MACACOS I A minha companheira chamou macaco ao padre (um branquelas) quando este lhe derramou a água benta na testa. Foi absolvida e entrou no reino dos cristãos. Há um macaco lá no Porto, à solta e tido por perigoso. Tão feroz que precisa de reabilitação atrás de grades, quando a sentença transitar em julgado. O Vinícius Jr. queixa-se de ter sido chamado de mono que é macaco em castelhano. É sempre a mesma ofensa. Nunca é preto do caralho, escarumba, barrote queimado ou troglodita.
Numa coisa o mister Mou tem razão: o Jr. devia rever as formas de celebrar os seus golos. Assim mais para o festivo inócuo, de braços ao alto e a bailar um sambinha, e menos provocador. Eu se fosse ao Vini, no lugar de ir fazer queixinhas ao árbitro, teria passado o resto do jogo a fazer o gesto a pequeno Prestianni de que a piroca dele é pequena, ao contrário da língua comprida. No campo, no pitch, são raros os senhores que se comportam e resistem aos insultos e provocações, com controle das emoções. Parece a aldeia de Sete Rios.

EXIBIÇÕES I Quem não tem mamas, caça com o rabo. Quem não tem shape, depreda com o guito. Quem não tem nada de nada, a não ser uma carreira política, ataca no Tinder.
Quando mostro o meu shape estou a guzar o prato. Vá, venham lá dizer os correctores, os correctos, os pedantes, que guzar é com o. Gozar. Gozo, uma ilha do arquipélago de Malta, por sinal muito apetecível de tão pouco habitada.
Gosto daqueles inquéritos de pé de página onde fazem perguntas telúricas. Se tivesse que escolher um só livro para ler até ao final dos seus dias de eterno náufrago num atol incógnito no mapa e no Google Maps, qual seria? A Bíblia? O Velho e o Mar? A Pérola? A Morte de Iván Ilitch? É pá. Porque não um dos meus, o Hei-de Amar-te Mais, onde fiz um striptease literário, no sentido contrário ao dos escritores que querem mostrar mas só escondem.
Esconderijo, esconder, refundir, ocultar. Mostrar tudo é que não. Ainda há lugar a detenção por atentado ao pudor. E os portugueses são muito púdicos.

RESCALDOS I Se um arrufozito incomoda muita gente, até quando andará à bolina nas cordilheiras do pensamento-sentimento um ódio estrutural? Um racismo imperialista.
Os acordos de paz são o intervalo até às próximas guerras. Se uma coisita de lana caprina (torcer por um clube a quem se dá o suor, as lágrimas e verba das quotas, do calção e camisola do ídolo) dá azo a homicídios, o que não faz um homem tal bicho acossado torturar, estuprar e matar? Embora sejamos Todos entes humanos, só a espaços há mobilização solidária.
A espaços de calamidade e catástrofe, quando é a Natureza a destruir. Aqui na terra sacudida pela borrasca os empreiteiros largaram as obras e foram acudir os vizinhos. A custo zero. É isto que nos aproxima. A política, a bola, a religião, tudo onde cheire a negócio ou maniqueísmo, só afasta e agasta. Um desperdício de energia e força vital.

OS SENÃOS DA BELA I Tendemos a mostrar uma impressão lisonjeira a nosso respeito. É ou não é? De igual forma defendemos ideias, convicções, dogmas, credos, ideologias, crenças, achando com isso, demonstrado com mais ou menos encarniçamento ou benevolência, estarmos a ser coerentes, correctos e avisados.
A liberdade é um espaço onde tudo isto é permitido, afinal a liberdade só termina no espaço do outro. A maior liberdade é a do espírito que não se aprisiona em nada mais do que praticar o bem, sem que tal conduta relativa (pois o meu bem pode não ser o vosso) perturbe ou invada o lugar de ninguém.
Esta é a parte Bela. O senão, que requer consciência dos factos, é quando um punhado destes entes humanos que somos todos nós, quer aprisionar e impôr a sua Ordem. A sua ideia de Bem. Um bem que vem por mal.
Todo e qualquer partido que se queira único é uma ameaça.
Todo o que se acha omnipotente é um perigo ambulante.
Não basta escrever, não basta ver (está à vista). Nestes casos é necessário identificar. Apresentar o ónus da prova. Sem esperar pelo Tribunal do Altíssimo. Nada de mentiras e imposturas. Sobretudo intelectuais.
Esta conversa de pano para mangas é a História Universal da Infâmia.
Cabe a cada um identificar os problemas e solucioná-los. Nada diz só respeito a cada um. Tudo esta ligado.

PRIORIDADES I Acontece uma calamidade e quem vale? Os amigos. Axioma: os amigos são muito importantes. Dá-se um problema de saúde assim mais para o complexo e a quem recorremos? Aos médicos, enfermeiros e seus recursos humanos e paliativos. Axioma: os médicos e enfermeiros e seus conhecimentos e equipamentos são muito importantes. Sucede um desaire mais ou menos complicado e quem nos escuta? O amor da nossa vida. Axioma: o Amor é muito importante, a par da ternura.
A escrita de uma Constituição, uma Declaração dos Direitos Humanos, um código penal, um livro honesto que seja, é uma base de Trabalho, como os Dez Mandamentos.
Lá consta a Cooperação.

SINAIS I Tal como a falta de respeito e empatia é um sinal de defeito de fabrico (ou educação ou outro elo qualquer onde tudo se joga, que é no cérebro), também a forma como um governante, partido ou instituição se apresenta ao serviço deve levar a uma reflexão aprofundada. Que andar no mundo é perigoso, que a vida é frágil e efémera, que o egoísmo prevalece, tudo isso são favas contadas. Há, porém, aspectos virtuosos, consciência altruísta de grupo, noção de que é possível, por mais sujeitos da impermanência, fazer perdurar um certo sentido de Humanidade. Querer a exclusão, a dor e a morte de alguém é um sinal de grave deformação mental e espiritual. Se há milhões que afinam por este diapasão – chamemos-lhe fascista -, outros tantos haverá que procuram a paz, a beleza, a Criação, o Amor e a prosperidade, a Felicidade digamos assim.
O BEM COMUM I Volta e meia passa um cometa e deixa um rasto, uma cauda brilhante. Por exemplo, um Bob Marley, um Ali, um Gandhi, um Tesla… A mensagem ecoa, até vir outro, outra, outros, que a entendam e prossigam. A mensagem é sempre a mesma: mais Amor, mais Paz, mais Justiça. Todos eles e as suas obras são afins de um diapasão: dizer não à barbárie.

Ter no Chega uma opção aos estragos socialistas e liberais de PSD, CDs e companhia lda, é um retrocesso. É mais grave: é levar a pensar que habita entre nós o desejo de espezinhar e magoar, que é o anti-cristo. Por favor, não me venham com a conversa do combate à corrupção quando tresandam a tudo o que é podre e promíscuo.
Tenho amigos que tomo por cônscios dispostos a dar uma abébia ao católico Andrezito. Já é mais do que suficiente para saber ao que vem ao ver o método da metralha e dos irmãos metralha.
Então em quem confiar a tessitura do fio da roca?
Na consciência, meus senhores e senhoras, onde mais vos toque.
Tiago Salazar é escritor e jornalista





































