Bilderberg: Guta Moura Guedes no meio de Durão Barroso e António Costa em reunião de poderosos

A gestora cultural e designer Guta Moura Guedes é a grande surpresa entre a lista dos selectos convidados portugueses para a edição deste ano do Grupo Bilderberg, que se reunirá no final desta semana em Washington, segundo uma lista provisória a que o PÁGINA UM teve acesso. Portugal estará representado ainda por Durão Barroso, uma das actuais figuras de proa deste clube que se fundou em 1954, que, este ano, voltou a convidar o empresário Duarte Moreira, da Zeno Partners.

Haverá ainda um quarto convidado português, mas como participante de nível internacional, na pessoa do ex-primeiro-ministro português, e actual presidente do Conselho Europeu, António Costa. Com ele, viajará também, desde Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. A confirmação destes nomes, contudo, só será feita no dia do início deste encontro de cariz privado.

Guta Moura Guedes. Foto: Francisco Sá da Bandeira (D.R.)

Esta reunião anual privada reúne importantes figuras da política e do mundo empresarial. Porém, devido ao facto de tantas personalidades públicas com responsabilidades a nível mundial se reunirem à porta fechada, e nem se conhecerem os critérios dos convites sobretudo àqueles que não são ‘fixos’, faz com que estes encontros acabem por levantar dúvidas sobre os verdadeiros objectivos dos planos pessoais dos apelidados ‘Donos do Mundo’. Acresce a isto o facto de não existir escrutínio da Imprensa e nunca haver declarações finais,

A confirmação de que o encontro será em Washington no final desta semana foi, talvez inadvertidamente, feita pelo secretário-geral da NATO, o holandês Mark Rutte, através de uma nota da sua agenda oficial, anunciando a deslocação à capital dos Estados Unidos, para um encontro com o Presidente, Donald Trump, amanhã.

O líder da NATO indicava ainda que permaneceria depois na capital norte-americana até ao próximo domingo, dia 13, para participar na reunião do Grupo Bilderberg. Uma informação depois divulgada pelo jornal Wall Street Journal.

Durão Barroso é um dos convidados ‘fixos’ dos últimos anos do Grupo Bildeberg.

Este ano, a reunião ocorrerá mais cedo do que o habitual nos últimos anos, já que os encontros, por regra planeados com um a dois anos de antecedência, realizam-se entre a última semana de Maio e as primeiras semanas de Junho. Não é normal acontecer tão cedo, em Abril, surgindo assim a especulação de que poderia ter sido antecipada devido ao início do conflito do Irão.

Da lista provisória agora conhecida, destaca-se a presença do comandante do Indo-Pacífico dos Estados Unidos, Samuel Paparo, num sinal claro de que a contenção da China também está na equação. A coincidência temporal com a deslocação de Rutte a Washington para reuniões com Donald Trump reforça a leitura de que o eixo transatlântico está em fase de reajuste estratégico.

Mas não é apenas a guerra que está em cima da mesa — é o seu financiamento e as suas consequências. A presença de figuras como Fatih Birol, da Agência Internacional de Energia, de Patrick Pouyanné, da TotalEnergies, e ainda das responsáveis do FMI e Banco Central Europeu, Kristalina Georgieva e Christine Lagarde, aponta para uma discussão paralela sobre energia, inflação e estabilidade financeira. Num contexto de tensão no Médio Oriente e volatilidade dos preços do petróleo, a energia continua a ser o motor invisível dos conflitos.

group of people in park

A dimensão tecnológica surge também como um terceiro pilar. Entre os participantes estarão Satya Nadella (Microsoft), Demis Hassabis (Google DeepMind), e Alex Karp e Peter Thiel (Palantir), com ligações directas a operações militares e de inteligência. A guerra contemporânea faz-se tanto com algoritmos como com armamento, e a presença destes atores indica que a inteligência artificial, a análise de dados e a vigilância são hoje componentes centrais da arquitetura de poder.

A isto soma-se o peso da finança global. Figuras como Peter Orszag, da emp+resa Lazard, ou o CEO do Deutsche Bank, Christian Sewing, ou o ex-secretário geral da NATO, o norueguês Jens Stoltenberg, agora ministro das Finanças do seu país, indicam que situações como questões de dívida, da reconstrução da Ucrânia e da estabilidade dos mercados vão estar igualmente no centro das conversas. Não se trata apenas de gerir crises, mas de definir quem suporta os custos e quem beneficia das transições económicas que delas resultam.

Finalmente, há um elemento frequentemente subestimado: a presença de decisores mediáticos. A presença de editores da Bloomberg, do Financial Times, do Economist e do jornalista e escritor Fareed Zakaria mostram que, a par das decisões, está também em causa a forma como estas são narradas.

Primeira página da lista ‘confidencial’ do encontro em Washington.

Este padrão mostra-se consistente com a lógica histórica do Bilderberg: um espaço onde política e militares definem estratégias, a finança e a energia asseguram a viabilidade, a tecnologia executa e transforma, e os media enquadram. Tudo isto fora de estruturas formais e sem registo público detalhado.

Aliás, num mundo marcado por guerra na Ucrânia, tensões no Médio Oriente e competição tecnológica global, este tipo de encontros deixa de ser uma curiosidade para passar a integrar, de forma discreta, a própria engrenagem do poder.