casta parasitária também retirou dividendos do “dinheiro grátis”: estádios sem espectadores, aeroportos sem passageiros, mais de uma auto-estrada a ligar o mesmo trajecto, parcerias público-privadas leoninas a favor dos privados, em que estes tinham retornos assegurados independentemente do sucesso da iniciativa, na verdade, um sem número de glórias que asseguravam vitórias eleitorais e o enriquecimento fácil.
A festa, obviamente, terminou em crise, sempre fundamental para o avanço do totalitarismo, onde se aplicava invariavelmente a fórmula: crise artificial, problema e solução; garantindo mais e mais poder ao escol que nos parasita. Foi a denominada crise da dívida soberana europeia, iniciada em 2009 com a bancarrota grega, depois da gloriosa jornada olímpica de Atenas. Em Portugal, em Abril de 2011, o Grande Engenheiro anunciava-nos a terceira bancarrota da “democracia”.
Foram logo necessários fundos para ajudar os países em apuros. Criado em Maio de 2010, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) foi estabelecido como um fundo temporário para fornecer assistência financeira aos países da Zona do Euro em “dificuldades” – tradução: tinham sido objecto de uma gigantesca roubalheira. Mais tarde, foi substituído pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), agora com carácter permanente, que passou a poder “levantar fundos nos mercados financeiros”. Por outras palavras, os Estados-Membros capitalizavam o fundo com a emissão de dívida pública; seguidamente, o fundo emitia dívida para obter mais fundos nos mercados! Nem o Sr. Madoff apresentara tamanha criatividade.
O BCE também teve um prémio com a “crise”. Anunciada como resposta à crise da dívida soberana europeia e visando “fortalecer a supervisão financeira na zona do euro”, em 2014, o BCE passava a supervisionar directamente os maiores bancos da zona do euro, com o objectivo de “aumentar a transparência e a estabilidade” do sector bancário – vejam: mais poder, mas em nome de um bem maior: a segurança dos nossos bancos!
Em 2020, surgia uma nova crise, despoletada com o aparecimento de um novo inimigo, desta vez invisível: um “vírus”. A “guerra” foi travada pela constituição de um Fundo de Recuperação da União Europeia, também conhecido como NextGenerationEU – o nome é pomposo! Com um valor inicial de 750 mil milhões €, estabelecido com o intuito de dar “apoio financeiro” aos Estados-Membros mais afectados. Como foi financiado? A União Europeia passou a emitir dívida pública e não apenas os Estados-Membros.
Ou seja: os Estados-Membros decidiram arruinar as suas economias, decretando confinamentos ilegais e o encerramento de negócios e escolas, e, por isso, necessitavam de apoio! Como? Roubando uma vez mais as populações; desta vez, com a impressão massiva de dinheiro, anunciada oficialmente pelo BCE com o lançamento do Programa de Compras de Emergência Pandémica (PEPP), um “mecanismo de estabilização” dos mercados de títulos, visando “manter baixas as taxas de juro”. Desta vez, foram uns juros 0% para a plebe correr a comprar casas.
Em paralelo, de forma coordenada, todos os Estados-Membros decidiram manter sobre as populações um clima de terror: fraldas faciais, distanciamento social, álcool-gel, idosos abandonados, alunas sem aulas presenciais, limitações ao direito de deslocação, prisões domiciliárias ilegais, um sem fim de tropelias. O clímax da coisa tinha um propósito: através da União Europeia, adquirir mais de 71 mil milhões de Euros em “vacinas” salvíficas, desenvolvidas numa questão de meses e consideradas desde logo “seguras e eficazes” e como a única arma para vencer o “vírus”.
Evolução do balanço do BCE, em biliões de euros) entre Março de 2020 e Março de 2024. Fonte: Banco de Portugal. Análise do autor
Para coagir a população a tomá-las, a União Europeia aprovou em Março de 2021 um instrumento de segregação: o certificado nazi, mais conhecido por Certificado Digital Covid-19, apesar de saberem, desde o início, que não impediam a transmissão do terrível “vírus”. O resultado de tudo isto tornou-se evidente nos preços internacionais das matérias-primas, que dispararam até ao início da guerra na Ucrânia, precisamente o contrário do que nos dizem os órgãos de propaganda.
Entre 11 de Março de 2020, data da declaração da “pandemia” pela OMS, ao dia 23 de Fevereiro de 2022, o dia anterior à invasão da Ucrânia pela Rússia, o Petróleo subiu de 29,1 € por barril para 81,3 € por barril, uma subia de 179%, a um ritmo anualizado de 69%. A partir dessa data, mudámos de inimigo: do terrível “vírus” para os tenebrosos russos; uma autêntica manobra de diversão para nos fazer esquecer a roubalheira e as tropelias da guerra ao “vírus”.
A putativa pandemia e a guerra na Ucrânia têm servido para maiores transferências de poder para a União Europeia, agora até se fala em enormes recursos para o exército europeu e no regresso do recrutamento obrigatório, a fazer dos jovens escravos do Estado. Para o absoluto totalitarismo já pouco falta; farão agora avançar: a Identidade Digital Europeia, o Euro Digital, a Censura às Redes Sociais e a “Crise Climática”.
Subida/descida anualizada (%) das principais matérias-primas entre 11 de Março de 2020 e 23 de Fevereiro de 2022 (véspera do início da Guerra na Ucrânia). Fonte: Yahoo Finance. Análise do autor.
A Identidade Digital será, como sempre, para o nosso bem. Servirá para nos proteger do terrorismo, que todos sabemos ser responsabilidade dos Estados, já que estes invadem países, destroem infra-estruturas milionários (quem não se lembra do gasoduto Nordstream) e assassinam milhões de pessoas inocentes, como foi o caso do Iraque e do Afeganistão, e agora, o caso da Ucrânia e da faixa de Gaza. Servirá para nos proteger da imigração ilegal: sem identidade digital, não entram. Também servirá para nos proteger numa nova “pandemia”: tem ou não as vacinas em dia? Não, então não pode viajar. Para melhorar, dizem-nos que várias zonas do globo vão criar tal sistema, por forma a assegurar a interoperabilidade entre os diferentes sistemas; que mundo maravilhoso, não é?
O Euro Digital será outra maravilha que se aproxima. Reparem, tal como a Identidade Digital, ninguém o pediu, ninguém o referendou, ninguém o aprovou. Dizem-nos que é para manter a competitividade do sector público face ao dinheiro digital privado. Que não será anónimo.
Vão saber o que consumimos, a hora do consumo, as nossas preferências, quanto consumimos, onde consumimos. As possibilidades são infinitas. Para agravar a coisa, o Euro Digital poderá ser programável. Assim, num novo confinamento ilegal, deixará de funcionar num raio superior a 500 metros de casa; ou quando excedamos a nossa quota de consumo de combustíveis fósseis. Será, como sempre, para o nosso bem. Tal como a Identidade Digital, também será interoperável com outras Moedas Digitais dos Bancos Centrais, por forma a não lograrmos fugir para lado nenhum!
O Ministério da Verdade de George Orwell já foi criado: chama-se Digital Services Act. Os burocratas de Bruxelas são agora a fonte da verdade. Dizem-nos que serve para combater a desinformação que pulula nas plataformas digitais, quando na verdade se trata da mais abjecta forma de censura.
Estranha-se tal preocupação, pois os governos e os seus órgãos de propaganda não fizeram outra coisa que disseminar desinformação e mentiras durante a putativa pandemia. Nada era verdade. O que na realidade pretendem é acabar de vez com a nossa liberdade de expressão. Um exemplo disto é a recente perseguição à rede X por parte do Juiz Alexandre Morais, em representação do Estado brasileiro, demonstrativo do incómodo que a nossa liberdade de expressão representa hoje para os Estados.
Por fim, as “alterações climáticas”, onde iremos todos morrer se não corrermos a salvar o planeta. Dizem-nos que é um problema – que na verdade não existe – “global”, que existe uma solução global. Tal como as “pandemias” exigem um tratado pandémico, em que o poder de decisão ficará nas mãos de um burocrata não eleito, aqui também se reunirão um conjunto de peritos, não sujeitos a qualquer escrutínio, que determinarão os impostos de carbono e outras patifarias, como os confinamentos climáticos.
Subida/Descida anualizada (%) das principais matérias-primas entre 23 de Fevereiro de 2022 (dia anterior ao início da Guerra na Ucrânia) e 5 de Abril de 2024. Fonte: Yahoo Finance. Análise do autor.
De uma “crise climática”, teremos uma crise de saúde, derivada da “ansiedade climática”. Também teremos uma crise alimentar, em resultado da diminuição das áreas de pasto das vacas, por forma a eliminar o metano na atmosfera libertado pela flatulência das vacas. O Euro Digital também ajudará a combater a crise climática, condicionando comportamentos “inimigos do clima”. Podemos imaginar por onde a coisa caminha!
Nas próximas eleições europeias, os candidatos apresentar-nos-ão a União Europeia como a eterna vaca leiteira dos subsídios e dinheiro mágico, onde os nossos dirigentes se dobram à grande líder para obter os fundos que irão pagar os empregos dos seus amigos e clientelas; ou irão contar-nos a verdade? Que se trata de uma organização totalitária, inimiga das liberdades individuais, que importa colocar um fim rápido?
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
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No último dia 10 de Março, tivemos as tão esperadas eleições legislativas, em que a Aliança Democrática – desconsiderando o PPM – ganhou com o menor número e percentagem de votos de sempre. Em 1980 obteve 2,707 milhões de votos (44,91%), em 1979 contabilizou 2,554 milhões de votos (42,52%), em 2015 registou 1,994 milhões de votos (36,86%) e, agora, em 2024 foram 1,867 milhões de votos (28,84%).
Em 2022, PSD e CDS considerados juntos obtiveram uma percentagem superior de votos (29,27%) do que a Aliança Democrática em 2024. Podemos, assim, considerá-la uma vitória de Pirro, atendendo que não existe qualquer maioria de “direita” no Parlamento – supondo que as promessas das “linhas vermelhas” e do “não é não” são para manter.
A única vitória do regime foi, uma vez mais, a manutenção da maioria de dois terços dos deputados – suficiente para aprovar revisões constitucionais – pelos dois partidos socialistas, o PS-1 (Partido Socialista) e o PS-2 (PSD). Com uma percentagem de apenas 56,84%, muito inferior aos 66,6% correspondentes aos dois terços, continuam a controlar 68% dos deputados (156 deputados e tendo em conta os dois deputados do CDS) na Assembleia da República.
Mais uma vez, sem plebiscitarem as suas propostas de revisão constitucional durante a campanha eleitoral, é provável que voltem à carga com uma nova tentativa de alterar a Constituição da República Portuguesa (CRP). O objectivo é o de sempre: tornar possível que um funcionário administrativo, em lugar de um juiz, decrete a prisão domiciliária de um cidadão em nome do combate a um “vírus”.
Mas não só, também acomodará na CRP o novo tratado pandémico da Organização Mundial de Saúde (OMS), onde o Sr. Tedros, um personagem “eleito” e “mui” conhecido dos portugueses, decidirá se podemos entrar no avião ou se seremos obrigados a tomar a próxima substância experimental, em nome do combate à doença X – ainda não existe mas já se estão a preparar.
Do lado dos vitoriosos: o PS-1; depois da saída de 11 ministros e secretários de Estado em pouco mais de um ano, de 3,2 mil milhões € do “nosso dinheiro” na bancarroteira TAP, da pancadaria no Ministério das Infraestruturas, dos despedimentos por WhatsApp, das indemnizações de meio milhão de Euros ao final de 7 meses de trabalho, de uma secretária de Estado da Agricultura que tomou posse e demitiu-se em apenas 26 horas, devido a um processo judicial do marido, da operação Influencer e dos 75 mil € encontrados no escritório do chefe de gabinete do primeiro-ministro, ex-assessor do “grande engenheiro”, é absolutamente extraordinário que ainda existam 1,8 milhões de portugueses a votar no PS-1! Deveria ser um caso de estudo internacional.
O grande derrotado foi claramente o PCP, reduzido agora a apenas 4 deputados. Daqui a uns tempos, talvez tenhamos de criar uma reserva ou um museu para encontrar comunistas em Portugal. Apesar de tudo, temos de enaltecer o seu respeito pela CRP, ao contrário da extrema-esquerda caviar (Bloco de Esquerda e Livre); hoje, globalista e defensora do projecto totalitário, conhecido por União Europeia.
Recordemo-nos que há quatro anos foram favoráveis às restrições das nossas liberdades individuais durante a putativa pandemia; nos próximos tempos, iremos certamente vê-los a apoiar a “transição verde”, o envio de tropas para a Ucrânia, a identidade digital da União Europeia e as demais tropelias que se avizinham.
Em relação aos nossos “liberais”, mantiveram os seus oito deputados, o que se pode considerar uma vitória, tendo em conta o saneamento de Carla Castro ao melhor estilo estalinista, depois de se ter atrevido a candidatar-se à liderança do partido.
Mas importa destacar o grande vencedor: o partido Chega, que obteve a maior votação de um terceiro partido desde o início da “democracia”. Ligeiramente acima da percentagem obtida pelo PRD em 1985 (17,92%) e com mais 5 deputados, num total de 50.
Apresentou-se com um programa socialista e com todas as bandeiras: aumento vertiginoso de pensões, impostos sobre “lucros extraordinários”, impostos sobre os “lucros da banca” e favorável à manutenção da bancarroteira nacional nas “nossas mãos”. O único ponto polémico: a introdução de controlos sobre a imigração vigentes há poucos anos em Portugal, nada mais.
Assim, gera a maior das perplexidades a acrimónia para com o Chega por parte dos órgãos de propaganda, que decidiram proporcionar-nos debates de pouco mais de 20 minutos durante a campanha eleitoral, onde os seus “comentadores”, durante horas a fio, destilavam o seu veneno ao Chega, em particular ao seu líder André Ventura.
Mais hilariante foi o período pós eleição, nos múltiplos debates e comentários para comentar os resultados. Quem melhor que o canal que nos obrigam a pagar com vários milhares de milhões € para ouvirmos estas pérolas “democráticas”: os deputados do Chega não são mais que “assaltantes de caixas de esmola”; um partido “neofascista”, “racista”, “xenófobo” e “nazi”! Atenção: “nazi”.
Para não ficar atrás, o comentador Miguel Sousa Tavares informou-nos que as ideias do Chega são “antidemocráticas e contra o Estado de Direito”. É estranho, será que o Tribunal Constitucional não fez o seu trabalho?
O comentador João Maria Jonet não quis ficar atrás, dando-nos uma ideia do local onde o Chega encontrou os seus deputados: “Quem irá ser o quadragésimo deputado do Chega, vão buscá-lo a uma valeta?, sabe ler e escrever?, sabe falar em público?”
A cereja no topo do bolo, surgiu da pena de Luísa Semedo, numa coluna de opinião do jornal Público: “Não consigo deixar de olhar hoje para criaturas como Netanyahu, Putin, Trump, Bolsonaro, Orbán ou Ventura e não pensar nos primatas que são”! Enfim, uma macacada.
Por fim, a principal surpresa: os mais de 100 mil votos no ADN. No dia das eleições disseram-nos que havia milhares de pessoas a engarem-se no voto; aparentemente desejavam votar na AD, em lugar do ADN.
Estranha-se, pois nunca vimos tal erro entre os dois partidos socialistas, onde apenas se diferenciavam pela letra D durante múltiplas eleições. Aparentemente, os órgãos de propaganda julgam não existir portugueses revoltados com o que se passou há quatro anos: os confinamentos ilegais, a coacção para a toma de substâncias experimentais, a mortalidade excessiva, os atropelos às liberdades individuais, as fraldas faciais em crianças, a morte ao abandono dos idosos nos lares. Parasse que nada disto existiu, pelo que “são incompreensíveis” as razões para o voto no ADN, para além do erro.
Mas tenhamos esperança e alegremo-nos, pois dizem-nos que a herança do PS-1 não podia ser melhor: um excedente orçamental de 4,33 mil milhões €, algo inédito na “democracia”. Olvidam-se, no entanto, de mencionar a colossal dívida pública: 271 mil milhões € em Janeiro de 2024; bem como as dívidas da “Segurança Social” não reconhecidas nas contas do Estado. Reparem, a este ritmo necessitaríamos de 63 anos para pagar a dívida pública. Não é fantástico tudo isto?
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
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A campanha eleitoral para as legislativas de 10 de Março está prestes a terminar e entra agora nos seus últimos dias. Será que foi esclarecedora? Os temas essenciais foram debatidos com a necessária profundidade? As soluções propostas pelos candidatos fazem sentido?
Parece-me que o esclarecimento foi praticamente inexistente. Podemos atribuir a culpa aos principais órgãos de informação nacionais – hoje apenas canais de propaganda –, que nos serviram debates a dois entre os principais líderes dos partidos com assento parlamentar, com cada um a falar apenas 15 a 20 minutos, fazendo-se impossível expor uma ideia com princípio, meio e fim. Talvez esse tenha sido sempre o propósito.
Não satisfeitos, serviram-nos uma pletora de comentadores, todos com um enorme viés ideológico e partidário, a falar horas sem fim, em lugar dos candidatos, que nos impingiam os vencedores e os perdedores, como se fôssemos incapazes de interpretar o que acabáramos de assistir.
No que respeita aos temas essenciais, quase todos ficaram de fora. Seja por simplesmente terem sido esquecidos, seja por serem discutidos de forma superficial. Agora que vamos “celebrar” os 50 anos de Abril, reparem que a classe parasitária nunca discute o medíocre desempenho económico da “democracia”.
Evolução do PIB português desde 1953 (1953=100) tendo por base as taxas anuais de crescimento real; Fonte: Banco de Portugal
Por que razão a “democracia” é incapaz de nos fazer convergir com os países mais ricos, ao contrário do que ocorreu durante o Estado Novo? Por que razão as taxas de crescimento são ridículas em comparação com os anos 60 e início dos anos 70 do século transacto? Qual a razão da estagnação económica dos últimos 23 anos, que impossibilita a subida dos salários e expulsa os jovens qualificados do país? Nada disto foi verdadeiramente discutido. Um louvor à Iniciativa Liberal por ter proposto uma redução do roubo, sem, no entanto, explicar-nos os necessários cortes na despesa pública para financiar tal medida.
Ninguém teve a coragem de afirmar uma evidência: o Estado Social é um embuste. A Segurança Social é um esquema em pirâmide absolutamente inviável. Apesar disso, ainda tiveram o despudor de propor subidas vertiginosas no valor das pensões, muito acima do crescimento da economia, ocultando, ao mesmo tempo, de que são os trabalhadores activos, hoje tributados em 60 e 70% (impostos acrescidos de “contribuições”), a pagar a conta.
Como podemos observar na Figura 2, nos anos 60 tínhamos 43 trabalhadores activos por pensionista; hoje, temos 1,7 trabalhadores activos por pensionista. Tal significa que os jovens que entram hoje no mercado de trabalho têm de ganhar um salário si e para um pensionista!
Evolução 1960-2021 do número de trabalhadores activos e pensionistas; rácio de cobertura trabalhador activo vs. pensionista (Unidade: milhares); Fonte: Pordata
Ninguém foi capaz de explicar o funcionamento de um modelo de capitalização, a única alternativa a este modelo, em que o dinheiro vai para um “porquinho” e é investido nos mercados financeiros, seja em acções ou obrigações.
Vejamos então um exemplo para darmo-nos conta da gigantesca fraude que nos é vendida há décadas. Imaginemos um “milionário” que aufere 1.000 euros por mês, isto significa que “entrega” todos os meses 110 euros à “Segurança Social”, enquanto o seu empregador 237,5 euros. Supondo que trabalha 43 anos, dos 22 aos 65, e tem uma esperança de vida de 80 anos; assim, estará a receber por 15 anos do dinheiro no “porquinho”.
Se fosse aplicado a 1%, iria ter uma reforma de 1.244 euros/mês; se aplicasse a 10%, teria uma reforma de 16,5 mil euros por mês. Este último valor não é nenhuma impossibilidade, se tivermos em conta que o mercado norte-americano, em particular o índice S&P 500, gerou um retorno anual de 11% durante os últimos 50 anos, com uma inflação de 3,9% por ano para o mesmo período – um retorno real em torno de 7%. Por outro lado, se este “milionário” falecer aos 50 anos, alguém lhe devolve os “descontos”?
Outro dos temas que deveria ter sido abordado é o fracasso completo da escola pública. Na última ordenação decrescente dos resultados dos exames nacionais constavam apenas cinco escolas públicas nas primeiras 50. Ao final de meio século do regime, ainda nos apresenta 293 mil analfabetos, cerca de 3% da população – uma vergonha nacional. Nos últimos resultados de PISA, demos um grande tombo em literacia matemática (- 21 pontos), leitura (-15 pontos) e científica (– 7 pontos). Recentemente, ficámos no último lugar num estudo sobre literacia financeira da Zona Euro! Em conclusão: a escola pública limita-se a produzir analfabetos funcionais e continua a ser uma “vaca sagrada” que não merece discussão.
O mais impressionante foi nenhum político conhecer o custo do “Estado Social”: um roubo de 12,5 mil euros por pessoa, incluindo crianças e idosos; 50 mil euros por uma família de quatro pessoas. Não foi dito por uma simples razão: por que motivo não contratamos directamente a saúde, a educação a reforma, em lugar de o “entregar” a políticos, funcionários e burocratas? Ou melhor: se assaltam cada português em 12,5 mil Euros por ano, por que razão esperamos anos por cirurgias, horas e horas para sermos atendidos numa urgência?
Outra das questões fora dos debates foi o dinheiro e a inflação. Nenhum político teve a coragem –talvez ignorância – de explicar aos portugueses de que forma o dinheiro criado: por dívida. Cada vez que vamos a um banco e este nos concede um crédito, ocorre a criação novos euros, do nada. A única restrição são as reservas junto do Banco Central Europeu (BCE), que este pode criar de forma infinita em monopólio. Em concluso: os bancos podem imprimir dinheiro porque possuem uma licença bancária; se o comum cidadão pratica contrafacção de dinheiro vai preso.
Aplicação mensal de 347,5 € durante 43 anos aplicados a diferentes taxas de juro (Unidade: €); Fonte: análise do autor
Ninguém teve a coragem de explicar as razões da inflação que presentemente vivemos: o brutal incremento de Euros em circulação, em particular em 2020 e 2021, onde as taxas de crescimento anual foram de 12% e 11% respectivamente, os anos da putativa pandemia. Não foi a guerra na Ucrânia, nem os choques externos, mas as rotativas do BCE e dos bancos os verdadeiros causadores desta inflação que vivemos e que permitiu ao Estado português equilibrar o orçamento em 2023, pois as receitas de IVA e dos demais impostos directos dispararam com o este assalto silencioso chamado inflação. Alguém denunciou isto?
Também não houve qualquer discussão sobre o que se passou durante os três anos da putativa pandemia, em que tivemos confinamentos, restrições à liberdade de circulação, coacção para a toma de inoculações experimentais, prisões domiciliárias decretadas por um funcionário administrativo, um projecto de lei sanitária para nos transformar num regime totalitário e uma mortalidade excessiva desde 2020. Por que razão é um assunto tabu? Foi tudo perfeito? Não se discutem os efeitos adversos das vacinas e o seu impacto na mortalidade excessiva?
Qual a opinião dos dois principais partidos socialistas sobre o tratado pandémico da Organização Mundial de Saúde? Concordam com uma nova entrega de soberania a um órgão supranacional não eleito? A revisão constitucional que tentaram executar há meses é para voltar a repetir e que abrirá caminho à possibilidade de restringir a liberdade de uma pessoa em nome de um “vírus”?
Evolução da quantidade de dinheiro em circulação medido pelo agregado M2 entre 2000-2023 em Portugal (Unidade: milhões de Euros; %); Fonte: Banco de Portugal
Por fim, não se discutiu a avaliação do desempenho dos magistrados do Ministério Público: vão continuar impunes e a prender inocentes? Irá existir alguma penalização para os magistrados que acusam pessoas e depois prova-se nos tribunais que são inocentes? Os políticos fogem a estas questões sistematicamente, aparentemente com um enorme medo da justiça.
Todos estes assuntos sobreditos foram deliberadamente olvidados durante a campanha. Sem surpresa. Ao fim de 50 anos encontramo-nos pobres e miseráveis, sem rumo e cada vez com menos liberdades. Parece que apenas servimos para sermos espoliados todos os dias pelo Estado português.
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
N.D. Os textos de opinião expressam apenas as posições dos seus autores, e podem até estar, em alguns casos, nos antípodas das análises, pensamentos e avaliações do director do PÁGINA UM.
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Há dias, o autor do polémico livro As causas do atraso português, Nuno Palma, que recentemente deu uma entrevista ao PÁGINA UM, afirmava o seguinte acerca do facínora que tem uma estátua na principal avenida do país: “O Marquês de Pombal foi criminoso pelo impacto que as suas acções tiveram para o desenvolvimento do país, com efeitos até aos nossos dias. Ele é o político da História de Portugal que mais responsabilidade tem no actual atraso do país”.
A colossal estátua é uma homenagem ao crime, ao terror, à tirania, ao analfabetismo, à ignorância, ao retrocesso económico, à subserviência, ao culto do burocrata. Foi provavelmente o governante que mais atrasou Portugal em toda a sua história quase milenar. Ele abriu a porta para o que se seguiu. Alguns personagens da actual “democracia” fá-lo-iam orgulhoso!
Uma biografia de Pedro Sena-Lino sobre o Marquês de Pombal, publicada em 2020, De quase nada a quase Rei, merecia ser de leitura obrigatória em todas escolas; certamente lograria eliminar a propaganda – manuais de história, programas de televisão, livros – a que todos fomos sujeitos em relação ao personagem mais sombrio da nossa história.
Neste sentido, através do presente artigo, destaco alguns episódios.
Curriculum vitae manchado
D. João V, o pai de D. José I, casou-se com uma austríaca, Maria Ana Josefa de Áustria, pertencente à Casa de Habsburgo. O nosso Marquês de Pombal também se casou com uma austríaca, Eleonora Ernestina von Daun. Conheceu-a quando foi enviado a Viena pela corte de D. João V a intermediar um conflito entre o Sacro Império Romano e o Vaticano.
Depois do seu casamento com Eleonor, e terminada a sua missão em Viena como mediador, o Marquês de Pombal regressou a Portugal, passando a estar necessitado de emprego. A sua esposa ajudou-o nessa tarefa. Como? Tentou meter uma cunha junto da rainha, no sentido de o nomear ministro – designado então por secretário de estado.
Quando a cunha chegou a João V, qual era a opinião deste em relação ao ilustre Marquês de Pombal. Este respondeu assim à mulher, quando esta “fortemente instava para que o fizesse secretário de estado”, que o ex-enviado tinha “irremediáveis defeitos”. Mais: porque o Rei sabia-o “dotado de boa capacidade, delicadeza de engenho, e agudeza de juízo, tinha espírito sanguinolento, génio vingativo: era mal afecto à sua religião, desprezador do estado, e jurisdição eclesiástica, e tudo isto eram do seu conceito, circunstâncias muito atendíveis, que o inabilitavam para aquele ministério.”
O ancião D. João V era um sábio: já pressentia o verdugo em que se tornaria o notável Marquês de Pombal. Depois da morte deste, a ocultação de tal opinião, faz-nos recordar aqueles que são propostos na Europa com resumos biográficos contrafeitos, em que as trapalhadas do passado são dissimuladas e o favor sem pudor é evidente.
O instigador da Bufaria
Em 1756, o prócere Marquês de Pombal ainda não era o senhor absoluto do país, mas para lá caminhava; nesse ano, já era membro do governo há cinco anos, desempenhando o cargo de Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros.
Nas outras duas secretarias, encontravam-se Pedro da Motta, o Secretário de Estado do Reino – o mais importante cargo, equivalente à de um primeiro-ministro na actualidade – , e Diogo de Mendonça Corte-Real, o Secretário de Estado da Marinha e dos Negócios Ultramarinos.
Este último supervisionava o trabalho do irmão do Marquês de Pombal, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, o então governador do Brasil – o nepotismo dos irmãos Carvalho e Melo parece-nos familiar!
Ora, no início da 1756, Pedro da Motta faleceu, deixando vago o posto mais importante da nação. De imediato, os opositores do Marquês de Pombal iniciaram uma conspiração contra este, tentando afastá-lo não só do cargo, mas também do governo. Entre os conspiradores encontravam-se o Duque de Aveiro – depois envolvido e executado no processo dos Távoras – e Francisco Teixeira de Mendonça. Este último foi o autor de uma carta anónima escrita a um grande de Espanha.
Naquele tempo, esta forma de denegrir alguém consistia em escrever uma missiva sem autor, com a aparência de correspondência privada; mas fazendo-a, claro está, chegar à opinião pública: conventos, casas de nobreza, casas do comércio.
A carta punha a nu os podres do Marquês de Pombal: um alpinista social, que tinha chegado ao poder sem um tostão, carregado de dívidas, e possuidor de um enorme complexo de inferioridade, dado pertencer à baixa nobreza. A carta obviamente chegou ao conhecimento do Rei.
Em paralelo, os jesuítas realizaram um relatório sobre a administração do irmão do Marquês de Pombal, tal como sobredito, o então governador do Brasil. Claro está, com imensas queixas em relação a este último. Não espanta que depois tivessem sido perseguidos sem quartel, causando um desastre sem paralelo na educação da população portuguesa – um rifenho, que não perdoava.
Em face destas duas “bombas”, D. José I não actuou de imediato; solicitou uma auditoria do relatório dos inacianos a Lucas de Seabra da Silva, um homem então muito considerado e mestre de leis.
Os conspiradores acertaram na estratégia, mas cantaram vitória cedo; o sentimento de confiança era tal, que começaram a tratar de assuntos da corte, assumindo postos que ainda não lhes tinham sido confiados, trocando correspondência eles. Estas relações por escrito não escaparam aos inúmeros espiões colocados na administração da corte pelo insigne Marquês de Pombal. Este último mostrou-as a D. José I, tendo este ficado impressionado com a violência dos vitupérios ao seu ilustre ministro. A primeira “bomba” perdia o detonador.
Em relação à segunda “bomba”, a averiguação de Lucas de Seabra da Silva teve resultados: “a favor dos jesuítas e muito contra o governador”. O Marquês de Pombal, como exímio manipulador, logrou abordar Lucas de Seabra da Silva e solicitar-lhe a leitura do texto; no final, aconteceu o esperado: convenceu-o a modificar a versão, alterando-a a favor do mano e contra os inacianos. Era o mestre da conspiração palaciana.
Quando Lucas de Seabra da Silva foi chamado por D. José I para entregar as suas indagações, teve que apresentar uma desculpa, dizendo que teria de recolher esses documentos a sua casa. No regresso a esta, faleceu, tal o remorso que sentiu, dada a sua fraqueza em face da loquacidade sedutora do Marquês de Pombal.
Como terminou tudo isto? O ilustre marquês terminou nomeado para o almejado posto: Secretário de Estado do Reino.
Seguidamente, obteve a prisão de todos os conspiradores, através de legislação decretada no início do reinado de D. José I – sempre se encontra algo na legislação para destruir quem se opõe ao poder -, que assim rezava: “o prestígio dos representantes do poder majestático e a interditar de uma vez costumes antigos… como a factura e a distribuição de textos satíricos e libelos famosos.” A liberdade de expressão já era muito ampla naqueles tempos, tudo servia para calar as vozes incómodas!
Em paralelo, eliminou o seu principal adversário político: Diogo de Mendonça Corte-Real, o Secretário de Estado da Marinha e dos Negócios Ultramarinos. Este último, apesar de não ter participado na conjura, teve a ousadia de criticar publicamente o Rei: este era o culpado pelos constantes benefícios a favor do Marquês de Pombal. Qual o seu fim? Foi preso e deportado para Mazagão (antiga possessão ultramarina portuguesa no actual Marrocos).
Para terminar de forma espectacular, nomeou o seu irmão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, Secretário de Estado da Marinha e dos Negócios Ultramarinos! Este passou a ocupar o posto do pobre Diogo de Mendonça! O poder absoluto terminou entre os manos, pois o seu outro irmão, Paulo António de Carvalho e Mendonça, terminou como Presidente do Conselho do tribunal do Santo Ofício – o nepotismo não tinha limites! Isto faz-nos recordar algo, não?
O leitor pergunta, e então o instigador da bufaria? Ora, no final de tudo isto, para que nunca mais fosse possível outra conjura contra o sagrado Marquês de Pombal, decidiu emitir um “decreto específico que alargava os incitadores de ofensas contra ministros que despachassem com o monarca… e abrir e conservar uma devassa em segredo, e sem determinado número de testemunhas, onde pudesse qualquer pessoa ir delatar, sem receio de algum tempo, se poder revelar o segredo, toda a conspiração contra a vida dos ministros de Estado, nomeando para juiz dela um desembargador da sua confidência, e prometendo grandes prémios e perdão de culpas”.
Para os bufos, tudo! Parece que nada mudou desde então!
O enriquecimento pessoal por decreto
A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro foi fundada por um alvará de 10 de Setembro de 1756. A razão da sua fundação? Existia, segundo os seus promotores, “uma anomalia de mercado” que urgia corrigir: o planeador central sempre aparece, que nunca investiu um cêntimo do seu bolso, a opinar e a impor a sua vontade sobre o malvado mercado.
Qual era essa anomalia de mercado? Dizia-se que tinha “crescido o número dos taverneiros da cidade do Porto a um excesso extraordinário”, acusados de “adulterar” e “arruinar” o vinho. Faz sempre enorme confusão que alguém esteja interessado em enganar perpetuamente os seus clientes, como se estes fossem absolutos ineptos para aquilatar a qualidade do que compram.
A companhia era um monopólio; previa preços fixos de compra aos produtores – isto de concorrência é sempre desagradável, nada como preços fixados administrativamente –; e detinha o monopólio da exportação.
Os artigos da Companhia fixavam um território para a produção dos vinhos do Porto; mas eis que surge um aspecto curioso. O único território fora desta área delimitada coincidia – surpresa! – com a do “principal fornecedor individual”: as vinhas que pertenciam ao conspícuo Marquês de Pombal; segundo as suas palavras, os seus vinhos, produzidos em Oeiras, melhoravam o corpo e o paladar dos vinhos do Douro e davam-lhes uma cor mais forte. O topete do nosso Marquês não tinha limites!
O homem não tinha qualquer rebuço para se enriquecer a si e aos seus acólitos. O seu amigo, o dominicano frei João de Mansilha, descendente de uma família de vinhateiros e que participou na elaboração dos artigos da Companhia, também tinha incluído na região demarcada quintas de parentes seus!
Em 1773, atravessando problemas de liquidez, o nosso amado Marquês de Pombal propôs a Francisco Mendanha a venda da sua Quinta do Porto de Vila Velha de Ródão, pois fazia todo o sentido: a propriedade era contígua à propriedade de Francisco Mendanha, tinha enorme rendimento, dado que se beneficiava do comércio portuário. Perante tal magnífico negócio, Francisco replicou que o preço pedido pelo Marquês de Pombal não fazia qualquer sentido, dado que a quinta não era mais que “umas casas de pedra, e barro…”. Mas eis que surge a nossa ilustre figura histórica: prometeu-lhe que a expensas do Governo, far-se-iam enormes melhorias na propriedade, permitindo que esta se beneficiasse ainda mais do comércio portuário.
O dinheiro público a olear um negócio privado, nada que pareça invulgar nos nossos dias! O homem acabou convencido; no entanto, mais tarde, solicitou a anulação do negócio. O que lhe aconteceu, em consequência de tal desfaçatez? Foi parar à cadeia, e teve sorte em não ter perdido a vida. O tratamento era sempre o mesmo para adversários e revoltosos – ninguém brincava com o todo-poderoso Marquês de Pombal.
No final da vida, o Marquês de Pombal era proprietário de um enorme império imobiliário. Segundo a sua versão, tal façanha apenas provinha dos seus salários de funcionário e heranças – na verdade, uma montanha de dívidas – que tinha recebido. Onde é que já vimos uma história igual?
Para construir e valorizar tal império imobiliário, muitas dúvidas surgiram sobre a sua origem e métodos. Desde obras no porto de Paço d’Arcos, por forma a facilitar o escoamento dos seus vinhos da sua propriedade em Oeiras, realizadas à custa do erário público; à estrada entre Lisboa e Oeiras, por ele mandada construir, obviamente paga com recursos públicos, que obrigou a trabalhos complicados no Alto da Boa Viagem, para facilitar as suas viagens entre Lisboa e Oeiras ao fim-de-semana; ao palacete nas Janelas Verdes, herdada do seu irmão Paulo e que tinha pertencido à família dos Távoras – aquela que foi acusada e executada sem provas pela tentativa de regicídio; às casas arrendadas a um preço elevadíssimo a estrangeiros que vinham a Portugal fazer negócios com investimento público, como foi o caso do seu amigo Ratton, que geriu a fábrica de chapéus na Rua Formosa, tornando-a depois sua casa particular – actual sede do Tribunal Constitucional.
Mas a cereja no topo do bolo do seu império imobiliário foi o chafariz da Rua Formosa, onde o Marquês possuía vários imóveis, muitos por si “adquiridos” – muitas dúvidas existem na utilização do erário público para tais aquisições – durante a reconstrução da cidade após o terramoto. Foi-lhe autorizado pelo Rei a sua utilização apenas para “sobras”, com o propósito de levar água canalizada ao seu palácio e a outras suas propriedades. Muitos dos beneficiamentos do dito palácio, como a entrada, foram realizados à custa do erário público. Apenas em 2008, vejam só, confirmou-se, depois da investigação subterrânea de Fernando Teigão e Pedro Costa, que afinal não tinham sido só as sobras, mas tinha ocorrido o efectivo desvio de águas públicas para as propriedades do nosso estimado marquês!
Após a morte do Marquês de Pombal, William Beckford, um aristocrata inglês, escritor de viagens e político inglês, contava a respeito do seu filho, Henrique José de Carvalho e Melo, o seguinte: “Embora ele – o filho de Pombal – seja uma das maiores fortunas portuguesas, cerca de cento e dez mil coroas de rendimento anual, quis-me fazer acreditar que o pai tinha morrido em péssimas circunstâncias, sobrecarregado de dívidas contraídas para manter a dignidade da sua posição e a honra do país”.
Há tempos atrás, um insigne ex-membro da oligarquia do nosso regime, explicava-nos a origem da sua fortuna: resultava de uma herança de um milhão de contos da sua mãe e que se encontrava num cofre. Ainda hoje, desconhecemos a forma como tal pecúlio foi transformado em Euros. Isto afinal não mudou muito desde então!
O mestre da propaganda
Já em Pombal, depois do seu reinado de terror durante quase 30 anos, e afastado de Lisboa e da Corte, D. Maria I ordenou uma investigação aos “negócios” do Marquês de Pombal, por essa razão, esse período denominou-se de “Viradeira”.
Para se defender, em 1777, publica umas cartas em inglês, denominadas Letters from Portugal. Estas cartas tornam-se conhecidas da opinião pública portuguesa apenas no ano seguinte. O ilustre Marquês de Pombal, o autor, afirmou que apenas teve conhecimento das mesmas em 1780. Além disso, teve de as mandar traduzir, pois não sabia inglês – um homem que esteve anos como embaixador de Portugal em Londres e que tinha de ler todos os dias a imprensa! As cartas, claro está, constituem um encómio à sua governação – pura propaganda.
E como sabemos que ele foi o autor desta propaganda? Na colecção Pombalina da Biblioteca Nacional de Portugal de Portugal, a mesma versão da carta, em português, foi encontrada, com anotações, correcções e cortes da pena do nosso louvável Marquês de Pombal.
Durante toda a sua vida usou da propaganda e de falsas acusações para atingir os seus propósitos – para eliminar, vingar, calar, intimidar – , como foi o caso da expulsão dos jesuítas e do processo dos Távoras.
Conclusão
Não espanta que aceitemos um regime que nos retira todas as liberdades individuais, sem qualquer assuada da nossa parte, em nome de medidas com resultados nulos.
Não espanta que não nos indignemos com o nepotismo dos nossos governantes. Não espanta que não nos suscite qualquer curiosidade a forma como alguns governantes apareçam com enormes fortunas, depois de terem estado no poder vários anos, sem qualquer explicação sobre a sua origem.
Não espanta que o país não se indigne que as crianças, em particular as mais pobres e desfavorecidas, sejam votadas ao analfabetismo e ao sedentarismo. Não espanta que surjam de todos os quadrantes apelos ao respeitinho pelo poder, que deverá ser sempre sagrado e intocável, em particular pelos jornalistas dos órgãos de propaganda.
Não espanta que os negócios entre amigos e correligionários nunca sejam objecto de investigação. Não espanta que tenhamos um enorme apreço por quem nos trata com o azorrague a toda a hora.
Não espanta que sejamos a todo o momento ludibriados pela propaganda em uníssono de toda a imprensa, paga pelo nosso dinheiro, em lugar de leitores e audiências.
No fundo, o maior facínora da história de Portugal é um símbolo perfeito da actual democracia. A colossal estátua é intocável para o actual regime!
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
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Recentemente, o ministro da Administração Interna manifestou-se preocupado com os protestos que estão a ser organizados por agricultores em várias estradas do país, e apelou a que não se pusesse em causa o direito de mobilidade. Segundo as suas palavras: “Tomámos conhecimento de que há a intenção de bloqueios de algumas estradas e condições de mobilidade no país. O meu apelo é que todos procurem cumprir e garantir o cumprimento desse dever”. Afinal, o direito ao protesto deve submeter-se à primazia dos direitos fundamentais. Como as coisas mudam num espaço tão curto de tempo!
Há dias, um cartaz de propaganda política de um partido de “extrema-direita” foi queimado por um grupo “anarquista”, autodenominado “Federação Anarquista”, que afirmou que “o fascismo continua vivo. Os partidos e a democracia parlamentar são cúmplices desse crescimento, validando-o e alimentando-o com cada medida que torna as nossas vidas cada vez mais precárias. Não é deles que esperamos qualquer tipo de solução”. Fica claro o recurso à violência para silenciar quem não está de acordo com a sua ideologia.
Estes que agora gritam “fascismo nunca mais”, são os mesmos que nos impuseram ou aceitaram sem resistência um Estado totalitário que se iniciou em Março de 2020 e terminou em Junho de 2023, com o fim das máscaras obrigatórias em hospitais e lares. Talvez por isso, nenhum dos partidos políticos com assento parlamentar esteja hoje disponível para discutir este período de verdadeiro fascismo, onde os mortos se continuam a acumular com o silêncio conivente de todos.
Na Roma Antiga, os fasces lictorii eram a arma transportada pelos lictores, que consistia num feixe de varas de bétula brancas, amarradas com tiras de couro em torno de um machado. Tornou-se o símbolo do fascismo de Benito Mussolini nos anos 20 e 30 do século transacto. Nesse mesmo espaço temporal, na Alemanha, tínhamos o movimento Nacional-Socialista, mais conhecido pelo partido Nazi, que adoptou como seu símbolo a suástica. O uso destes símbolos era uma forma de demonstrar conformidade com a ideologia oficial.
O mesmo aconteceu com as máscaras durante a putativa pandemia: nada mais que um símbolo de conformidade à tirania, que visava unicamente despersonalizar o indivíduo, tornando-o mais um membro de uma massa de gente anónima e sem vontade própria, que apenas seguia ordens de um Estado Fascista.
Para clarificarmos conceitos, o que é o Fascismo? É um sistema de governo que carteliza o sector privado, planeia centralmente a economia, tal como o comunismo, subsidia os seus empresários favoritos, exalta o estado policial como fonte de ordem, nega os direitos e liberdades fundamentais dos indivíduos e faz do Estado o senhor ilimitado da sociedade. Há cerca de quatro anos, foi precisamente o que tivemos, aparentemente invisível aos olhos dos que agora gritam “fascismo nunca mais”.
Incentivar e promover o ódio a minorias que não acatam ordens e não aceitam a ideologia oficial, cancelando-as com insultos, como “negacionista” e “chalupa”, é fascismo. Quem não se recorda dos discursos de ódio nos órgãos de propaganda: “E agora, o que fazer com os chalupas?”. O que dizer do recente aviso proferido por um líder político que nesse período realizava missas dominicais enxameadas de propaganda e mentiras: “tomem cuidado” com os negacionistas!
Segregar pessoas, através de decretos governamentais e subvertendo por completo a ordem constitucional, impedindo-as de entrar num café, num restaurante, num ginásio, num cinema e até, pasme-se, num supermercado, nada mais é que fascismo.
Restringir a liberdade de circulação de pessoas, seja dentro do país, de ou com destino ao exterior de um país, é um atentado a um direito fundamental de qualquer ser humano, próprio de uma tirania fascista.
Espalhar a mentira de que as inoculações experimentais impediam as pessoas de infectar ou serem infectadas pelo “vírus”, incutindo o medo e o pânico a empregadores, para que estes intimidassem os seus colaboradores a tomá-las, com a ameaça de despedimento, é fascismo.
Estimular a bufaria das populações, promovendo a denúncia do próximo às autoridades, por forma a intimidar, cancelar e penalizar economicamente dissidentes; ou quando nos solicitam para subirmos facturas no portal das finanças, uma chibaria em larga escala, por forma a sermos assaltados igualmente em larga escala por um Estado vampiro, isso é fascismo.
Vender dívida pública de forma massiva, fazendo-a subir aproximadamente 30 mil milhões de Euros, entre o final de 2019 e Junho de 2023, a um único comprador – precisamente aquele que pode imprimir dinheiro de forma infinita: o Banco Central Europeu –, provocando uma subida brutal dos preços e confiscando, desta forma, as populações, é fascismo.
Espalhar o medo de morte provocado por algo contra o qual não se pode fazer nada – a doença provocada pelo “vírus” – é um excelente dispositivo de controlo. É preciso confiar nas autoridades médicas. O problema é que todos eles seguem ordens, pelo menos se quiserem manter as suas licenças do regime fascista.
Proibir as pessoas de assistir aos funerais dos seus familiares; obrigá-las a abandonar os seus avós em lares transformados em prisões; forçar os seus filhos a usar uma fralda facial todos dias, durante mais de oito horas; retirar-lhe os direitos constitucionais; coagi-las a inocularem-se com uma substância experimental, tal como as experiências do nazi Josef Mengele, é simplesmente fascismo.
Hoje, temos um Estado enorme, violento e pesado, que drena o nosso capital e a nossa produtividade como um parasita mortal num hospedeiro, subtraindo-nos anualmente 125 mil milhões de Euros – 12.500 Euros por português, incluindo idosos e crianças. É por isso que a economia de um Estado fascista denomina-se por vampira: suga a vida económica e provoca a morte lenta da prosperidade.
Os vampiros deste Estado fascista pedem-nos agora o envio de armas e dinheiro para uma guerra que não nos diz respeito, e que serviu para ocultar a impressão massiva de dinheiro e justificar os brutais impostos associados à “transição verde”. Um dia destes, em lugar dos ucranianos, enviarão os nossos jovens para lá para a defesa da “liberdade e democracia”! Quem se lhes opõe será insultado de “putinista”, ou usando o nome de algum líder iraniano.
Recordemo-nos das palavras do nazi Hermann Göring:
“É claro que as pessoas não querem a guerra. Por que razão haveria um pobre coitado de uma quinta de querer arriscar a vida numa guerra, quando o melhor que pode conseguir é regressar inteiro à sua quinta? É claro que o povo não quer a guerra, nem na Rússia, nem em Inglaterra, nem na Alemanha. Isso compreende-se. Mas, afinal de contas, são os dirigentes do país que determinam a política e é sempre fácil arrastar o povo, quer se trate de uma democracia, de uma ditadura fascista, de um regime parlamentar ou de uma ditadura comunista. Com voz ou sem voz, o povo pode sempre ser posto ao serviço dos governantes. Isso é fácil. Basta dizer-lhes que estão a ser atacados e denunciar os pacifistas por falta de patriotismo e por exporem o país ao perigo. Funciona da mesma forma em qualquer país”.
“Fascismo nunca mais”, dizem agora os idiotas úteis que andam por aí a manifestar-se. Dá vontade de perguntar: por onde andou esta gente?
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
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Depois da convenção do partido de “extrema-direita”, este fim-de-semana tivemos o mesmo evento realizado pela Aliança Democrática (AD), que teve como convidado de honra o político que em tempos redefiniu a palavra “irrevogável” do dicionário português. Desde então, passou a ser conhecido pelo Irrevogável.
O que nos disse? “Lembrem-se daqueles que durante a pandemia eram negacionistas. No Brasil, foram mais de 600 mil mortos. Tomem cuidado com os que desdizem, desprezam e insultam o trabalho da Ciência e dos cientistas”. Avisou-nos também que existe “muita desinformação e manipulação”- tudo isto perante palmas efusivas dos principais dirigentes da AD.
É sempre bom saber que devemos seguir a “Ciência” de forma incondicional, como se se tratasse de um dogma religioso. Por exemplo, como explica o milhão de mortos por covid-19 nos Estados Unidos, cerca de 3.100 mortos por milhão de habitantes, tal como no Brasil, o país que seguiu a sua “Ciência”?
Quem não se recorda das missas dominicais do Irrevogável, sem qualquer contraditório e cheias de “desinformação e manipulação”, a anunciar-nos a “pandemia dos não vacinados” ou de que “não aceitar ser vacinado, risco de contágio e hospitalização”. Para nossa “estupefacção”, há meses, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) disse-nos que, afinal, as “vacinas contra a covid-19 não foram autorizadas para prevenir a transmissão de uma pessoa para outra”. É bem elucidativo da “Ciência” do Irrevogável, onde este nunca aborda os efeitos adversos das “miraculosas vacinas”.
O Irrevogável e os seus correligionários de partido são muito respeitadores dos nossos direitos, em particular da nossa propriedade. Quem não se recorda do seu amigo e mui católico Bagão Félix, que em 2004 confiscou mil milhões de Euros do fundo de pensões da Caixa Geral de Depósitos a favor dessa organização parasitária chamada Estado português. Hoje, como bom católico, diz-se arrependido; valha-nos isso!
Mas não é só o partido do Irrevogável que segue a máxima do Fórum Económico Mundial: “Não terás nada e serás feliz”. Também o Partido Socialista Dois (PS-Dois), o principal partido da AD, também zomba de todos nós. Há dias, a deputada do Parlamento Europeu, Lídia Pereira, num tom professoral, como se nos tratasse por estúpidos, veio “elucidar-nos” que a União Europeia não queria proibir-nos de reparar os nossos carros, mas apenas nos impossibilitar de os vender!, caso estes se encontrem em “fim de vida”.
O parasitismo sobre o “nosso dinheiro” é uma das grandes virtudes do PS-Dois, em particular do seu actual líder. Quem não se recorda que entre 2014 e 2018, a sociedade de advogados Sousa Pinheiro & Montenegro, detida em 50% pelo “Grande Líder”, obteve 10 contratos por ajuste directo das câmaras municipais de Espinho e Vagos, ambas lideradas pelo PS2, perfazendo um valor total de 400 mil euros. Os amigos são para as ocasiões.
Quem esteve afastado desta “festa” foi o ex-líder do PS-Dois, Pedro Passos Coelho. Aparentemente, não tinha sido convidado. Enquanto decorria a convenção, os órgãos de propaganda situaram-no num almoço na Guarda, em convívio com actuais e ex-altos dirigentes do PS-Dois e o muito conhecido juiz Carlos Alexandre.
O que estaria este último a fazer no meio de tão distinta companhia? Estaria a discutir os inocentes ou os acusados da Operação Furacão, Face Oculta, Remédio Santo, CTT, Operação Labirinto, Operação Marquês, caso EDP, Operação Lex, Tancos? Vergonha parece não abundar por aquelas bandas.
Enquanto saboreavam a opípara refeição, os principais dirigentes da AD apresentavam-nos as suas propostas para o país. Uma deles é um plágio da proposta do partido de “extrema-direita”: “Aumentar o valor de referência do complemento solidário para idosos para “ser igual ao salário mínimo nacional numa segunda legislatura”. São autênticos batoteiros, pois deveriam ter referido o verdadeiro autor de tal medida.
Por fim, a discussão de lota de peixe em que se transformou o salário mínimo. A AD promete um salário mínimo nos 1.100 euros! Fica sempre a pergunta: porque não 5.000 euros por mês, e ficava já a questão garantida. Esquecem-se sempre que o salário é de zero euros quando a produtividade do trabalhador é inferior a tal valor, prejudicando essencialmente os pobres e os portugueses do interior.
Enfim, como podemos concluir, a AD é a verdadeira alternativa. Para já, juntou um grupo de “notáveis” que nos ama e protege; como não gostar deles!
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
N.D. Os textos de opinião expressam apenas as posições dos seus autores, e podem até estar, em alguns casos, nos antípodas das análises, pensamentos e avaliações do director do PÁGINA UM.
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Segundo nos informam os órgãos de propaganda, este fim-de-semana teve lugar a Convenção Nacional do terrível partido de “extrema-direita”: o Chega. Não dei assim tanto por isso, pois não vejo televisão, mas acabo por ter acesso às propostas mirabolantes que dali saem via redes sociais, em particular da rede X, onde nos últimos tempos a “censura em nome do bem-comum” já não tem lugar.
Vamos lá ver então aquilo que propõe o partido da “verdadeira direita”?
Primeiro, redireccionar 400 milhões de Euros para “um fundo de apoio às forças de segurança e aos ex-combatentes” em lugar de utilizá-los para “promover a igualdade de género”. Não se lhe ocorreu devolver esses fundos às vítimas, vulgo contribuintes, talvez estas saibam melhor que destino dar ao fruto do seu trabalho.
Outra das medidas consiste em “equiparar pensões mais baixas ao salário mínimo em seis anos”, ou seja, as pensões de 200 e 300 Euros seriam incrementadas para os actuais valores do salário mínimo: 820 Euros. Se tivermos em conta que estes pensionistas são aproximadamente 2 milhões de pessoas, estamos a falar de um impacto anual superior a 14 mil milhões de Euros no Orçamento de Estado – um pouco mais do que quatro bancarroteiras nacionais (TAP).
Sabemos que os partidos socialistas do regime (PS e PSD) continuam a confiscar os cidadãos produtivos – talvez por isso muitos, cada vez mais fujam daqui a sete pés – para comprar os votos de uma população cujos rendimentos estão totalmente dependentes de demagogos, salteadores e socialistas. É assim que o principal partido socialista do regime (PS) tem ganho eleições atrás de eleições, manipulando uma população que foi e é vítima de um embuste chamado Estado Social.
Esse partido foi Governo 21 anos desde 1995 (75% do tempo) e tem alimentado um conflito de gerações sem precedentes, abusando de um esquema fraudulento, ao melhor estilo Dona Branca, para se perpetuar no poder com os votos desta população, infelizmente com pouca literacia e facilmente manipulável. Por essa razão, até o segundo partido socialista, o PSD, também promove o esbulho de cidadãos produtivos para comprar o seu voto. Todos o fazem, qual a diferença para o partido da “extrema-direita”?
Não nos esqueçamos que o actual regime socialista vive dos pobres e da sua ignorância, por essa razão tornou-se uma fábrica de excelência na sua produção por forma a perpetuar-se no poder, atirando-nos para o último lugar da literacia financeira na Europa e o sétimo país mais pobre da União Europeia, a caminho de ser o quinto.
A ignorância é monstruosa, em que simples cálculos não são enxergados. Um cidadão que ganhe um miserável salário de 1.000 Euros no sector privado, o seu empregador entrega 347,5 Euros todos os meses à “Segurança Social” – que nem Segura nem é Social. Ora, tendo em conta que os mercados de capitais proporcionaram um retorno médio anual de 7% em termos reais desde 1973 (50 anos), tal significaria que esse cidadão tinha a preços actuais no momento da reforma (43 anos de “descontos”) 1,14 milhões de Euros! Se a sua esperança média de vida é de 15 anos após essa data, estamos a falar de 6.300 Euros/mês – sem o dinheiro aplicado!, apenas levantado esse valor todos os meses.
Esta ignorância dos portugueses é explorada pelo regime socialista: a incapacidade de a população fazer simples contas e compreender o quanto é enxovalhada, humilhada e roubada. Não espanta pois que todos explorem este filão: “melhores pensões para todos”, roubando os mesmos de sempre.
Voltando às medidas do partido da “extrema-direita”, também tivemos o anúncio para mais uma famigerada “taxa sobre os lucros da banca”, ao melhor estilo Mortágua, que também parece que irá dar para pagar um novo aeroporto! Mais uma vez a manipulação socialista: confiscar uma minoria para comprar os votos de uma maioria.
Em resumo, tudo aquilo que saiu da convenção do Chega é de ideologia socialista, por isso não se compreende o “perigo da extrema-direita”. A única coisa que resta mesmo é o discurso “racista e xenófobo”, que, analisando bem, talvez seja a única coisa em que tenham razão.
Parece-me evidente que a imigração tem de ter regras, sem nada daí ser racista ou xenófobo: na minha opinião, deve ser exigido um contrato de trabalho válido, o empregador deve assegurar um alojamento não sobrelotado (por condições humanas) e pagar um seguro de responsabilidade civil (para eventuais indemnizações a pagar a vítimas, no caso de roubos ou crimes), enquanto o imigrante deve deixar uma caução à entrada para pagar o seu eventual repatriamento.
Isto não é xenofobia nem racismo, isto é parcialmente exigido por países como a Suíça, Irlanda e Estados Unidos, como bem referiu o líder da “extrema-direita”.
Não se compreende que estas medidas possam ser inconstitucionais, como diz o irmão do grande líder num dos órgãos de propaganda. Aquilo que estamos a alimentar são empresários sem escrúpulos, que contratam pessoas em condições sub-humanas, beneficiando de lucros anormais e não suportando os custos reflectidos sobre toda a sociedade: infra-estruturas sobrelotadas, preços de arrendamento exorbitantes, etc.
É natural que os socialistas sejam favoráveis às fronteiras abertas, e por uma razão: esperam que estes imigrantes tapem o buraco do esquema em pirâmide chamado Estado Social, ou seja, estão em pânico que a população se dê conta do embuste em que vive. Por outro lado, as cenas deploráveis que vemos no Martim Moniz em Lisboa e em outras cidades do país nunca lhes irão bater à porta, pois as escolas dos filhos e sua saúde são privados.
Ficam apenas indignados que os portugueses com um palmo de testa se pirem daqui para simplesmente não serem mais roubados por esta camarilha socialista. Em resumo, e tal como tenho dito várias vezes: todos os partidos da Assembleia da República são socialistas. E nada irá melhorar a partir de 10 de Março; apenas piorar, até aos portugueses, tais como os argentinos, se darem conta que estão completamente falidos por anos e anos de socialismo.
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
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Há dias, um dos mais conhecidos líderes da nossa “direita”, presentemente a liderar a Câmara Municipal de Lisboa (CML), publicou um vídeo nas redes sociais, obviamente pago com o nosso bolso, onde lançava encómios à sua gestão e desejava aos lisboetas um feliz 2024.
A produção começa com a câmara a segui-lo, a caminho da escadaria interior do edifício da CML; surge-nos de camisa branca, de mangas arregaçadas, a dar um ar que trabalha muito e se esforça pelo povo; depois de subir, em passo acelerado, dirige-se ao seu gabinete na CML. Ao entrar, aproxima-se de um móvel com várias fotografias e começa a pegar em cada uma, como se contemplasse imagens de várias figuras da sua família de há muitos anos.
No vídeo, cada uma corresponde a uma “façanha gloriosa” do seu mandato à frente da CML, onde podemos ficar a conhecer que “deu” 1.500 novas casas, possibilitou “gratuitamente” transportes públicos a mais de 90 mil pessoas, “brindou” 12 mil planos de saúde, “pagou-nos” o início das obras de drenagem para resolver o problema das “alterações climáticas” que assolam Lisboa de tempos a tempos e, pasme-se, fechou a Rua da Prata ao trânsito para, novamente, “combater as alterações climáticas”.
A coisa termina com um cumprimento em forma de abraço ao Papa progressista e promotor das inoculações experimentais, que há meses nos “oferecera” uma festa de arromba em Lisboa. Enfim, temos de parabenizar a excelente obra de propaganda, que certamente envergonharia a cineasta preferida de Hitler, Leni Riefenstahl. Definitivamente, um megalómano narcisista que nos regala prendas que nós pagamos.
Para a “direita”, aparentemente o dinheiro da plebe é inesgotável. Tem de suportar a toda a hora um clima natalício e promover uma agenda globalista: as próximas pandemias, as cidades de 15 minutos, o Papa de “todos”, a inclusividade.
Para não ficar atrás, recentemente, ficámos a conhecer que o líder do partido da anterior personagem beneficiou de IVA a 6% na construção da sua luxuosa vivenda em Espinho, disfarçada de reabilitação urbana. Para o poleá: IVA a 23%; para a casta parasitária, há sempre um amigo nas Câmaras, na Autoridade Tributária ou num ministério que os exime do assalto, enquanto a ralé come e cala.
O “líder” da “direita” também é um homem de braços abertos à imigração: segundo ele, existe “uma lacuna de população” que deve ser coberta por uma horda de imigrantes que nos pode ajudar; aos portugueses, está reservado o papel de os acolher, atrair e integrar – só falta o frapê e a farda para cada português.
Todo um contrário para os imigrantes; para estes, não existe qualquer exigência, como por exemplo: contrato de trabalho válido, caução na entrada para pagar a eventual viagem de repatriamento, seguro de responsabilidade civil, garantia de que o empregador o acomoda em casa regularizada e não sobrelotada. Mas para o “líder” da direita é tudo facilidades com o dinheiro dos outros, pois ele não vai para a fila de espera dos hospitais sobrelotados.
No Parlamento Europeu, temos outro dos figurões do mesmo partido. Há semanas era vê-lo a realizar um discurso laudatório à nossa amada e grande líder, Ursula von der Leyen, eleita ao melhor estilo de uma ditadura comunista. Para este homem de “direita”, a liderança da senhora foi e é extraordinária!, com destaque para a putativa pandemia e a guerra na Ucrânia.
Nada disto espanta no Partido Socialista Dois, que dizem liderar a “direita; ou já se esqueceram que há meses andavam de mão dada com o Partido Socialista Um na revisão constitucional ilegal – durante a campanha eleitoral anterior nunca a discutiram, nem tão pouco a apresentaram; certamente que o embuste se repetirá nos meses que se avizinham.
O que visavam os dois mais importantes partidos socialistas? Autorizar um mero funcionário administrativo a decretar a prisão domiciliária de um cidadão em contexto de uma putativa pandemia; ou a vigiar as nossas comunicações (e-mail, telefone…) durante 24 horas, eliminando por completo a nossa privacidade, a pretexto do “combate ao terrorismo”. O principal partido de “direita” parece seguir as famosas palavras de Mussolini: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado”.
Depois temos o partido dos “liberais”, onde aparentemente os seus líderes não conhecem os valores do liberalismo. Um dos seus principais dirigentes, que em tempos foi o número um do partido, numa recente entrevista soltou umas pérolas acerca das suas convicções: é a favor do aborto; segundo ele, ninguém deve ser proscrito de ser liberal por defender três escalões de IRS, em lugar de apenas dois! Até onde vai a tolerância: 5 escalões de IRS?
Eu julgava que existiam três valores essenciais nestas cabecinhas: vida, propriedade privada e liberdade. Nada disso, para os liberais portugueses um ser humano no ventre de uma mulher pode ser livremente assassinado e o confisco de propriedade privada dos cidadãos é um direito que assiste ao magnânimo Estado. Mas eles são bonzinhos, permitem que este roube apenas um “bocadinho”.
Os “liberais” da nossa praça são uma espécie de Bloco de Esquerda, mas que pede “impostos suaves”. No entanto, não abriram a boca sobre o esmagamento dos agricultores holandeses pelo seu colega “liberal” Mark Rutte; não se insurgiram contra o certificado nazi, que segregava cidadãos; apoiaram com todo o vigor as inoculações experimentais; aceitaram e aceitam que as preferências sexuais de cada indivíduo sejam usadas como arma política, incluindo o passeio com bandeirinhas.
Dá vontade de perguntar aos liberais: as pessoas devem ser reconhecidas por serem bons engenheiros, bons professores, bons matemáticos, bons desportistas ou pelas suas preferências sexuais? Que direitos solicitam para estes movimentos, para além dos que já estão plasmados na Constituição da República Portuguesa (CRP)? Essas minorias discriminadas no emprego, no acesso a locais públicos, como foram os não vacinados?
Atentemos ao que recentemente fizeram: uma purga interna, ao melhor estilo estalinista, retirando uma deputada de um lugar elegível para as próximas eleições, simplesmente porque ousou candidatar-se à liderança, obtendo 46% dos votos! Enfim, salva-se a sua oposição ao resgate da bancarroteira nacional, mais conhecida por TAP.
Por fim, o partido dos ciganos, aquele que no início de 2020 propunha alterar a CRP para permitir que fossem “internados compulsivamente todos os cidadãos que apresentassem sintomas de coronavírus mas se recusassem a fazer quarentena”. Ou seja: privação de liberdade sem decisão judicial, bastando haver a suspeita para a prisão domiciliária. A putativa pandemia teve uma única vantagem: revelar que estamos rodeados de milhares de aspirantes a ditadores.
Importa também recordar o episódio da devolução dos 125 Euros aos portugueses, umas migalhas de um roubo de 106 mil milhões de Euros, em que o partido dos ciganos defendia o seguinte: “Os 125 euros não podem ser gastos em whisky, tabaco e drogas”. Também podíamos acrescentar prostitutas e vinho verde. Esta gente acha-se no direito de se meter em todos os aspectos da nossa vida.
O que dizer das suas propostas de aumento vertiginoso de despesa pública, sem nunca nos explicarem de onde vem o dinheiro: cortes em outras despesas ou mais assaltos ao nosso bolso? É um partido que continua a propor medidas para agravar expressivamente a fraude do Estado Social, um colossal esquema piramidal e uma gigantesca fonte de conflitos entre gerações. Recordemo-nos que hoje os idosos pedem que o Estado confisque os activos para garantir os seus rendimentos, ou seja, estão nas mãos de demagogos, mentirosos e oportunistas. Caso tivessem descontado para um porquinho mealheiro, em lugar de um esquema fraudulento e falido, não estaríamos sujeitos a esta demagogia barata.
Nesta desgraça, salva-se a deputada Rita Matias, uma verdadeira opositora da Agenda 2030, ao contrário da esmagadora maioria de toda a “direita” e provavelmente de quase todos os colegas de partido.
Com esta “direita”, quem precisa de um “neto de sapateiro” para nos espoliar, humilhar e desrespeitar?
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
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Foi publicado, há dias, um estudo sobre a fiscalidade em Portugal, promovido pela Associação “Causa Pública”, cujos órgãos sociais são compostos por figuras ligadas à extrema-esquerda, como Paulo Pedroso, Ricardo Sá Fernandes ou Ana Drago.
Como é normal neste país, qualquer iniciativa desta área política beneficiou de imediato de uma enorme publicidade, com um conhecido programa de rádio a discuti-lo horas a fio com os seus ouvintes, sob o tema: Temos um Sistema Fiscal injusto?
É sempre uma discussão pungente de como aplicar “justiça” a um gigantesco assalto, que nem mesmo o mais maquiavélico e inventivo criminoso lembrar-se-ia de conceber. Como é hábito nestes “estudos”, o seu autor fala em causa própria, pois, até à data, tem sempre vivido do confisco de terceiros, sem nunca ter ido a uma entrevista de emprego, criado uma empresa ou pago um salário na vida.
Talvez por isso, os autores destes “estudos” apresentam sempre as mesmas conclusões: o roubo nunca é realizado a uma escala suficiente; os “ricos” necessitam de “contribuir” mais! Num país que não cresce há mais de 20 anos, é natural que disputem uma fatia maior de um bolo que não cresce, apelando sempre ao monopolista da força, o Estado, por casualidade o seu empregador, que assalte mais um “bocadinho” o bolso dos outros!
O estudo começa por citar a Constituição da República Portuguesa (CRP), em particular o n.º 1 do art.º 103º da CRP: “[o] sistema fiscal visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e outras entidades públicas e uma repartição justa dos rendimentos e da riqueza”. Daqui o autor conclui o seguinte: (i) o Estado deve “financiar a actividade da Administração Pública e as despesas do Estado Social”; e (ii) “corrigir desigualdades geradas pelo mercado, não só em termos de fluxos anuais de rendimento como também ao nível dos stocks de riqueza existentes”.
Em resumo: as necessidades financeiras do Estado significam as “despesas do Estado Social” e a “repartição justa dos rendimentos e da riqueza” significa “corrigir desigualdades geradas pelo mercado”. Para o autor, um sistema voluntário de cooperação social, onde se trocam livremente direitos de propriedade sobre bens e serviços, é algo perverso e gerador de “iniquidades”; provavelmente, uma destas “iniquidades” seja a sua não contratação ao preço que o autor julga merecer.
Por outro lado, gera sempre espanto os apelos desta gente ao cumprimento da CRP, quando interessa! Quando não interessa, ocultam a contradição entre a garantia da propriedade privada (n.º 1 do art.º 62º) e o seu confisco com impostos; ou esquecem-se de denunciar que praticamente todos os orçamentos do regime democrático foram inconstitucionais (n.º 4 do art.º 105º); ou que estiveram calados em relação aos atropelos à mesma durante a putativa pandemia.
Mas a CRP não serve apenas para corrigir o “ferino mercado”. O autor também nos informa que esta obriga à “provisão de saúde e de educação formal universal e tendencialmente gratuita”. Aqui temos mais um doutorado em ciências económicas que considera possível a existência de um bem económico “grátis”, que obriga sempre ao despojo prévio dos “ricos”.
Depois das “obrigações” da CRP, o autor esforça-se por justificar uma baixa carga fiscal em Portugal, com estas palavras: “A discussão pública em torno da fiscalidade tende a centrar-se na ideia de que Portugal deve baixar os impostos porque eles são demasiado elevados… apesar de ser aliciante, esta ideia não encontra sustentação empírica.”
Para suportar a sua conclusão, apresenta-nos na página 5 um gráfico em que Portugal aparece na 16ª posição, longe da média, numa ordenação descendente da carga fiscal para os países que fazem parte da União Europeia (EU27). Parece que o autor não consultou correctamente os dados, pois, na verdade, não estamos na 16ª posição, mas sim na 13º, segundo o Eurostat, como podemos observar na seguinte figura:
Receitas fiscais e contribuições para a Segurança Social em % do PIB, em 2022 (Unidade: em percentagem / Fonte: Eurostat; Análise do autor)
Se tivermos em conta a totalidade das “receitas” do Estado, nesse caso, estamos na 12ª posição, com 43,8% do PIB em 2022. O facto de estarmos abaixo da média, não significa que a população portuguesa não seja das mais confiscadas da União Europeia, pois o autor esquece-se de comparar esta carga fiscal com o rendimento anual de cada cidadão, neste caso a riqueza per capita corrigida pela paridade do poder de compra (PPC).
Como podemos observar na Figura 2, no que respeita ao rendimento per capita (corrigido pela PPC), Portugal encontra-se na 20ª posição, mas está na 13ª posição na intensidade do assalto, com um diferencial de 7 posições (13ª vs 20ª= -7; ver Figura 2), apenas superado pela França, o único país mais rico, pela Croácia e Grécia, países que, tal como Portugal, lutam na liga dos últimos.
Apesar de todos os contorcionismos do autor, é uma evidência a actual excessiva carga fiscal no nosso país, que poderá piorar, caso sejamos ultrapassados pela Roménia e Hungria.
PIB per capita corrigido pela paridade do poder de compra (UE27=100 / Unidade: Índice)
Seguidamente, o autor parte para um ataque aos “ricos”. Este ódio a minorias anónimas é característico de regimes totalitários, onde uns malvados são culpados de todos os males, sejam eles os especuladores, os judeus, os negros, os ciganos, os palestinos. Neste sentido, o autor dá-nos conta desse ódio nas cabeças dos miseráveis portugueses, embriagados de tanto socialismo: “Portugal é o país da OCDE onde mais pessoas (80% dos inquiridos) concordam em aumentar impostos sobre os mais ricos para apoiar os mais pobres”.
Na sua cabeça, é legítimo roubar a uns para dar a outros. Para legitimar o assalto, o autor propõe tornar o sistema fiscal ainda mais progressivo, já que este assenta maioritariamente em impostos indirectos, onde isto não acontece. O que é a progressividade? À medida que o rendimento de um indivíduo aumenta, a proporção objecto de assalto é igualmente crescente.
Vamos supor que A aufere 100 euros e B 1.000 euros. Se o imposto é 10%, não progressivo, o primeiro paga 10 euros e o segundo paga 100 euros, ou seja, o segundo paga 10 vezes mais. No entanto, o autor quer algo progressivo, do tipo: 10% para o primeiro e 50% para o segundo, neste caso seria 10 euros para o primeiro e 500 euros para segundo, 50 vezes mais! Os ladrões começam sempre por assaltar os bairros dos ricos em primeiro lugar, seguindo a máxima: “Temos de perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro”.
Para além de impostos indirectos, não progressivos, como o IVA, o autor também ataca as “vantagens” dos rendimentos de capital em Portugal, onde se aplicam taxas liberatórias e beneficiando obviamente os malvados “ricos”, usando um exemplo mirabolante: “Acontece que o IRS, o imposto sobre o rendimento dos indivíduos, isenta totalmente os lucros não distribuídos. Suponhamos que o lucro foi de 1.000 milhões de euros e que a empresa não distribui dividendos (o rendimento do accionista é de 200 milhões de euros, 20% dos lucros). Imaginemos até que o accionista também é o CEO, recebendo um salário de 2 milhões de euros por ano. Mesmo que a taxa de IRS aplicada fosse de 100%, a taxa efectiva sobre o seu rendimento real seria de 0,99% (2 milhões de euros / 202 milhões de euros). E continuaria a ser perto de 0% até que o accionista deixasse de o ser, vendendo as acções e realizando mais-valias. Se a taxa de IRC aplicada for de 21%, e abstraindo dos outros impostos, essa pessoa pagaria uma taxa efectiva total de 21,78% [(2 milhões de euros em IRS + 42 milhões de euros em IRC) / 202 milhões de euros]”.
Isto é o que acontece a quem nunca abriu uma empresa na sua vida. Se a empresa não distribui dividendos, obviamente o accionista nada recebe, pois o dinheiro continua na empresa! O que ele oculta é que no momento de distribuir os dividendos, o tal milionário imaginário irá receber 114 milhões de euros dos 200 milhões de euros, resultando numa taxa efectiva de 43% – aplicando-se 21% aos lucros e 28% aos dividendos distribuídos ao accionista.
O autor entende que as poupanças obtidas no passado, através de rendimentos de salários tributados violentamente, devem voltar a sofrer um novo assalto sem quaisquer contemplações. Por ele, na hora de distribuir dividendos, estes deviam ser englobados e tributados a 50%: neste caso, em lugar de receber 114 milhões de euros, receberia 79 milhões de euros e estaria sujeito a uma tributação efectiva de 60%. Ele que nos explique ondem existem “tansos” dispostos a serem sujeitos a tal ultraje?
No fim, para além de propor o englobamento de tudo por forma a assaltar de forma ainda mais violenta os “ricos” – uma realidade que praticamente não existe em Portugal –, propõe a criação de mais um imposto, desta vez sobre a morte. Não é suficiente o confisco do trabalho, da poupança, do consumo, do património, também é necessário assaltar o morto.
Segundo o autor é simples: “A recriação de um imposto sobre as sucessões e doações tem mais vantagens do que corrigir alguma desigualdade de riqueza. É talvez a maneira mais simples e eficaz de tributar mais-valias não realizadas durante a vida do falecido.” Não vá o morto fugir com a mais-valia!
Estes “estudos”, que aparecem cirurgicamente antes das eleições, produzidos sempre pelos mesmos, não logram ocultar uma realidade: estamos a caminhar para o fundo. Em 1995, estávamos à frente de 12 países num grupo de 27 países (EU27); hoje, são apenas 7, a caminho de serem apenas 5 (Hungria e Roménia irão ultrapassar-nos).
Evolução da carga fiscal em % do PIB e do ranking de Portugal – número de países mais pobres do grupo UE27 – entre 1995 e 2022 (Fonte: Eurostat; Banco Mundial; Análise do autor)
Durante este período, em que reino “socialista” foi preponderante, a carga fiscal subiu de 31,4% para 38%, ou seja, se o Estado português assaltasse como em 1995, significaria aproximadamente mais 1.600 euros no bolso de cada português (242 mil milhões de euros de PIB em 2022), incluindo idosos e crianças. Os órgãos de propaganda estão, mais uma vez, de parabéns: continuam a promover as ideias que nos empurram para a mais abjecta miséria.
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
N.D. Os textos de opinião expressam apenas as posições dos seus autores, e podem até estar, em alguns casos, nos antípodas das análises, pensamentos e avaliações do director do PÁGINA UM.
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