Autor: Manuel Matos Monteiro

  • Vai ver que não custa nada

    Vai ver que não custa nada

    As despesas judiciais não entram na locução prepositiva. Saiba porquê.

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    Na rubrica do PÁGINA UM ‘Língua na Cama’, Manuel (Matos) Monteiro – escritor e um dos melhores cultores da Língua Portuguesa, além de formador da Escola da Língua – escalpeliza, de forma caseira e descontraída, erros frequentes do nosso idioma, curiosidades linguísticas, maravilhas idiomáticas. Aprenda e divirta-se.

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  • Expressões idiomáticas

    Expressões idiomáticas

    Se as pessoas se automutilam, porque não se auto-suicidam? Conheça as expressões fixas do nosso idioma e, de caminho, evite redundar em redundâncias.

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  • Verbos espancados diariamente

    Verbos espancados diariamente

    Havia dois pessegueiros na ilha… ou haviam dois? Trata-se de erros frequentes…. ou tratam-se de erros frequentes? Sabendo a regra, deixará de errar e poderá explicá-la ao Outro.

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  • A gravidade do acento agudo nas cervejas pequenas

    A gravidade do acento agudo nas cervejas pequenas

    Lembra-se da polémica que causaram os materiais publicitários da Olá a chocolates e gelados com “ganhas-te” e “experimentas-te”, em lugar de “ganhaste” e “experimentaste”?

    Na altura, garantiram-nos que os cartazes na rua estariam a ser retirados.

    Não gostando de cancelamentos de nenhum tipo, declaro serem os cancelamentos gramaticais os que menos me ferem.

    Proponho, com meio átomo de esperança, uma mobilização ou berraria por causa das mínis.

    Vamos por partes, como fazia o famigerado Jack.

     “Mini-“ (sem acento) é elemento de formação de palavras: minimercado, minicomputador, minibar, miniprato, miniteste, minitrampolim. (Atenção aos elementos de formação de palavras: eles existem para estar juntos ou separados por hífen — nunca para vagabundear soltos pelos textos, como tantas, tantas, tantas vezes vemos com “mega-“, “super-“, “hiper-“, “pseudo-“, “anti-“. Etc., etc. etc., etc., etc.)

    Não se confunda esse elemento de formação de palavras com o nome/substantivo. Parece impossível, mas é verdade: “míni” (com acento) é nome/substantivo feminino que designa a pequena garrafa de cerveja. Entre outros, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, os dicionários em linha da Porto Editora e da Academia das Ciências de Lisboa dizem-nos esta informação proveitosíssima.

    Exemplos correctos:

    “Estou de ressaca hoje. Nem uma míni consigo beber.”

    “Gosto de ver futebol a beber mínis e a comer tremoços.”

    Existe ainda, com acento, enquanto adjectivo (comprove como inúmeros dicionários físicos e digitais, mais antigos e mais modernos, lhe conferem — e bem — esta classe gramatical), para designar algo de tamanho muito reduzido.

    Vejamos: uma coisa é falar de um miniprato; outra, dizer que determinado prato é míni; uma coisa é falar de um minilápis; outra, dizer que determinado lápis é míni.

    Veja-se (perdão pela repetição do verbo) a ilustração feita para este artigo, por Bruno Rama, da míni que gosta da língua e não cede ao tantofazismo.

  • Filho de ou da p*ta

    Filho de ou da p*ta

    Conheça a grande p*ta parideira do nosso idioma. Um episódio com muitos turpilóquios.

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  • ‘A minha música foi feita para um público mais maduro’

    ‘A minha música foi feita para um público mais maduro’

    Manuel Monteiro conversou com Bruno Rama (nome musical: Ramma), que, além de músico, vocalista e letrista, é também ilustrador do PÁGINA UM. Motivo: o seu recente álbum, Ramma.

    Fala-nos do teu percurso na música, do que fizeste até teres o teu álbum cá fora. 

    Tive aulas de canto durante muitos anos. Estudei no Conservatório Nacional de Música de Lisboa e numa Academia de Música, a Academia Sigfredo em Madrid. Participei em agrupamentos de canto que representavam peças de ópera e musicais. Depois de ter decidido abandonar os agrupamentos, comecei a compor a minha discografia e, em 2023, voltei a ter aulas de canto com o professor catedrático Vincenzo Spatola. Serviu-me para preparar as gravações deste álbum.

    Em muito pouco tempo, os teus vídeos e canções tiveram um salto considerável em visualizações e audições, designadamente o teu primeiro videoclipe. Surpreendeu-te?

    A surpresa foi enorme, porque sou um artista independente e desconhecido.

    Ter comentários de pessoas do México, da Alemanha, Espanha, França, Portugal, Síria, Estados Unidos nos meus videoclipes é algo que nunca pensei ser possível.

    A forma como as coisas chegam a qualquer lado nos dias de hoje é algo fenomenal. Passados poucos meses, tenho cerca de 3800 visualizações do meu primeiro videoclipe no YouTube, o canal tem cerca de 15 mil visitas, e nove canções têm mais de mil audições. A recepção em Espanha tem sido magnífica, algo que eu verdadeiramente não esperava, porque o álbum está composto quase na sua totalidade em língua portuguesa, mas as pessoas abraçaram bem o projecto em Espanha.

    O teu nome artístico tem a letra m duplicada por alguma razão?

    Rama é o meu apelido verdadeiro, mas decidi adicionar mais um m para distanciar o artista da pessoa e também para que não houvesse conotações com outras culturas. No hinduísmo, o Deus Rama existe e até tem o seu templo em Ayodhya. Na Tailândia, toda a dinastia se chama Rama, o actual rei é Rama X, de modo que procurei afastar o artista de todo este tipo de coisas.

    Que música deste álbum te diz mais e porquê?

    Sem a menor dúvida, O Inferno arde em mim. Foi a primeira canção que compus em português e que marcou o início de toda esta viagem. Passei uma temporada muito atribulada na minha vida e, numa viagem de comboio do Peso da Régua ao Porto, senti pela primeira vez a necessidade de escrever em português. Essa canção foi composta nessa viagem, tanto a letra como a melodia, e depois mais tarde trabalhada com o Paco Cinta, um músico multi-instrumentista que actuou com vários nomes conhecidos da música espanhola como Barei, Los Pecos, Tamara. Foi a primeira canção a ser composta, a ser gravada, produzida em estúdio e foi também a canção do primeiro videoclipe de Ramma. Tudo começou com essa canção.

    Vou dizer algo que já deves ter ouvido dezenas ou centenas de vezes: «tens uma voz singular». Que fazes para a trabalhar e para a proteger?

    Nisso coincidimos, porque eu costumo dizer que não sou o melhor cantor, mas tenho a sorte de ter uma voz que ninguém tem. Aprendi, com os anos e através de muitos erros, a forma de a proteger. Cantar na tua tessitura é crucial, tal como ter aulas para aprender a dominar mais a voz e a ajudar a compreender como ela funciona, para uma melhor utilização.

    Se te perguntassem a quem se assemelha, saberias responder?

    Verdadeiramente, não sei de algum cantor que tenha as mesmas características de voz que eu na sua totalidade, mas acho que teria de dizer o estado-unidense Howard Keel, que tem uma voz que se assemelha bastante à minha. Também podemos falar em Till Lindemann dos Rammstein, que tem características similares, porque tem uma voz grave e com muitos harmónicos, algo que no canto lírico é conhecido como voz metálica.

    Qual o músico vivo com o qual gostarias de colaborar? Consegues escolher um nacional e um estrangeiro?

    O artista nacional com quem eu gostaria de colaborar seria o Paulo Bragança. Possui uma voz singular de contratenor, que é uma maravilha, para não falar no seu aspecto artístico, que eu adoro. Quanto ao artista estrangeiro, há inúmeras possibilidades, mas eu dou muita importância aos guitarristas, pelo que teria de ser Slash dos Guns NꞋ Roses. Adoraria que ele um dia criasse um solo de guitarra para uma das minhas canções, ou até compor um tema com ele. Sonhar é grátis.
    Em todo o caso, fica muita gente de fora, tanto nacional como estrangeira.

    Gostarias de viver apenas da tua música? Que obstáculos vês nos dias de hoje a essa aspiração?

    Isso é algo por que todo o músico anseia, mas é uma visão cada vez mais utópica devido à saturação do mercado. Actualmente, há muita gente relacionada com a música, e para piorar as coisas agora juntaram-se as IA, que têm muita gente a aproveitar-se delas. Ainda que se tente banir este tipo de coisas, há outros que vêem nisto uma fonte de lucro, e, como nada está legislado, esta situação está fora de controlo. Há empresas da indústria musical a criar personagens de IA e a tentar fazer que elas pareçam reais para as pessoas consumirem o produto, e assim o dinheiro ficar em casa. Hoje em dia, é quase um milagre viver da música, e também dificulta muito se esta é de qualidade. Mas os milagres acontecem. É esperar para ver.

    Parece-me que a tua música vai buscar um conjunto vasto de influências. Estou errado?

    É uma grande verdade, especialmente neste primeiro álbum. Fiz este álbum a pensar numa demonstração do que vai ser a carreira de Ramma, e tal como podes ouvir, há muita diversidade nos temas que o compõem, tal como haverá durante a carreira de Ramma. Acho que, com tanta beleza que tem a música, é errado que um artista se encerre num estilo, porque isso geralmente leva a que uma carreira seja monótona no plano musical. Eu gosto de poder explorar vários estilos musicais, mas tento sempre manter a identidade de Ramma. Neste álbum, temos uma canção sinfónica, um swing, um tango, rock, mas sempre tentando manter a atmosfera e as características do meu som. Gosto de viajar por vários géneros musicais para poder trazer riqueza ao meu som e evitar a monotonia na minha carreira.

    Como letrista exclusivo das tuas músicas, já te aconteceu escreveres uma canção e depois, quando a gravaste, sentires que era difícil encaixar algumas palavras ou que, de algum modo, elas não se adequavam à música?

    Isso ocorre muitas vezes. Por vezes, as palavras na métrica da canção são difíceis de pronunciar ou não entram nessa métrica, e aí há sempre que fazer mudanças. Na canção Recordações, tive de fazer isso com uma palavra, e isso aconteceu durante a sessão de gravação. É normal que surjam este tipo de situações.

    Que importância atribuis às letras quando ouves músicas de outros?

    Se não tiver uma boa música por trás, uma grande letra não vai funcionar, e o contrário também não. O importante em tudo é o conjunto. A música funciona como um todo, nem a letra é mais importante do que a música, nem a voz é mais importante do que os instrumentos. O conjunto faz a beleza da canção, mas as letras também têm de contar uma história e de ter um significado. Já ouvi bastantes grupos que escrevem letras que parecem ser muito bonitas, e depois vês que estiveram ali a falar sobre nada e que não entendeste nada do que te quiseram contar. A música é e será sempre melhor se for composta de forma que favoreça a canção.

    Tens ideia de qual é a ‘fisionomia’ do teu público-alvo? Quando produzes a tua música, tens em conta esse público-alvo, ou decides fazer apenas aquilo que sentes ser artisticamente melhor e mais verdadeiro?

    Eu tenho um público-alvo, mas, em nenhum momento, tenho esse dado em conta na altura de compor uma canção. Na verdade, eu faço o que bem entendo com as minhas canções e a minha arte. É um dos lados muito positivos que ser um artista independente tem. Acho que a minha música foi feita para um público mais maduro, um público com uma certa experiência de vida que consiga adaptar as canções a ocorrências vividas.

    Que projectos musicais tens em mãos?  

    Ultimamente, estou a estudar árias de ópera de baixo e, assim que aprenda alguns papéis de baixo, acho que tentarei fazer alguma coisa com isso. De resto, continuo a compor os próximos álbuns de Ramma. Neste momento, estou a uma canção de acabar de compor o terceiro álbum. Depois de o terminar, farei uma pequena paragem, até começar a compor o quarto álbum, que é o único que falta compor. Todos os outros já estão compostos, pelo que posso dizer que já tenho o trabalho bem adiantado.

    Hiperligações para seguir Ramma

    facebook.com/profile.php?id=615820106.

    https://open.spotify.com/intl-pt/artist/1MrAVeyxwvS7Klp.

    music.apple.com/artist/1845033624

    deezer.com/us/artist/350634462

    www.youtube.com/@RammaArtista


  • A conversa fluida tinha fluído bem

    A conversa fluida tinha fluído bem


    Fluido ou fluído? O nome, o adjectivo e o particípio passado. Desfaçamos esta confusão de vez. E de forma fluida.

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  • Aos habitantes da noite

    Aos habitantes da noite


    À parte isso, escreveu o outro, tenho em mim todos os sonhos do mundo. À parte isso ou à parte disso? Uma explicação sem apartes.

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  • Dr. Luís Montenegro, o Jorge Jesus não é uma boa influência

    Dr. Luís Montenegro, o Jorge Jesus não é uma boa influência


    Reuni com ou reuni-me com?

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    Conheça as nódoas gramaticais do idiolecto do nosso primeiro-ministro.

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  • Clareza

    Clareza


    Não durmo mais com esse comprimido, porque não volto a dormir com esse comprido, ou porque esse comprimido não me faz dormir mais?

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