FAVORZITOS I A plebe está chocada porque a escritora Inês (Pedrosa) voltou a trazer à liça um suposto avanço de piça do escritor Lobo, que, segundo se diz, também era mauzinho com as mulheres. Era tão mau que o assumiu, dizendo-se, no tocante ao gineceu, de desonesto e rasca, até certa altura. Presume-se do mea culpa ter sido adúltero e promíscuo, um gajo de foder, como o seu grande amigo Zé Pires, para não mencionar uma lista de outros dados a investir, por antitese aos chatos intelectuais, cujos marranços se ficariam pelos livros. Mas atenção: o homem e a obra são coisas distintas. Tudo depende, se a obra é ou não moralista. No caso do ALA, o moral da história é que gostava muito de agasalhar o palhaço. Enquanto lhe deu para aí. O favorzinho ou ito seria o quê, já agora? Um broche à troca de um livre de poche?
OS BONS SAMARITANOS I Hão-de reparar na iminência de mais uma guerra mundial. Se reparardes melhor essa guerra nunca acabou desde o início dos tempos. Tem pausas quando um esbirro espirra. Há muita guerra a decorrer nos íntimos, o conflito pela supremacia, a dominação e a afirmação do nhãnhãnhãna. De dedo esticado, este, aquele e aqueloutro lá vai ditando as suas noções de superioridade moral. Entre os Ayatolas e os Nethanyaus, os Donalds e os mujahedins e seus seguidores venha o Diabo e escolha. O direito internacional é um eclipse parado numa galáxia distante. A guerra é como qualquer negócio lucrativo. Quem se f… é sempre o mexilhão.

P.S. Também não há cu para os gurus da liberdade espiritual, aqueles que inalam e exalam um fedor a vaidade e ganância. Os vendedores de sonhos de auspiciosa facturação.
CONFLITOS E GUERRAS I Tive e tenho o meu quinhão de conflitos e guerras. Tios, pais, namoradas, amantes, esposas, família em geral e particular, amigos, patrões e colegas de trabalhos, mas nenhum supera a AT. A forma desumana, maquinal, o bombardeio de setas cartas, execuções, juros tortura, uma guerra desigual, onerosa e fratricida, afinal falamos de uma instituição da terra pátria. Não é assim tão complexo explicar as guerras. Começam e não acabam. Os interlúdios de paz, os armistícios, o perdão e o eventual reparo dos irreparáveis, são apenas o intervalo da próxima guerra e da seguinte. O trabalho dos mediadores é apressar o fim. A guerra é de tal ordem imanente que tem foros de Arte. O Homem fez-se para guerrear, enquanto sobrevivente. Há guerras constantes em todos os organismos, dentro do corpo, abaixo do sangue. Há guerras porque há quem reaja. Há guerras no Universo entre substâncias. Porém, ninguém pode tirar a paz a quem vive nela e com ela, até ao dia em que…
ALA I Entre os incontornáveis, para quem se interessa por Literatura daquela que toma a parte pelo todo, onde a fala do local se faz universal, tivemos, temos e teremos o António. Até a sua poesia, ele que humildemente dizia que gostaria mesmo era de ter sido poeta. Desdenhava as crónicas e as letrinhas para canções, pondo o romance à frente, onde jogava tudo. Estou-me nas tintas para os seus detractores. Obrigado António, por me ter feito amar ainda mais a Literatura e posto a olhar as pedras. E também por vincar onde estão os reles, os desonestos e os dispensáveis. Quanto às mulheres, ide em paz.

DELITOS DE OPINIÃO I Nas exéquias de Lobo Antunes não podia faltar o comparativo idiota com o “rival” Saramago. Diatribes de escola, de classe, de linhagens, levam ao delito do julgamento de carácter. No caso destas duas figuras de alto coturno literário – que é o relevante -, não é mais do que nota biográfica se foram mulherengos, canalhas de pilas irrequietas, eunucos ou mesmo uns pulhas cruéis e reféns do id e do ego. De todos há e haverá quem diga mal, bem ou até diga não gosto e não li. A título pessoal gosto de autores que me emocionem. Os cerebrais costumo lê-los como autores de ensaios. Não que um ensaio não mexa e agite. É só uma questão de gostar de privar mais de perto com um autor. Se fode ou não fode, se é fodido ou bonzinho, é lá com ele. Notar-se na sua criação é o mais importante. O que o mover, quase sempre a vingança. Quando leio Hesse, Tagore ou o nosso Pina fico mais leve e feliz.
Que, portanto, da ficção genealógica do compadre Lobo muito restará (e para sempre) por contar. Da barbie Pedrosa não restará sequer história.
Tiago Salazar é escritor e jornalista
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