Afinal, a estrutura de missão para a área das energias renováveis já não vai ser coordenada por um enfermeiro. Fábio Teixeira terá sido forçado a demitir-se do cargo poucos dias depois de ter sido nomeado.
A ministra do Ambiente não apreciou a nomeação, no passado dia 2, deste licenciado na escola Superior de Enfermagem do Porto e que, além das suas ligações partidária à juventude do PSD, tinha passado pelos gabinetes da actual ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes.

Como o PÁGINA UM noticiou em primeira mão no passado dia 10 de Fevereiro, este enfermeiro fora nomeado para o cargo de coordenador na estrutura de missão para o licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030. O despacho de nomeação, publicado no dia 9, tinha a assinatura pelo presidente da Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030 (EMER 2030), Manuel Nina, que, por sua vez, entrou em funções no mês passado.
Hoje, ao final da tarde, a Lusa noticiou que Fábio Teixeira se demitiu do cargo de coordenador da EMER, tendo o pedido sido aceite pelo presidente da estrutura, mas o Expresso adiantou entretanto que a ministra do Ambiente, para aplacar o coro de críticas, mostrou a porta da saída ao enfermeiro.
A polémica nomeação de Fábio Teixeira tornou-se mesmo num dos temas “quentes” da semana na comunicação social e nas redes sociais, com diversas figuras da política a lançar críticas à decisão.

A nomeação, formalizada por despacho publicado em Diário da República, causa perplexidade no sector, não apenas pela idade do nomeado — 29 anos — mas sobretudo pelo seu percurso académico: uma licenciatura em Enfermagem concluída há seis anos, complementada por um trajecto essencialmente político enquanto assessor governamental desde 2024.
Um dos que condenou a nomeação do enfermeiro foi o deputado do PSD Bruno Vitorino que pediu liderança “pelo exemplo”. “Não quero saber a cor partidária, mas tem que ter currículo e competência para a área. Se não tem, não devia lá estar”, afirmou o deputado em declarações citadas pela Lusa.
Rui Rocha, presidente da Iniciativa Liberal, foi um dos primeiros críticos da nomeação, tendo partilhado um vídeo nas redes sociais com o título “O curioso caso do enfermeiro sem currículo nem experiência nomeado para o tacho no organismo em extinção”.

Em termos de nomeações da administração pública, a semana foi ainda marcada por declarações, na passada quinta-feira, de Pedro Passos Coelho. O antigo primeiro-ministro acusou governantes de viciarem concursos para altos cargos na administração pública. “A maior parte das pessoas que concorrem sabe que já está tudo decidido antes do concurso ser feito”, afirmou.
Já esta sexta-feira, André Ventura anunciou, citado pelos media, que o seu partido, o Chega, vai “propor no parlamento uma comissão de acompanhamento e de verificação das nomeações dos vários cargos na administração pública nos últimos anos e para os próximos, portanto de verificação dos últimos anos e de acompanhamento dos próximos”.
Entre as nomeações recentes, quem ficou na “corda bamba” foi Manuel Nina. O actual presidente da EMER foi nomeado em Agosto para o cargo de adjunto do Secretário de Estado Adjunto e da Energia, acumulando funções com “o exercício de técnico especialista a atividade profissional, a tempo parcial, na Goparity, estando impedido de nessa atividade actuar na área do ambiente e energia”.

No passado dia 19 de Janeiro, Manuel Nina foi nomeado para liderar a EMER, em regime de comissão de serviço. O despacho, publicado no dia 27 de Janeiro, foi assinado pela ministra do Ambiente e Energia.
Agora, depois deste desaire, resta saber se a permanência de Manuel Nina e da sua restante equipa recém nomeada para implementar as tarefas da EMER não será também “sol de pouca dura”.
